Milícias já controlam 57% do território do Rio | Claudio Tognolli

Os grupos milicianos do Rio já controlam, sob o governo Bolsonaro, 57% do território da capital fluminense. Um a cada três moradores, ou 2,2 milhões de pessoas, vivem sob o domínio das milícias, de acordo com o estudo Mapa dos Grupos Armados do Rio de Janeiro, feito em parceria entre o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da UFF, o Núcleo de Estudos da Violência da USP, o Disque-Denúncia e as plataformas Fogo Cruzado e Pista News.

 

O Mapa dos Grupos Armados o percentual superlativo de territórios em disputa chegou a 25% da capital. Somente 2% da área do Rio não estaria passando por domínio criminoso ou conflito entre grupos. As estatísticas foram publicadas pelo jornal O Estado de S.Paulo.

Atualmente, a milícia é a principal adversária do Comando Vermelho, o que desconstrói a ideia de paz que milícias tentam vender ao ocupar locais antes pertencentes ao tráfico.

“Segundo o mapa, as milícias também entram em disputas territoriais violentas e atuam em territórios cada vez mais extensos, onde controlam esses bairros ilegalmente, cobrando taxas extorsivas sobre os mercados de serviços essenciais como água, luz, gás, TV a cabo, transporte e segurança, além do mercado imobiliário”, apontou o pesquisador Daniel Hirata, da Universidade Federal Fluminense (UFF).

As milícias não se limitaram a atividades como a venda ilegal de gás e avançaram sobre grilagem e construção de prédios em áreas irregulares. Foi o que ocorreu na Muzema, zona oeste da cidade, em abril do ano passado, quando 24 pessoas morreram após uma dessas construções desabar.

O estudo considerou 37,8 mil denúncias recebidas pelo Disque Denúncia que mencionavam o tráfico ou a milícia. Os relatos também foram submetidos a processos de classificação por meio de termos que apareciam com frequência, fazendo uma espécie de dicionário. Os termos foram analisados sob a ótica de três fatores: controle territorial, controle social e atividades de mercado.

Família Bolsonaro

Os dados foram divulgados em um contexto no qual o País vê no centro da sua política uma família presidencial que tem flagrantes ligações com milicianos. Um dos casos mais graves foi a proximidade entre participantes do assassinato da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL) e os Bolsonaros.

Em março do ano passado foram presos dois suspeitos de serem os assassinos de Marielle: o policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-militar Élcio Vieira de Queiroz. O primeiro é acusado de ter feito os disparos e o segundo de dirigir o carro que perseguiu a parlamentar.

Lessa morava no mesmo condomínio de Bolsonaro. Outro detalhe é que Élcio Vieira de Queiroz, de 46 anos havia postado no Facebook uma foto ao lado de Jair Bolsonaro. Na foto, o rosto de Bolsonaro está cortado.

Outro miliciano, o ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado pelo Ministério Público (MP-RJ) como o chefe do Escritório do Crime, tinha estreitas ligações com a família Bolsonaro. A mãe dele, morto em operação policial na Bahia este ano, trabalhou no gabinete de Flávio Bolsonaro  (Republicanos) quando o parlamentar ocupava uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio antes de ser eleito para o Senado.

Este ano Jair Bolsonaro também anunciou a revogação de três portarias do Comando Logístico (Colog), que determinavam um mais rígido rastreamento, identificação e marcação de armas e munições. Analistas, não do estudo feito pelo Mapa dos Grupos Armados do Rio, apontaram que a medida beneficiará justamente os milicianos e as facções. Bolsonaro anunciou a revogação das portarias número 46, 60 e 61.

 

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