Número dois da Saúde diz que recomendações de Bolsonaro não mudam orientações do ministério | Claudio Tognolli

O Globo

BRASÍLIA – O secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, disse que, as recomendações feitas pelo presidente Jair Bolsonaro não mudam as orientações dadas pela pasta no combate ao novo coronavírus. Segundo ele, o ministério continuará aconselhando que as pessoas diminuam a circulação nas ruas e evitem as aglomerações como forma de reduzir o risco de contágio. O vírus já matou 92 pessoas no Brasil.

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Questionado se o Ministério da Saúde pararia a campanha de isolamento social para atender o discurso de Bolsonaro, Gabbardo, que é o número dois da pasta, abaixo apenas do ministro Luiz Henrique Mandetta, respondeu:

— Não vejo nenhum sentido nisso. Não existe essas hipótese. O discurso do presidente, nós não vamos fazer nenhuma análise dele, mas as recomendações que estão sendo dadas não modificam em nada as orientações do Ministério da Saúde. Continuam sendo as mesmas — disse Gabbardo.

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Em seguida, listou as recomendações:

— Pacientes com sintomas devem ficar em isolamento. Familiares dos pacientes com sintomas devem ficar em isolamento. Pessoas que tenham comorbidade, doenças crônicas devem ficar em isolamento, independentemente da idade. Pessoas com mais de 60 anos devem ficar em isolamento. Todos devemos diminuir a circulação para evitar aglomerações. Essas medidas do Ministério da Saúde em nada foram modificadas e continuarão sendo as mesmas.

Bolsonaro vem recomendando o isolamento vertical, ou seja, o isolamento apenas dos grupos de risco, como idosos e pessoas com outras doenças. Também vem defendendo a volta à normalidade para os demais, com o retorno, por exemplo, ao trabalho e às aulas.

Favelas

Gabbardo também disse que a grande preocupação do Ministério da Saúde são as favelas, onde é mais difícil haver uma distanciamento social que pode reduzir o risco de contágio. Assim, voltou a citar algumas alternativas já mencionadas antes para isolar pacientes que morem nesses locais.

— A nossa grande preocupação são essas comunidades, pelas dificuldades com saneamento, com acesso a água potável, a dificuldade de evitar aglomerações. Já convivem num ambiente com grande aglomeração. É uma preocupação que nós temos. O que está sendo pensado: a utilização de hotéis, leitos de observação que vão ser utilizados, hospitais de campanha, utilização dos próprios navios de cruzeiro — disse Gabbardo.

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