'Não quero fazer parte disso', afirma técnica que pediu demissão após contratação do goleiro Bruno | Claudio Tognolli

A técnica da equipe de futebol feminino do Rio Branco (AC), Rose Costa, de 50 anos, anunciou nesta quarta-feira (29) seu desligamento do clube após a contratação do goleiro Bruno Fernandes, condenado pelo assassinato de Eliza Samúdio. Suas jogadoras sinalizaram que querem acompanhar a treinadora se ela fechar com outro time.

“Eu não quero fazer parte disso. O meu entendimento é de que, sim, ele deveria ter uma oportunidade de se ressocializar, mas em uma outra situação, em que não tivesse essa visibilidade, essa conotação de exemplo. O esporte de rendimento hoje, seja em qualquer categoria, é reflexo para a sociedade, é espetáculo”, disse ela em entrevista à Época. “Foi uma revolta geral. As meninas estão aterrorizadas. Elas estão esperando eu decidir para onde eu vou porque elas querem ir comigo”, afirmou.

De acordo com a treinadora, “tinha três anos que o Rio Branco não participava do campeonato feminino, que não prestigiava”. “Já estávamos treinando a todo vapor, quando fomos pegas de surpresa por essa notícia. É muito contraditório”, complementou.

Em 2013, o goleiro Bruno Fernandes, de 35 anos, foi condenado a 20 anos e 9 meses de prisão por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver da ex-namorada Eliza Samúdio. O goleiro obteve a progressão de pena ao regime semiaberto em julho do ano passado.

Em 2017, o Judiciário lhe concedeu um habeas corpus, Bruno acertou com o Boa Esporte (MG), clube pelo qual realizou cinco partidas e posteriormente retornou à prisão. Dois anos depois ele atuou por meio tempo pelo Poços de Caldas (MG). Em 2020 o goleiro chegou a ser anunciado pelo Operário-MT, que desistiu da contratação após a repercussão negativa e a perda de patrocínios. Dias antes, o Fluminense de Feira (BA) também havia declinado o acordo com o goleiro.

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