A força-tarefa Greenfield, do Ministério Público Federal (MPF), oficiou à J&F e à JBS — empresa de processamento de produtos de origem animal e que pertence ao grupo dos irmãos Joesley e Wesley Batista — para que prestem esclarecimentos sobre sua relação com a empresa Unifleisch, que atua no recolhimento de parcela dos lucros das vendas de carne da JBS na Europa.

Documentos da FinCEN, órgão de prevenção a crimes financeiros do Departamento de Tesouro dos EUA, trazem indícios do vínculo da empresa com os irmãos Batista, a partir de dados coletados pelo banco Barclays.

Os registros foram revelados na última sexta-feira pelo site da revista ÉPOCA e fazem parte do FinCEN Files, investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) e parceiros. No Brasil, também participam a revista Piauí e o site Poder 360.

Entre 2011 e 2016, o Barclays administrou US$ 633,9 milhões em conta da Unifleisch, empresa que não está protegida pelo acordo de leniência assinado em 2017 pelo grupo.

“A Unifleisch é instruída pela JBS, pela Lunsville e pela Valdarco em todas as ações necessárias a serem tomadas”, registrou o gerente, numa referência à fornecedora de carnes e a duas offshores também administradas pela família Batista.

Os procuradores querem que a J&F preste esclarecimentos sobre os fatos noticiados, acompanhados da devida comprovação documental.

Os responsáveis pela cobrança à empresa são os procuradores Sara Moreira de Souza Leite e o procurador Leandro Musa de Almeida, que integram a força-tarefa Greenfield.

Os procuradores também solicitaram à Receita Federal e ao Banco Central que informem se há ou houve algum procedimento a respeito dos fatos, e, em caso negativo, informem eventuais providências agora que foram notificados pelo MPF.

Os documentos do Tesouro Americano tratam das transações da Unifleisch S/A, empresa que tem sede em Lugano, na Suíça, e também escritório em Londres, na Inglaterra.

ÉPOCA apurou que nos dois países a firma é legalmente representada por agentes fiduciários que emprestam o nome a dezenas de outras empresas, medida que permite a ocultação de seus verdadeiros donos.

Ao ser questionado sobre a razão de não ter detalhado transações nem ter incluído a Unifleisch entre as empresas de seu acordo de leniência, o grupo J&F afirmou que “toda transação financeira do grupo que merecia reporte às autoridades foi apresentada nos acordos”.

Nesta terça-feira, a reportagem perguntou mais uma vez ao grupo J&F quem é o dono da Unifleisch, mas a empresa informou que não se manifestaria.