Ministro da Educação de Bolsonaro cometeu crime de homofobia, dizem advogados | Claudio Tognolli

Ao fazer declarações homofóbicas, o ministro da Educação, Milton Ribeiro, cometeu crime. Segundo advogados, ele violou a lei, além de demonstrar visão equivocada e preconceituosa. O GaDvs (Grupo de Advogados pela Diversidade Sexual) entrará com queixa criminal por racismo homotransfóbico e ação civil por dano moral coletivo, informa a Folha de S.Paulo.

 

Em entrevista ao Estado de S.Paulo publicada nesta quinta-feira (24), o ministro da Educação, que é pastor presbiteriano, diz que a homossexualidade não é normal e a atribui a “famílias desajustadas”.

“O adolescente que muitas vezes opta por andar no caminho do homossexualismo (sic) tem um contexto familiar muito próximo. São famílias desajustadas, algumas. Falta atenção do pai, falta atenção da mãe. Vejo menino de 12, 13 anos optando por ser gay, nunca esteve com uma mulher de fato, com um homem de fato, e caminhar por aí”, diz o ministro.

O ministro da Educação declarou também que quer revisar os conteúdos ensinados nas escolas para que não haja “incentivo a discussões de gênero”. Desde a campanha de 2018, o governo Jair Bolsonaro se mostra partidário da agenda de grupos conservadores e religiosos que busca vetar essas discussões na escola.

O perfil religioso foi preponderante para a nomeação de Ribeiro, que assumiu o cargo em julho e escolheu como assessora uma religiosa defensora da adoção de princípios bíblicos no ensino.

As opiniões do ministro sobre o papel do MEC também contrariam lei, segundo especialistas. O Milton Ribeiro diz que sua pasta não pode interferir na condução das políticas educacionais.

Segundo o especialista em políticas educacionais pelo IFRS Gregório Grisa, Ribeiro contraria a Constituição.

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