Lava Jato/RJ: MPF denuncia sete por crimes em transações com pedras preciosas – Claudio Tognolli

O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro denunciou sete pessoas por crimes em transações com pedras preciosas, resultado da Operação Marakata, deflagrada no mês passado. Os denunciados são Marcello Luiz Santos de Araújo, Daisy Balassana Tsezanas, Neli Azevedo, Jilva Silva Diniz, José Valcenir Pequeno, Pedro Luiz dos Santos e Dario Messer, conhecido como o “doleiro dos doleiros”. De 2011 até os dias atuais, a organização criminosa praticou crimes de evasão de divisas, contrabando, falsidade documental e sonegação fiscal, bem como a lavagem dos recursos financeiros auferidos desses crimes. As investigações apontam que a quadrilha movimentou R$ 176 milhões. Além da condenação pelos crimes cometidos, o MPF requer ainda o confisco desse valor das contas dos acusados para futuras reparações dos danos causados.

A investigação foi um trabalho conjunto entre o MPF, a Polícia Federal (PF) e a Receita Federal, que revelou a atuação da organização criminosa no Rio de Janeiro e na Bahia em um esquema de comércio ilegal de esmeraldas e outras pedras preciosas e semipreciosas envolvendo evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Entre 2011 e 2017, há registros de que as transações desse esquema em duas contas internacionais movimentaram cerca de US$ 44 milhões.

No dia da deflagração da operação, foi apreendida mais de meia tonelada de esmeraldas em estado bruto na VLC Impex, de responsabilidade dos denunciados José Valdecir, Jilva Diniz e Pedro Luis.

A Operação Marakata é um desdobramento da Câmbio, desligo, que revelou a capilaridade da rede de negócios de Dario Messer, o “doleiro dos doleiros”, cujo sistema paralelo de compensações conciliava interesses de clientes de doleiros distintos (transações eram feitas fora do alcance de autoridades, a fim de lavar rendimentos da corrupção, sonegação fiscal e outros crimes). O sistema foi exposto a partir da colaboração de dois doleiros que movimentaram mais de US$ 1,6 bilhão em contas de três mil offshores em 52 países.

Os denunciados Marcello Luiz Santos de Araujo e Daisy Balassa Tsezanas são os sócios-administradores da Comércio de Pedras O S Ledo, e trabalhavam comprando esmeraldas e outras pedras de garimpos na Bahia e as exportavam para empresários indianos usando notas fiscais e invoices falsos.

Negociante de pedras preciosas e semipreciosas, a O S Ledo fornecia dólares no exterior para as operações de compensação paralela que vieram a público na Operação Câmbio, desligo. Os dólares provinham de pagamentos “por fora” com a exportação de esmeraldas e outras pedras para empresas, principalmente da Índia e de Hong Kong (como Golden Whell Impex, Gloria International Trading, Gemoro, Kge Rough Gems, Precious Gems, Akar Gems, Beads Paradise e Unique Gems). Parte dos valores era internalizado no país pelo sistema de dólar-cabo invertido e usado para pagamentos em reais, também “por fora”, aos garimpeiros e atravessadores com os quais a O S Ledo negociava as pedras no mercado nacional.

error:
0