O Globo: efeito anti-PT faz eleitores de Doria em SP preferirem Bolsonaro no lugar de Alckmin – Claudio Tognolli

De O Globo

Além do distanciamento político com o ex-prefeito João Doria (PSDB), um outro embaraço desponta com potencial de dificultar a situação do presidenciável tucano Geraldo Alckmin e seu palanque duplo em São Paulo. No maior colégio eleitoral do país começa a se desenhar o voto “Bolsodoria” — eleitores que declaram voto no pré-candidato do PSDB ao governo paulista e, ao mesmo tempo, no pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL).

Assim como ocorreu em 2006 em Minas Gerais, quando o fenômeno “Lulécio” — voto em Lula para presidente e Aécio Neves para governador — (leia quadro ao lado) ajudou a tirar Alckmin do páreo pela Presidência da República, surge na campanha alckmista a suspeita de que o voto “Bolsodoria” possa comprometer o empenho do PSDB paulista na campanha de Alckmin. O desempenho do presidenciável tucano em São Paulo é considerado chave para que ele alcance o segundo turno.

Alckmin está empatado com Bolsonaro em São Paulo com cerca de 15% das intenções de voto. No estado que governou por 13 anos, o tucano calcula que precisará obter 30%, no mínimo, no primeiro turno para ter chance de vitória.

O discurso anti-PT, marca registrada de Doria e Bolsonaro, é apontado como a maior razão para o fenômeno “Bolsodoria”. O ex-prefeito é disparado a preferência número 1 dos que declaram voto em Bolsonaro em São Paulo. Trechos não divulgados de uma pesquisa Datafolha feita em abril mostram que, em vários cenários, os apoiadores do presidenciável do PSL aparecem em maior quantidade entre o eleitorado de Doria do que os simpatizantes de Alckmin. A fatia dos bolsonaristas representa de 20% a 23% do eleitorado do tucano, enquanto a dos alckmistas, de 18% a 23%.

O fantasma do voto “Bolsodoria” soma-se a um quadro que já é de dificuldades para a pré-candidatura de Alckmin. Em sua própria casa, o presidenciável tem o palanque mais problemático. Na verdade, são dois. Alckmin se omitiu na disputa entre dois partidos de sua base, PSDB e PSB, e agora tem dois pré-candidatos ao governo paulista em guerra — Doria e o governador e candidato à reeleição, Márcio França (PSB).

 

error:
0