Maioria dos países falha em apoiar mulheres na pandemia, diz ONU | Claudio Tognolli

Deutsche  Welle

Mulheres recebendo doações no IrãMulheres recebendo doações no Irã, um dos países que não lançou nenhuma medida específica de apoio ou proteção

Apenas um em cada oito países do mundo adotou um amplo leque de medidas para proteger mulheres dos impactos da pandemia de coronavírus, de acordo com uma ferramenta lançada pelas Nações Unidas na segunda-feira (28/09).

O banco de dados analisa como 206 países e territórios vêm lidando com a violência contra mulheres e meninas, apoiando trabalhadoras não remuneradas e fortalecendo a segurança econômica das mulheres. Segundo os dados, apenas 25 países vêm executando políticas para essas três áreas, entre eles Canadá, Chile, Espanha e Nova Zelândia. Outros 42, como Irã, Mali e Mongólia, não desenvolveram nem sequer um projeto. E pouco mais de 130 países, incluindo Alemanha e Brasil, vêm direcionando esforços para uma ou duas áreas.

O Brasil consta como tendo lançado pelo menos 11 medidas “que abordam gênero” durante a pandemia, incluindo pagamentos do auxílio emergencial em dobro para mães responsáveis pelo sustento da família. No entanto, o país aparece com um destaque negativo quando se trata de apoiar trabalhadoras não remuneradas.

Já a Alemanha aparece como não tendo aplicado nenhuma medida para fortalecer especificamente a segurança econômica das mulheres. Na Europa, 93% dos países haviam tomado pelo menos uma medida, em comparação com apenas 63% das nações africanas.

“A pandemia covid-19 está atingindo fortemente as mulheres – tanto como vítimas de violência doméstica que ficam isoladas com seus agressores, como cuidadoras não remuneradas em famílias e comunidades ou como trabalhadoras em empregos que não contam com proteção social”, afirmou a diretora-executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka-

A ONU aponta que 71% de todas as medidas relacionadas a gênero identificadas no mundo focavam principalmente na prevenção da violência contra mulheres e meninas, e que 10% visam fortalecer a segurança econômica das mulheres. E menos de um terço das medidas anunciadas abordam o trabalho de assistência não remunerado nas famílias e comunidades.

No início deste mês, a organização estimou que a taxa de pobreza entre as mulheres deve aumentar em 9,1% por causa da pandemia e suas consequências. Em julho, o McKinsey Global Institute informou que a crise tornou os empregos das mulheres mais vulneráveis numa escala 1,8 vez maior do que a dos homens nessa condição.

Mas a pandemia ainda pode trazer mudanças positivas, disse o teuto-brasileiro Achim Steiner, chefe do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que lançou a ferramenta de análise COVID-19 Global Gender Response Tracker junto com a ONU Mulheres.

“A crise da Covid-19 oferece uma oportunidade para os países transformarem os modelos econômicos existentes em um contrato social renovado que prioriza a justiça social e a igualdade de gênero”, disse Steiner. “Este novo rastreador de resposta de gênero pode ajudar a acelerar a reforma política, orientando sobre as lacunas nos esforços nacionais e destacando as melhores práticas”.

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