Líderes de Venezuela e Cuba sofrem críticas em cúpula latino-americana | Claudio Tognolli

Deutsche Welle

 

Ativista põe bandeiras de Cuba e Venezuela em banco de praça durante protesto Ativista usa bandeiras de Cuba e Venezuela em protesto contra participação de líderes dos dois países na cúpula da Celac

Venezuela e Cuba serviram de pontos de atrito durante a cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) realizada neste sábado (18/09) no México, após os presidentes de Paraguai e Uruguai terem questionado a legitimidade democrática de seus homólogos Nicolás Maduro e Miguel-Díaz-Canel.

Os atritos na reunião começaram quando o presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez, insistiu que não reconhece Nicolás Maduro como presidente da Venezuela, que estava sentado a poucos metros dele.

“Digo ao presidente do Paraguai: marque data, lugar e hora para um debate sobre democracia no Paraguai, Venezuela e América Latina!”, respondeu Maduro em seu discurso no plenário da cúpula.

Por sua vez, o presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez, advertiu que seu governo não mudou sua posição em relação à Venezuela, com a qual rompeu relações após reconhecer Juan Guaidó quando este se proclamou presidente em 2019.

“Minha presença nesta cúpula em nenhum sentido ou circunstância representa o reconhecimento do governo do senhor Nicolás Maduro. Não há nenhuma mudança por parte do meu governo e creio que é de cavalheiros dizer isso logo de cara”, afirmou em seu discurso.

Da mesma forma, o governo colombiano rejeitou a participação de Maduro na cúpula do Celac, através de uma nota divulgada pelo seu Ministério do Exterior.

Já o presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, afirmou que participar da cúpula da Celac não significa ser “complacente” com países onde “não há uma democraia plena”.

“O aparato repressivo é usado para silenciar os protestos, quando os oponentes estão presos”, disse Lacalle, acrescentando que “voz calma, mas firme, devemos dizer com preocupação que vemos seriamente o que está acontecendo em Cuba, Nicarágua e Venezuela”, se referindo a denúncias de violações dos direitos humanos nesses países.

Ausência do Brasil

O encontro do organismo internacional, composto por 33 países, não teve a presença do Brasil, que anunciou sua saída da Celac , após o governo do presidente Jair Bolsonaro ter ignorado apelos do México – que assumiu este ano a presidência da Celac – para que o país voltasse a participar ativamente do organismo.

Entre os motivos para a decisão brasileira estariam os fatos de o governo Bolsonaro na ver com bons olhos a participação de Cuba na entidade e de a representação da Venezuela ser composta de membros do governo do presidente Nicolás Maduro.

A Celac foi fundada em fevereiro de 2010, durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reunindo quase todos os países da Organização dos Estados Americanos (OEA), com exceção dos EUA e do Canadá.

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