SÃO PAULO – O aumento exponencial de casos da Covid-19 , especialmente nos Estados Unidos e na Europa, e a volta de atritos políticos no Brasil fizeram o dólar comercial disparar nesta quarta-feira. Por volta das 9h50m, a moeda americana era negociada com alta de 1,18%, valendo R$ 5,753. Na máxima, foi a R$ 5,79.

Na véspera, a moeda americana fechou com alta de 1,26%, a R$ 5,685, maior valor de fechamento desde 20 de maio.

Nas últimas 24 horas, os Estados Unidos registraram 73,2 mil pessoas infectadas com o novo coronavírus, de acordo com levantamento da universidade Johns Hopkins. Dois dias antes, foram 60 mil pessoas diagnosticadas com a doença.

O cenário europeu é mais agravante. A França, país onde os números de contaminação não param de subir, cogita a possibilidade de decretar novo lockdown (confinamento total). Informações preliminares apontam que o governo Macron estuda ampliar a duração do toque de recolher e implementar o confinamento aos fins de semana.

“A agressiva segunda onda de coronavírus na Europa e a piora do quadro nos EUA adicionam forte incerteza a um ambiente que já conta com forte volatilidade em função da proximidade com as eleições americanas”, escreveram os analistas da Guide Investimentos.

Internamente, o cenário também não ajuda. Na véspera, o presidente da Câmara, Rodrigo maia (DEM-RJ), criticou a obstrução na votação de pautas importantes na Casa pela base do governo. Ele acrescentou que a votação do Orçamento de 2021 pode ficar só para depois de março.

“Além de atrasar a aprovação do Orçamento de 2021, o impasse acaba impedindo que todos os projetos de interesse do governo, incluindo várias medidas provisórias com data de expiração, sejam analisadas”, complementaram os analistas da Guide.

Nesta quarta o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decide o novo patamar da taxa básica de juros (Selic). A projeção do mercado é que ela seja mantida nos atuais 2%, mas os investidores aguardam a ata da reunião para saber os próximos passos da autoridade monetária.

A incerteza global também penaliza o petróleo. A cotação do barril do tipo Brent (referência internacional) opera com queda de 3,88%, valendo US$ 39,60. Diante do aumento de casos de Covid-19, teme-se que a demanda por matéria-prima seja reduzida.