Membro do cartel dos combustíveis defende: quem anda de transporte público tem de pagar um novo imposto para financiar quem tem carro e dividir esses custos com grandes distribuidoras… – Claudio Tognolli

O senhor Adriano Pires é consultor da TV Globo e a quem os jornais, e grande mídia em geral, transformaram em referência para o setor petrolífero. Na verdade, ele é funcionário do Sindicom/Plural fazendo lobby em todos os ambientes necessários para defender os interesses do cartel. Ele é a “voz independente” e “respeitada” que defende ideias que favorecem o Sindicom –o sindicato que agrega o cartel Raízen/Shell, BR e Ipiranga –responsáveis por 70% do combustível do Brasil.

Adirano Pires dispõe de um curriculum vetusto:

 

 Sócio-fundador e Diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE).
Doutor em Economia Industrial pela Universidade Paris XIII (1987), Mestre em Planejamento Energético pela COPPE/UFRJ (1983) e Economista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1980).
Atua há mais de 30 anos na área de energia. Sua última experiência no governo foi na Agência Nacional de Petróleo – ANP, onde atuou como Assessor do Diretor-Geral, Superintendente de Importação e Exportação de petróleo, seus derivados e gás natural e Superintendente de Abastecimento. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro, exerceu a função de professor, pesquisador e consultor junto a empresas e entidades internacionais.
Desenvolveu atividades de pesquisa e ensino nas áreas de economia da regulação; economia da infra-estrutura; aspectos legais e institucionais da concessão dos serviços públicos e tarifas públicas.

 

 

Com toda essa bagagem, no caderno de economia do Estadão, deste sábado, ele defende umas loucurinhas…inclusive a de acentuar gramaticalmente “Petrobras”…

 

Imagine a população brasileira que trabalha duro se apertando em ônibus e metro todos os dias ter que pagar imposto para financiar quem tem carro?!?!

Imagina a loucura que tributar quem investe em um carro elétrico ou a gás para financiar quem tem carro a gasolina e diesel?!

Adriano quer baixar o custo do combustível criando um novo imposto. Com isso ele defende os interesses de arrecadação dos governos e os interesses de lucro das grandes distribuidoras, mandando a conta para o trabalhador brasileiro pagar. Adriano escreveu que “o risco passa a ser dividido”. Ou seja: as grandes distribuidoras como Raízen/Shell, BR e Ipiranga seguem tendo lucros estratosféricos enquanto o povão arca com um novo imposto, afinal, como refere Adriano, “o risco passa a ser dividido”…

 

Confira a loucurinha…

 

 

Imposto flex e venda de refinarias

Adriano Pires

Na tentativa de acabar com a greve dos caminhoneiros, o governo apresentou o tabelamento dos fretes e a criação da conta diesel, com ressarcimentos à Petrobrás e aos importadores. Assim, tirase dinheiro do Orçamento para subsidiar, com mais de R$ 10 bilhões, o combustível fóssil, rendendo-se aos donos de transportadoras e caminhoneiros, em detrimento da sociedade brasileira. Mergulhamos no túnel do tempo. A solução transitória deveria ter sido o estabelecimento de um gatilho para o reajuste de preços da gasolina e do diesel. Esse gatilho consistiria em uma variação de preços de (+/-) 2% e a periodicidade dos ajustes dependeria desse acúmulo, e não do tempo. A fixação de períodos longos para ajustes de preços pode gerar distorções, a começar pela logística, e prejudicar a Petrobrás que, dependendo do comportamento do preço do barril e da taxa de câmbio, poderá se tornar novamente a única importadora.

Os consumidores poderão sofrer com grandes aumentos represados ao longo do tempo. Deve-se levar em conta o fato de que estes níveis de aumentos/reduções não podem ser indutores de janelas de importações, outra forma de distorção do mercado. É importante ressaltar que o gatilho só seria aplicado aos preços nas refinarias, que funcionam num regime de monopólio, não cabendo discutir a precificação dos segmentos distribuição e revenda, que estão em mercados de concorrência. Essa proposta seria benéfica para a Petrobrás e importadores por contribuir para a manutenção da competitividade no mercado de combustíveis. E, para o consumidor final, as vantagens seriam a previsibilidade e a redução do impacto da volatilidade do preço internacional dos combustíveis sobre o preço na bomba.

Nesse período de transição seriam importantes a aceleração do processo de privatização das refinarias e a entrada em vigor do imposto regulatório, como premissa para finalizar os reajustes de preços por meio do gatilho. A solução definitiva deveria ser a criação de um imposto regulatório flexível, que originaria um Fundo de Estabilização dos Preços. O objetivo é não repassar ao consumidor a volatilidade do petróleo no mercado internacional nem, tampouco, da taxa de câmbio. Os produtores teriam a liberdade de fixar seus preços, seguindo a tendência do mercado internacional e sem controle da periodicidade. Dependendo do comportamento do preço do barril no mercado internacional e, mesmo, da taxa de câmbio, o ajuste se faria com a redução ou alta do imposto regulatório flexível e não via preço. Para garantir a arrecadação federal necessária, com repartição do risco de preço entre os vários participantes do mercado, seria criada uma Contribuição sobre Combustíveis (CSC), um imposto flexível, que seria calculada por uma conta gráfica.

 

Uma das vantagens da proposta é o afastamento de um possível controle de preços ou mesmo um congelamento. Outro benefício está no fato de a conta gráfica ser sobre a arrecadação do governo, e não sobre o preço do combustível. O imposto flexível na gasolina, especificamente, é importante para a competitividade do etanol, pois qualquer alteração no preço da gasolina exige cuidado com o impacto disso sobre o etanol. Ainda, a proposta vai ao encontro de uma demanda da sociedade, claramente exposta na greve, por tributos justos, eficientes e ambientalmente corretos. E, ao adotar esse novo imposto, o governo acenaria nesta direção. A efetividade dessa solução definitiva passa pela privatização das refinarias, sendo necessário o fim do monopólio no refino, logística e infraestrutura. Além disso, essa nova proposta não elimina os riscos de preço para o consumidor final, refinaria ou governo. O risco passa a ser dividido, com um bom nível de previsibilidade para o Tesouro. É bom lembrar que o imposto flex existe em lugares onde prevalecem as regras de mercado na formação dos preços, a exemplo dos países europeus, e funciona muito bem por lá, há anos.

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