MPE propõe ação contra prefeito eleito de Paraty por compra de votos | Claudio Tognolli

O Ministério Público Eleitoral (MPE), por meio da  Promotoria junto à 57ª Zona Eleitoral do Estado do Rio de Janeiro, propôs ação de investigação judicial eleitoral por captação ilegal de voto e abuso de poder econômico contra o prefeito eleito de Paraty, Luciano Vidal, o vice-prefeito eleito, Valdecir Ramiro, e o empresário financiador da campanha dos candidatos eleitos, Ronaldo Freire Carpinelli, preso em flagrante no dia da eleição por oferecimento de vantagens a eleitores. De acordo com as investigações, no dia 04/08, data das eleições suplementares realizadas no município, Ronaldo circulou em áreas carentes da cidade, notadamente as comunidades da Ilha das Cobras e Parque Mangueira, distribuindo dinheiro, material de campanha e pagando alimentos e bebidas em troca de votos para a chapa.

Luciano e Valdecir venceram as eleições suplementares por uma diferença de apenas 34 votos com relação à chapa que ficou na segunda colocação. No dia da eleição, Ronaldo foi visto em frente ao Colégio Municipal Parque da Mangueira cercado por eleitores no momento em que foi abordado pelas equipes de fiscalização do Tribunal Regional Eleitoral, que atuavam em apoio às eleições suplementares. Durante a abordagem, foram encontrados R$10.947,00 em espécie, um cheque ao portador no valor de R$7.558,00, apontamentos sobre entrega de bens e materiais de construção em diversos bairros da cidade e anotações de contratos firmados por ele com o Município de Paraty, governado pelo grupo político de Luciano desde 2012.

Em seus pedidos, requer a promotoria que o auto de prisão em flagrante de Ronaldo seja distribuído à 57ª Zona Eleitoral, que os autos sejam enviados à Delegacia da Polícia Federal de Angra dos Reis para a instauração de inquérito que apure os crimes de compra de votos, caixa dois de campanha, corrupção passiva e ativa e lavagem de capitais, e identificação das empresas em que Ronaldo possui participação e, dentre estas, quais possuem contratos firmados com o município. Caso a prática de abuso de poder econômico seja configurada, além da captação ilícita de sufrágio, os políticos poderão ter seus mandatos cassados e os três denunciados ficarão inelegíveis pelos próximos oito anos, além de pagarem multa.

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