Leia tudo de todos os jornais desta sexta-feira (22)  – Claudio Tognolli

Chico Bruno

Manchetes

O Globo: Temer é preso pela Lava-Jato 80 dias após deixar Presidência

Oitenta dias após deixar a Presidência da República, Michel Temer tornou-se o segundo ex-presidente desde a redemocratização a ser preso, acusado de liderar organização criminosa que desviava dinheiro de contratos de Angra 3. A prisão preventiva foi ordenada pelo juiz Marcelo Bretas, da Lava-Jato no Rio. Temer é alvo de mais nove inquéritos, remetidos pelo STF à primeira instância da Justiça Federal em São Paulo, Rio e Brasília, depois que ele perdeu o foro privilegiado. Também foram presos o ex-ministro Moreira Franco, 5º governador eleito do Rio a ir para a cadeia; João Baptista Lima, o coronel Lima, e sua mulher, Maria Rita Fratezi. Outros seis mandados foram expedidos. Para o MPF, a liberdade de Temer e dos demais ameaçava as investigações e permitia a continuidade de crimes, como a tentativa de Lima de depositar R$ 20 milhões em dinheiro na conta de sua empresa, a Argeplan. Temer disse que a prisão é “uma barbaridade”. Sua defesa alegou abuso de direito e pediu sua soltura ao TRF-2. Na Presidência, Temer foi denunciado três vezes pela PGR.

Estadão: Temer é preso sob acusação de liderar organização criminosa

O ex-presidente Michel Temer foi preso preventivamente ontem, quando saía de casa, em São Paulo, sob acusação de liderar organização criminosa que atuava “havia 40 anos”, segundo o MPF. A ação que levou o ex-presidente à cadeia é decorrente de investigação de supostos crimes de formação de cartel e pagamento de propina a executivos da Eletronuclear. Segundo os procuradores, ele estaria envolvido com o pagamento de propinas e desvio de recursos, no valor total de R$ 1,8 bilhão. A defesa chamou a prisão de “barbaridade”. Também foram detidos o ex-ministro e ex-governador do Rio Moreira Franco e João Baptista de Lima Filho, entre outros. Em sua decisão, o juiz da Lava Jato no Rio, Marcelo Bretas, cita que os acusados montaram “um braço de contrainteligência”, com o objetivo de vigiar responsáveis pelas investigações, destruíram provas e tentaram despistar a apuração do caso.

Folha: Acusado pela Lava Jato de 40 anos de corrupção, Michel Temer é preso

Setenta e nove dias após deixar a Presidência, Michel Temer foi preso ontem pela Polícia Federal, a pedido da Lava Jato fluminense, em investigação que apura corrupção na construção de Angra 3. Segundo o Ministério Público Federal, Temer, 78, e seu grupo agem há 40 anos e já teriam solicitado, pago ou desviado R$ 1,8 bilhão. Procuradores sustentam que pagamentos ainda são feitos. O juiz Marcelo Bretas justificou o pedido de prisão preventiva (por prazo indeterminado) do ex-presidente para evitar destruição de provas, garantir a ordem pública e a aplicação da lei. Em sua decisão judicial de 46 páginas, Bretas usa 19 vezes o verbo “parecer”, no sentido de dúvida. A defesa de Temer afirmou que o ex-presidente é um troféu para os investigadores da Lava Jato. Além de Temer, foram presos o ex-ministro Moreira Franco e o coronel João Baptista Lima Filho, amigo do ex-presidente. Outros cinco tiveram prisão preventiva decretada, e dois, temporária. A prisão, relacionada à delação de José Antunes Sobrinho, da Engevix, causou forte repercussão em Brasília. O Planalto trabalha para se afastar da disputa entre Legislativo e Judiciário.

Correio: Prisão de Temer acirra embate entre poderes

Acusado de usar influência no setor público para favorecer empresas, em esquema que teria ultrapassado R$ 1,8 bilhão em propina, Michel Temer foi preso (foto) ontem em São Paulo. Levado para o Rio de Janeiro, o emedebista está numa sala da Polícia Federal, em espaço semelhante ao que Lula cumpre pena de 12 anos em Curitiba desde 7 de abril de 2018. A operação seria uma reação da Lava-Jato à decisão do STF de passar à Justiça Eleitoral casos de corrupção envolvendo caixa 2 de políticos e pode ampliar a crise com o Congresso, onde há resistência ao pacote anticrime do ministro Sérgio Moro. Além de Temer, o juiz Marcelo Bretas decretou a prisão do ex-ministro Moreira Franco e de mais oito pessoas.

Valor: Prisão de Temer tumultua política e ameaça reforma

A prisão do ex-presidente Michel Temer acirrou ontem a tensão existente entre o presidente Jair Bolsonaro e a base de partidos aliados ao governo no Congresso. O caso tomou ares de crise e, agora, ameaça à tramitação da reforma da Previdência. Além de Temer, a Polícia Federal prendeu o ex-ministro Moreira Franco, padrasto da mulher do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), com quem Bolsonaro e seus filhos têm travado permanente disputa nos bastidores de Brasília. O caso tomou ares de crise e, agora, ameaça a tramitação da reforma da Previdência.

Primeiras páginas

O Globo

Regalias a militar atrasam reforma no Congresso – O deputado Felipe Francischini (PSL-PR), presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, adiou a escolha do relator da reforma da Previdência. Ele só apontará um nome após a equipe econômica explicar por que os militares tiveram privilégios na proposta de mudanças na aposentadoria.

STF inicia cerco contra internautas que o atacam – O ministro Alexandre de Moraes, do STF, ordenou buscas em endereços de São Paulo e Alagoas, numa tentativa de identificar autores de ataques que têm sido feitos à Corte. Em outra decisão, foram decretadas medidas para bloquear contas na internet que incitam o ódio contra o Supremo.

Alerj dá posse a deputados em Bangu 8 – A Assembleia do Rio empossou cinco deputados presos preventivamente desde novembro. André Corrêa (DEM), Luiz Martins (PDT), Marcos Abrahão (Avante) e Marcus Vinícius Neskau (PTB) assinaram o termo de posse em Bangu 8. Chiquinho da Mangueira (PSC), em prisão domiciliar, cumpriu ritual em casa.

Estadão

Prisão ocorre com Lava Jato acuada – Após sofrer reveses desde o início do ano, Lava Jato passa recado, com a prisão de Temer, de que tem trabalho a fazer e, de acordo com os investigadores, o foco da operação ainda é a classe política.

Reforma de militar é mais branda que a do INSS – As mudanças nas regras de previdência dos militares são mais brandas do que aquelas propostas para trabalhadores civis da iniciativa privada e do setor público. O projeto contraria promessa do governo de que a reforma traria igualdade entre os regimes de aposentadorias e pensões. Os militares argumentam que a profissão tem peculiaridades, como ausência de FGTS e hora extra. Além disso, eles têm de estar sempre disponíveis.

Criticado, Maia ameaça deixar articulação da Previdência – Rodrigo Maia avisou ontem ao ministro da Economia, Paulo Guedes, que deixará a articulação política da reforma da Previdência. O presidente da Câmara está irritado com a ofensiva contra ele nas redes – agravada por post de Carlos Bolsonaro com críticas –, com a falta de articulação do Planalto e com a tentativa de Sérgio Moro de impor a tramitação do pacote anticrime. “Se acham que sou a velha política, estou fora”, disse a Guedes.

‘Sínodo vai analisar padre casado para a Amazônia’ – A falta de padres na Amazônia leva a Igreja Católica a analisar a ordenação de homens casados como sacerdotes. A ideia será discutida em outubro na Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Amazônia. “Os bispos votam. Mas a decisão é do papa”, diz dom Cláudio Hummes ao Estado.

Folha 

Falta de clima político para votar Previdência se acentua – A falta de clima para a votação da reforma da Previdência cresce a cada dia, e o desgaste do presidente Jair Bolsonaro chegou a seu partido. O PSL não se considera da base de apoio. “Não damos palpites. Não temos ministério”, disse o líder da sigla, deputado Delegado Waldir. Congressistas têm criticado a falta de diálogo do governo com os líderes partidários antes de enviar projetos considerados polêmicos. O cenário se agravou com a proposta da Previdência para os militares, que incluiu benefícios, e com a prisão do ex-presidente Michel Temer. A declaração do presidente, de que a causa da prisão foram acordos pela governabilidade, repercutiu mal entre os deputados.

Represas paulistas terão plano de ação para emergências – As represas Guarapiranga e Billings, em SP, passarão a ter plano de ação para situações de emergência. As barragens são de baixo risco, mas de dano potencial alto, mesma classificação da que se rompeu em Brumadinho (MG).

Correio

Prisão de Temer derruba a bolsa e eleva dólar – Ibovesba, principal índice da bolsa, sofreu forte recuo e encerrou a sessão em queda de 1,43%, aos 96.729 pontos. Moeda americana fechou o dia cotada a R$ 3,803, com alta de 0,93%.

Caso envolve usina nuclear de Angra 3 – Delação do dono da Engevix, José Antunes Sobrinho, sobre propina no complexo nuclear e supostos desvios na Eletronuclear foram determinantes para prisão de Temer.

Nas Entrelinhas – Em pânico, políticos sem mandato temem agora uma onda de prisões.

Brasília-DF – Aliados de Rodrigo Maia vão usar caso Temer para desgastar Moro.

Previdência de militar trava trabalho da CCJ – O relator da reforma na Câmara só será definido depois que o ministro Paulo Guedes explicar o projeto das Forças Armadas aos parlamentares. Tramitação da PEC pode atrasar.

Incentivos para atrair e ampliar negócios no DF – Depois de acerto com empresa aérea para movimentar o turismo, GDF fecha acordo com gigante do setor farmacêutico. Com benefícios e isenções, 300 empregos devem ser abertos na ampliação de fábrica no Polo JK.

O hotel do pesadelo – Invasores voltam a circular em áreas próximas ao Torre Palace, desocupado pela polícia em 2016. Grupos sem-teto e usuários de droga já circulam pelo local, preocupando hóspedes, trabalhadores e empresários do setor.

Dia da Água: entre riscos e preservação – Projetos de sucesso, como as agroflorestas de Sobradinho, tentam barrar as ameaças ao recurso natural, como a falta de saneamento no país.

Prosul será frente contra a esquerda – Presidentes de Brasil, Chile e Colômbia lideram, em Santiago, a criação de bloco em substituição à Unasul, com isolamento maior da Venezuela.

Valor

MPF estima desvio de R$ 1,8 bilhão – O ex-presidente Michel Temer responde a dez inquéritos na primeira instância da Justiça. Temer é apontado como líder de uma organização criminosa que movimentou, segundo o Ministério Público Federal, R$ 1,8 bilhão em valores prometidos, pagos ou desviados durante 40 anos.

Mercado reage com apreensão a mais uma crise – As prisões do ex-presidente Michel Temer e do ex-ministro Moreira Franco surpreenderam investidores e derrubaram os preços dos principais ativos locais.

Papa enfrenta conservadores do Vaticano – O papa Francisco tem enfrentado adversários internos que atacam sua agenda reformista. Involuntariamente, seu principal antagonista é seu antecessor, o papa emérito Bento XVI.

Ações concretas – À frente dos negócios da família, que incluem empresas como Electrolux, Ericsson, Astra Zeneca e Saab, Marcus Wallenberg diz que agenda de Bolsonaro é “amigável”, mas tem que sair do papel.

Crescimento decepciona na América Latina – As três maiores economias da América Latina – Brasil, México e Argentina – tiveram desempenhos decepcionantes no ano passado. O Produto Interno Bruto cresceu 1,1% no Brasil e 2% no México, índices inferiores aos esperados. Na Argentina, segundo dados divulgados ontem, o PIB caiu 2,5%.

Caixa pode lucrar R$ 1 bi com Petrobras – A venda de ações da Petrobras que pertencem à Caixa deve movimentar cerca de R$ 9,4 bilhões e render ao banco estatal um lucro de mais de R$ 1 bilhão. A operação também deverá ter impacto positivo de mais de R$ 1 bilhão no patrimônio líquido da instituição financeira.

Outras notícias 

O Globo

Desembargador deve decidir nesta sexta-feira HC de Temer – O desembargador Antônio Ivan Athié, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), deve decidir nesta sexta-feira sobre o pedido de habeas corpus do ex-presidente Michel Temer , preso ontem na Operação Lava-Jato por determinação do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio. Para o advogado Thiago Machado, um dos defensores do ex-presidente, a prisão do emedebista é um abuso de direito.

Reação de bolsonaristas à prisão de Temer amplia descompasso com Congresso – A prisão preventiva do ex-presidente Michel Temer foi efusivamente comemorada pelos bolsonaristas no Congresso. Líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir, classificou a notícia como “maravilhosa”. Seu par no Senado, Major Olímpio, festejou dizendo que “o Brasil está mudando realmente”. O próprio presidente Jair Bolsonaro seguiu a mesma linha ao desembarcar em Santiago: “A Justiça nasceu para todos”, pontuou. As falas são como ecos das redes sociais — as mesmas que levaram à ascensão do bolsonarismo. Mas evidenciam, e devem ampliar, o fosso que separa o governo do parlamento. Na Câmara e no Senado, congressistas dos grandes partidos, de todos os espectros ideológicos, reagiram com cautela à prisão preventiva de um ex-presidente da República. Em linhas gerais, a dúvida era quais razões teriam ensejado a medida. Caciques de seus partidos, rivais históricos e outrora adversários de Temer, o senador tucano Tasso Jereissati e o petista Jaques Wagner deram o tom, saindo em defesa da votação da proposta que tipifica o abuso de autoridade.

Mourão sugere que ‘daqui a pouco’ Temer pode ser solto – Questionado na tarde desta quinta-feira se a prisão do ex-presidente Michel Temer pode atrapalhar a tramitação da reforma da Previdência no Congresso, o presidente em exercício, Hamilton Mourão, levantou a possibilidade de o emedebista ser solto “daqui a pouco” por decisão de “um ministro qualquer”, sem citar nomes. — Acho que não (atrapalha). Tem ruído, né? Vai ficar com esse ruído, mas vamos aguardar, né? Daqui a pouco pode ser que ele seja solto. Vamos esperar aí o que pode acontecer —declarou o vice-presidente, que assumiu o cargo temporariamente por conta da viagem do presidente Jair Bolsonaro ao Chile, nesta tarde.

Em dezembro, PGR disse que prisão do coronel Lima não era necessária – prisão do coronel João Baptista Lima , apontado como operador financeiro do presidente Michel Temer (MDB), abre mais um foco de divergências entre a Lava-Jato de primeira instância e a procuradora-geral da República Raquel Dodge . Em dezembro, ao concluir o inquérito dos Portos, Dodge afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que considerava não haver necessidade da prisão preventiva do coronel Lima, contrariando na ocasião o pedido inicial da Polícia Federal. Dodge se manifestou da seguinte forma: “Deixa de requerer a prisão preventiva de JOÃO BAPTISTA LIMA FILHO e CARLOS ALBERTO COSTA, em que pese a representação da autoridade policial, por não vislumbrar a presença, por enquanto, dos requisitos legais previstos no art. 312 do Código de Processo Penal”. A manifestação foi apresentada em conjunto com a denúncia protocolada contra Temer, por corrupção e lavagem de dinheiro, no caso dos Portos.

Damares se diz ‘muito assustada’ com situação dos quilombos no Brasil – Em reunião em Brasília nesta quinta-feira (21), a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, se disse “muito assustada” com o atraso na titulação dos territórios quilombolas. A ministra recebeu 15 lideranças para discutir pontos como o direito a terras e a proteção do governo aos quilombos. O encontro seguiu recomendação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, vinculada à ONU, depois de audiência com a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) na Bolívia, em fevereiro. Segundo a Conaq, mais de 3.200 territórios estão certificados pela Fundação Cultural Palmares, mas apenas 42 foram titulados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) — esse número se refere a titulações federais, enquanto outros foram executados por órgão estaduais, totalizando 154. Ainda de acordo com o órgão, mais de 1.700 territórios estão no meio do processo. Só com o trâmite completo ficam asseguradas as proteções legais disponíveis às comunidades descendentes de escravos.

Estadão 

Post de Carlos Bolsonaro irrita Rodrigo Maia – Um post do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), na manhã desta quinta-feira, 21, fez o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), explodir quando já estava irritado ao saber da prisão de seu sogro, o ex-ministro de Minas e Energia Moreira Franco. Maia procurou interlocutores no governo que alertaram o presidente Jair Bolsonaro de que era preciso conter Carlos sob o risco de o deputado abandonar a articulação para aprovação da reforma da Previdência. O texto acompanhava nota de Moro, divulgada na noite de quarta-feira, 20, rebatendo ataques de Maia à insistência em apressar a tramitação do projeto. “O povo brasileiro não aguenta mais”, afirmou Moro. No Instagram, Carlos lançou uma dúvida: “Por que o presidente da Câmara está tão nervoso?”

Sem controle – No sábado, em um churrasco na casa de Maia, um interlocutor também já havia dito a Bolsonaro que ou ele dava “um basta” na guerra pelas redes sociais ou a situação ficaria complicada para o governo. O recado foi o de que até mesmo ele poderia ser considerado avalista das agressões virtuais. Bolsonaro respondeu que não tinha como controlar seus milhões de seguidores.

Cinco ex-governadores do Rio já foram presos – Com a prisão de Wellington Moreira Franco (MDB), todos os ex-governadores vivos do Rio eleitos desde a redemocratização estão presos ou passaram pela cadeia. Dos ex-chefes do Executivo estadual eleitos após 1985, só ficam fora da lista Leonel Brizola (PDT), morto em 2004, e Marcello Alencar (PSDB), que morreu em 2014. Há também uma coincidência partidária: todos os detidos ou ex-detidos são ou foram do MDB/PMDB, que exerceu o poder no Rio de 1987 a 1991 e de 2003 a 2018. Integram o partido os três presos – além de Moreira, Sérgio Cabral Filho e Luiz Fernando Pezão – e foram filiados Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho. Estes chegaram a ser encarcerados, mas foram soltos. Todas as prisões ocorreram nos últimos três anos. Outros dois ex-governadores, ainda vivos – Nilo Batista (PDT) e Benedita da Silva (PT) -, não passaram pelo cárcere, mas não foram eleitos para o cargo. Eram vice-governadores, que assumiram o Palácio Guanabara após a renúncia dos titulares. Exerceram o poder por poucos meses, encerrando mandatos de outros políticos. Os ex-governadores que estão presos ou passaram pela prisão chefiaram o governo estadual por cerca de 19 anos.

Com Temer no governo negócios do amigo cresceram – A Operação Lava Jato indica que os negócios da Argeplan, empresa de João Baptista Lima Filho, o Coronel Lima, amigo e suposto operador financeiro de Michel Temer, seria usada para receber propinas e que os negócios da firma cresceram conforme o ex-presidente ocupava cargos públicos. No pedido de prisão, o Ministério Público Federal montou um quadro que mostra que a Argeplan nos anos de 1992 e 1993, por exemplo, mais que quadruplicou o número de contratos com a Polícia Militar no Estado de São Paulo. Destaca-se que nesse período, “Michel Temer era Secretário de Segurança Pública do Estado e Coronel Lima era seu assessor na Pasta”. Temer foi secretário da Segurança de São Paulo nesse período e entre 1983 e 1984. Antes, foi procurador-geral do Estado de São Paulo (1983 a 1984). A Lava Jato destacou o grande número de contratos e negócios com órgãos públicos da Argeplan e sua estrutura modesta. A Argeplan foi usada para suposto recebimento de propinas nos contratos da Usina de Angre 3, via empresa AF Consulting do Brasil, aberta para se associal à AF Consult LTD, multinacional que executou serviços na obra.”É inexplicável o fato de uma empresa finlandesa de renome do mercado mundial, a AF Consult LTD, ter se associado à Argeplan, responsável pela construção de estações de metrô e pequenas obras, em 2009, assumindo uma empresa de papel: a Enprima.” No pedido de prisão, a Lava Jato reuniu todos os negócios da Argeplan informado pela própria empresa.

Estrago institucional pode afetar a reforma – Qualquer que seja a decisão sobre o recurso do ex-presidente Michel Temer, o sentimento no mundo político é de que o estrago institucional já foi feito pela Lava Jato. Se a prisão for revogada nas cortes superiores, ficará a impressão de que os “traidores do povo” outra vez serão os altos magistrados em conluio com a “velha política” e, assim, a escalada da crise seguirá turbinada. Por isso, enquanto bolsonaristas comemoravam as prisões, líderes avaliavam não haver mais clima favorável para a reforma da Previdência e o pacote de Sérgio Moro. Além de uma bancada ainda relevante, o MDB possuiu parlamentares influentes no Congresso e Temer, que já presidiu a Câmara e o País, mantém bom trânsito em várias bancadas. Um líder observa que nem mesmo Sérgio Moro teve coragem de deter o ex-presidente Lula em prisão preventiva. O petista só foi para o cárcere depois da condenação em segunda instância. Dentro do MDB, a sensação ontem era de que o partido sai ainda mais desgastado do episódio, mas, se os bolsonaristas continuarem comemorando as prisões, poderão também perder com a operação autorizada por Marcelo Bretas. Correm o risco de machucar o único parlamentar capaz de levar adiante a reforma da Previdência hoje na Câmara: Rodrigo Maia, genro de Moreira Franco. “A prisão de Temer pode até atrapalhar a reforma da Previdência , mas mostra que a Lava Jato é apartidária e a Justiça é para todos”, diz o deputado Vinícius Poit (Novo-SP). (Coluna do Estadão)

Troca – Antes da prisão de Temer já estava em curso um movimento de renovação no MDB. O ex-senador Romero Jucá anunciou à Executiva expandida que não tentará a reeleição na presidência do partido. Não houve grande comoção. Na reunião dos emedebistas, o governador do DF, Ibaneis Rocha, fez um duro discurso dizendo que o partido precisava se renovar. Pediu ainda a expulsão de Eduardo Cunha e Geddel Vieira Lima, ambos presos na Lava Jato, de quem ele teria “vergonha” de ser correligionário. Nem todos receberam bem as duras palavras contra os dois emedebistas presos. Um participante chegou a se levantar e dizer que a tal nova política havia acabado de cair 15 pontos – em referência à queda de Bolsonaro na pesquisa Ibope divulgada anteontem. Ibaneis, o ex-deputado Daniel Vilela (GO) e o governador Helder Barbalho (PA) são apontados como alternativa. Uma ala tenta emplacar a senadora Simone Tebet (MS), mas tem resistido à ideia. (Coluna do Estadão)

Matou no peito – Diante da dificuldade na articulação do governo para aprovar a reforma da Previdência, o presidente da CCJ da Câmara, Felipe Francischini (PSL-PR) decidiu assumir o desgaste e adiar o anúncio de quem será o relator do PEC para a próxima semana. O projeto da reforma do militares, que desagradou até ao líder do PSL na Casa, Delegado Waldir, foi a gota d’água. Francishini mandou mensagens para os deputados da comissão na madrugada de ontem avisando que não havia “clima” para a indicação. (Coluna do Estadão)

Folha

Temer vivia momentos de amargura antes de ser preso – Michel Temer vivia momentos de amargura antes de ser preso. Relativamente isolado depois de deixar o cargo, o ex-presidente gastava parte do tempo devorando jornais. E reclamando que o atual governo e a mídia não davam a ele os devidos créditos pelo que considerava coisas boas que fez ao país. O próprio ex-ministro Moreira Franco (MDB-RJ), que foi preso também na quinta (21), aconselhava Temer a relaxar mais. Dizia que ele tinha que virar a página e se desapegar do tempo em que foi presidente. O ex-presidente estava também distante de alguns de seus melhores amigos, de quem se afastou quando comandava o país. (Mônica Bergamo)

Prisão de Temer agrava atrito institucional – Para políticos e magistrados, a prisão de Michel Temer esgarçou ainda mais o tecido institucional do país. A decretação do encarceramento preventivo —sem julgamento, portanto— sinalizaria não só um ataque à “velha política” como também um chamado a novo embate entre cortes superiores e Lava Jato. Amigos do emedebista duvidam da capacidade emocional do ex-presidente de resistir ao processo. Litúrgico, ele não teria estofo para lidar com a detenção e o cerco a familiares, como a filha. (Painel)

Cai o rei de ouros – A prisão de Moreira Franco, o ex-ministro de Temer que é casado com a sogra do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), formou rápido e sólido cordão de solidariedade em torno do democrata. Aliados de Maia demonstraram profunda irritação com a reação de bolsonaristas nas redes, decretaram o fim da reforma da Previdência, prometeram retomar o projeto que pune o abuso de autoridade e adiaram a saída de Brasília. (Painel)

Vara da infância – Postagem feita por Carlos Bolsonaro após a prisão de Temer e Moreira foi vista como uma afronta ao presidente da Câmara. Ministros foram avisados de que o estrago havia sido grande e houve cobrança para uma intervenção definitiva de Jair Bolsonaro sobre os filhos. (Painel)

Caiu do salto – A líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP), foi alvo da bancada do MDB. Ela fez postagens comemorando a detenção de Temer. O ex-presidente não é respeitado apenas no próprio partido, mas também por muitos dirigentes do centrão. (Painel)

Diz quem manda – A quem o visitou nesta quinta (21) na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, o ex-presidente Lula afirmou que a prisão de Michel Temer teve como objetivo “restabelecer o projeto de poder da Lava Jato”. A avaliação do petista é a de que, golpeada pelas recentes decisões do Supremo Tribunal Federal, a Lava Jato quis dar uma demonstração pública de força. Ele considerou a prisão de Temer um ato “fora da lei”. (Painel)

‘É uma barbaridade’, disse Temer – O ex-presidente Michel Temer (MDB) disse se tratar de “uma barbaridade” o cumprimento do mandado de prisão expedido contra ele pelo juiz federal Marcelo Bretas, da força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro, na manhã desta quinta-feira (21). A declaração foi dada por telefone ao jornalista Kennedy Alencar, segundo ele próprio relatou ao vivo na rádio CBN. “Eu telefonei para o presidente Michel Temer, ele atendeu, diretamente, e perguntei o que estava acontecendo. Ele disse que estava na companhia de policiais federais”, disse o jornalista à rádio. Alencar também confirmou com o ex-presidente que o mandado de prisão foi expedido pelo juiz federal Marcelo Bretas, e que Temer estava a caminho do aeroporto de Guarulhos. “‘É uma barbaridade’ foi como ele reagiu à prisão”, disse o jornalista ao vivo.

Após repercussão negativa, Bolsonaro apaga vídeo – Após ter causado polêmica nas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro apagou vídeo com conteúdo obsceno que havia divulgado durante o Carnaval. Ele também retirou pergunta sobre o que era “golden shower”, práticas sexual exibida nas imagens e que define o fetiche de urinar na frente de um parceiro ou sobre ele. A publicação, que foi criticada tanto pela cúpula militar como por líderes partidários, foi apagada de sua conta oficial do Twitter sem explicações oficiais do Palácio do Planalto. Na terça-feira (19), a defesa dos dois homens retratados no vídeo ingressaram com pedido de mandado de segurança no STF (Supremo Tribunal Federal) requerendo a exclusão das imagens da conta do presidente. Em caráter reservado, assessores presidenciais afirmam que o vídeo foi excluído pelo presidente no dia 7 de março, devido à repercussão negativa do episódio, inclusive na imprensa estrangeira. Procurado pela Folha, o Palácio do Planalto não quis comentar oficialmente. A data de exclusão, contudo, é contestada por amigos dos homens expostos. Segundo eles, o vídeo ainda não havia sido apagado da conta oficial do presidente na segunda-feira (18).

Alvo de operação do Supremo fazia ameaças a Toffoli e Moro – A operação do STF (Supremo Tribunal Federal) contra ataques feitos aos integrantes da corte nas redes sociais teve como alvo um advogado em Alagoas que publicou ameaças ao presidente do colegiado, Dias Toffoli, e ao ministro da Justiça, Sergio Moro. A polícia apreendeu nesta quinta-feira (21) equipamentos de Adriano Argolo, identificado como autor de postagens incitando a violência contra essas autoridades. Ele é investigado por crime contra a segurança nacional e incitação ao crime contra pessoa com deficiência. O advogado publicou mensagens ofensivas a um dos irmãos de Toffoli, que tem síndrome de Down. O segundo alvo da ação foi um guarda civil de Indaiatuba (SP). Ele divulgou mensagens que acusavam ministros do Supremo de receberem milhões de reais em esquemas de corrupção. À TV Gazeta, Argolo negou ser autor dos ataques. “Essas postagens que me mostraram, não fui eu. Não foi a minha pessoa que escreveu. As contas foram clonadas”, afirmou.

Nem com reza brava – O presidente da CCJ, deputado Felipe Francischini (PSL-PR), ainda não conseguiu encontrar um colega disposto a relatar a reforma da Previdência na comissão. Ele sondou pelo menos cinco parlamentares, mas todos foram reticentes. Há receio de a proposta emperrar já no colegiado. (Painel)

Falta de clima político para votar reforma da Previdência se acentua – A falta de clima político para a votação da reforma da Previdência na Câmara fica cada dia mais acentuada. Após a chegada da proposta que muda a regra de aposentadoria dos militares, que deveria destravar o andamento do processo, a crise de articulação apenas se agravou. O PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, diz não se considerar da base de apoio ao governo. Partidos adiaram a escolha de relator para a proposta e a prisão, nesta quinta-feira (21), do ex-presidente Michel Temer (MDB) colocou combustível na já tensa relação entre Executivo e Legislativo. Nos bastidores do Congresso, a insurreição contra o governo atingiu, nesta semana, nível que surpreendeu até políticos com anos de experiência.

Arrecadação federal tem recorde em fevereiro – A arrecadação federal teve forte alta e bateu recorde em fevereiro deste ano. O resultado do mês registrou alta de 5,36% acima da inflação, se comparado com o mesmo período de 2018. O saldo ficou em R$ 115 bilhões, informou a Receita Federal nesta quinta-feira (21). O número é o melhor registrado na série histórica, com dados desde 1995.

Correio

Proposta de militares adia escolha de relator na CCJ – Até a última quarta-feira, o principal entrave para o andamento da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6/2019, que muda as regras para os civis, era a falta de projeto que também cobrasse a “cota de sacrifício” dos militares. Mas, em vez de ajudar, o texto entregue na quarta-feira dificulta a aprovação. Com contrapartidas expressivas em troca dos poucos ajustes propostos para a categoria — bem mais suaves do que os sugeridos para os demais trabalhadores —, o projeto recebeu ataques de deputados de todos os partidos, do PT ao PSL, passando pelo Centrão. Um dos grandes críticos tem sido o líder do partido de Bolsonaro na Câmara, Delegado Waldir (PSL-GO), que cobrou um posicionamento da equipe econômica sobre o texto que definiu como “um abacaxi”. As lideranças partidárias entraram em acordo para adiar a definição do relator da PEC na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), marcada para ontem, “até que o governo, por meio do Ministério da Economia, apresente esclarecimentos sobre a reforma e a reestruturação dos militares”.

Guerra de blindagens – A prisão do ex-presidente Michel Temer acendeu o alerta na Câmara. Para aliados do governo, a ala do Centrão mais próxima do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), vai tentar empurrar a culpa para o ministro da Justiça, Sérgio Moro. O ex-juiz é amigo do titular da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, Marcelo Bretas, que autorizou a prisão do emedebista. O embate recente entre Maia e Moro em torno da tramitação do pacote anticrime leva parlamentares a crer, ainda que timidamente, que os mais fiéis ao demista, sobretudo deputados do DEM e do MDB, vão empurrar narrativas nos bastidores para desgastar o ministro. Para se anteciparem a uma possível fritura do ministro, deputados da Frente Parlamentar da Segurança Pública estão se mobilizando para atuar nas redes sociais e blindar Moro. A dúvida dos parlamentares é como calibrar a defesa nas mídias, sem criar atritos e demais ruídos com os outros deputados. Afinal, buscam o bom relacionamento para aprovar a reforma da Previdência. A dúvida é como lidar com o MDB na equação. A leitura na Câmara é de que o MDB vai trabalhar para se blindar e negociar com o governo a sobrevida do partido na Esplanada, após a prisão de Temer. A continuidade de emedebistas no governo, que ocupam cargos de baixo escalão e o Ministério da Cidadania, pode provocar atrito com a bancada do PSL e acalorar o embate entre a “velha e a nova política”. Esse, por sinal, é o entendimento feito por parlamentares ao explicarem a queda de ontem da Bolsa de Valores de São Paulo, de 1,34%. (Brasília-DF)

Xô, foro – A prisão de Temer promete reacender o debate pela aprovação do projeto que põe fim ao foro privilegiado. A proposta de emenda à Constituição (PEC) que trata do tema foi aprovada em comissão especial em dezembro e pode ser votada no plenário da Câmara. O texto conta com requerimento de urgência. Basta Rodrigo Maia pautar. Pressão não faltará. “Vamos pressionar para acabar com esse cobertor de corruptos, que é o foro privilegiado”, diz o líder do Podemos na Casa, José Nelto (GO). (Brasília-DF)

Incômodo no STF – A tentativa do juiz federal Marcelo Bretas de evitar que o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, seja o relator de possíveis recursos contra a prisão do ex-presidente Michel Temer incomodou integrantes da Corte. Em sua decisão, Bretas argumenta que o caso não tem relação com a Operação Calicute, que prendeu o ex-governador do Rio Sérgio Cabral e que tem Mendes como relator no STF. O alerta foi interpretado como uma espécie de “vacina”. Mendes já concedeu habeas corpus a diversos ex-integrantes do governo fluminense que foram alvo da investigação ou de ações derivadas, entre eles Sérgio Cortês e Hudson Braga, ex-secretários de Sérgio Cabral. Ministros da Corte ouvidos pelo Estadão/Broadcast, em caráter reservado, observaram que a definição sobre o responsável por julgar uma eventual contestação da prisão de Temer no Supremo é o próprio tribunal. E consideraram uma provocação esse trecho do despacho de Bretas.

O cárcere do presidente – Por ter ocupado a Presidência, e em razão disso, ter sido chefe das Forças Armadas, Temer tem direito a uma cela especial. Ele chegou por volta das 18h40 da noite de ontem na Superintendência da PF, no Rio. Inicialmente, o juiz Marcelo Bretas determinou que a prisão temporária fosse cumprida na Unidade Prisional Especial da PM, em Niterói. No entanto, houve um pedido da defesa para que ele ficasse na PF. O magistrado aceitou a solicitação, em isonomia ao caso do ex-presidente Lula. Quando o emedebista chegou ao prédio da corporação, a sala ainda estava sendo preparada para ele.

Repercussão – No Chile, o presidente Jair Bolsonaro lavou as mãos em relação à prisão de seu antecessor: “A Justiça nasceu para todos e cada um que responda pelos seus atos”, disse, para completar: “Governabilidade você não faz com esse tipo de acordo, no meu entender. Você faz indicando pessoas sérias, competentes para integrar seu governo. É assim que fiz no meu governo, sem acordo político, respeitando a Câmara e o Senado brasileiro”. No Congresso, as reações foram contraditórias: os políticos ligados a Bolsonaro comemoraram a prisão, enquanto os aliados de Temer criticaram o juiz Bretas: “O MDB lamenta a postura açodada da Justiça à revelia do andamento de um inquérito em que foi demonstrado que não há irregularidade por parte do ex-presidente da República Michel Temer e do ex-ministro Moreira Franco. O MDB espera que a Justiça restabeleça as liberdades individuais, a presunção de inocência, o direito ao contraditório e o direito de defesa”. Nos bastidores do Judiciário, considerada desnecessária, a prisão preventiva de Temer é apontada como mais um capítulo da queda de braço da força-tarefa da Lava-Jato com o Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os criminalistas, a avaliação é de que haverá uma onda de prisões dos políticos investigados que perderam o mandato, sendo o MDB a bola da vez. Como Temer responde a outros processos, inclusive em São Paulo, caso o seu habeas corpus seja aceito pelo TRF-2, é previsível que seja preso novamente por decisão da Justiça Federal de São Paulo, no processo do porto de Santos. Outros políticos sem mandato do MDB estão sendo investigados, como o atual presidente da legenda, Romero Jucá (RR), o ex-presidente do Senado Eunício de Oliveira (CE) e o ex-ministro da Casa Civil Eliseu Padilha. (Nas entrelinhas)

Visita de Gilmar Mendes – Rodrigo Maia e o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes estavam juntos na residência oficial da Câmara dos Deputados no momento em que o ex-presidente Michel Temer (MDB) e o ex-ministro Moreira Franco (MDB) foram presos. O ministro saiu da casa de Maia às 10h40. O encontro entre os dois não estava previsto na agenda do presidente da Câmara, nem na de Gilmar Mendes. Temer recebeu voz de prisão em São Paulo quando saía de sua residência — antes de Mendes sair da casa de Maia.

Valor 

MPF pede mudança em edital da Norte-Sul – O leilão da Ferrovia Norte-Sul, marcado para dia 28 deste mês, corre o risco de ir parar na Justiça se não forem ajustados certos pontos do edital de concessão, como o direito de passagem em outras duas ferrovias que estão nas pontas para chegar aos portos do norte do país e de Santos.

Ibaneis se oferece para comandar renovação no MDB – A prisão do ex-presidente Michel Temer e do ex-ministro Moreira Franco, dois dos mais importantes caciques do MDB, vai acelerar o processo de renovação que o partido busca desde o péssimo resultado nas eleições de 2018, no qual perdeu poder em todas as esferas, avaliam integrantes da sigla. Nas discussões, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, surge como favorito para comandar o MDB a partir de setembro.

Congresso prepara envio de novo recado a Bolsonaro – Insatisfeitos com a articulação do governo, parlamentares que poderiam ingressar na base aliada do presidente Jair Bolsonaro planejam enviar um novo recado ao governo na próxima semana, com o objetivo de acelerar a liberação de emendas e indicações para cargos da União nos Estados. O grupo pretende impor derrota ao governo, por meio da aprovação de um decreto legislativo para derrubar o decreto presidencial que dispensa de visto turistas dos Estados Unidos, Austrália, Canadá e Japão.

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