Mourão na corda bamba – Claudio Tognolli

Com suas recentes declarações polêmicas, o general Hamilton Mourão (PRTB), vice do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), perdeu apoio entre os militares, que chegaram a pedir a renúncia dele da vaga de vice para evitar mais prejuízos à candidatura do seu candidato. A informação é da Coluna do Estadão. A legislação prevê que a troca só pode ser feita até 20 dias antes do pleito, prazo já ultrapassado. Embora haja pelo menos um precedente favorável, o risco de o TSE derrubar a chapa toda seria alto demais.

Durante evento no Rio Grande do Sul, Mourão criticou o 13º salário, classificando-o como uma das “jabuticabas” brasileiras. “Como a gente arrecada 12 (meses) e paga 13? O Brasil é o único lugar onde a pessoa entra em férias e ganha mais”, disse. “São coisas nossas, a legislação que está aí. A visão dita social com o chapéu dos outros e não do governo”, comentou.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a declaração do militar causa uma crise na campanha do PSL. Bolsonaro usou o Twitter para questionar a afirmação do seu vice. “O 13° salário do trabalhador está previsto no art. 7° da Constituição em capítulo das cláusulas pétreas (não passível de ser suprimido sequer por proposta de emenda à Constituição). Criticá-lo, além de uma ofensa à quem trabalha, confessa desconhecer a Constituição”, disse Bolsonaro 

Outro recente posicionamento de Mourão causou polêmica. O general afirmou que o narcotráfico recruta jovens de famílias pobres “sem avô e pai, mas com avó e mãe”. “A partir do momento em que a família é dissociada, surgem os problemas sociais. Atacam eminentemente nas áreas carentes, onde não há pai e avô, mas sim mãe e avó. Por isso, é uma fábrica de elementos desajustados que tendem a ingressar nessas narco-quadrilhas”, disse Mourão.

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