Jornalista da Folha, imersa na caravana do sul, diz que Lula sofreu “atentado” facilitado pela PM | Claudio Tognolli
Ato pela reforma agrária em Quedas do Iguaçu, no Paraná. Foto: Ricardo Stuckert

Relato de uma jornalista presente no ônibus da caravana de Lula que foi alvejado por tiros na noite de ontem mostram que a Polícia Militar do Paraná não acompanhou o deslocamento da comitiva, apesar da escalada de violência e perseguição contra o ex-presidente. Descaso facilitou a ação dos criminosos.

Segundo Eleonora Lucena, jornalista com mais de 40 anos de carreira, em um determinado momento os policiais chegaram a passar pela caravana, mas não pararam. Eleonora ocupou por duas décadas o cargo de chefe de redação do matutino.

“Foi um atentado. A escalada fascista subiu mais um degrau. Grupos ultradireitistas não enxergam limites. Ovos, pedras, projéteis, chicotes. São milícias armadas que planejam atentados. Como as gangues que precederam as SS nazista. O mesmo modus operandi terrorista.

Vi isso num crescendo nos últimos dias. Adeptos de Bolsonaro, ruralistas, pessoas violentas que berram e xingam. Eu mesma levei uma ovada na cabeça no sábado só por estar saindo do hotel onde estava hospedado Lula. “Lincha, é comunista”, ouvi em algum momento.

O país precisa reagir. O atentado não foi só contra Lula. O projétil foi contra a democracia. Democratas precisam aprender com a história e formar já uma frente ampla contra o fascismo.”

Por outro lado, Raul Jungmann, ministro da Segurança Pública, afirmou que a Polícia Federal não irá investigar o atentado a tiros que atingiu dois ônibus da caravana do ex-presidente Lula na noite de ontem.

O ministro disse que, porque o crime não foi federal, cabe às autoridades estaduais atuar. “Caberá à investigação estabelecer se foi ou não (um atentado político)”, disse

Jungmann também condenou confrontos entre militantes petistas e anti-lulistas. Jornalistas foram agredidos no trajeto por seguranças do ex-presidente. “Não podemos admitir confrontos, isso é absolutamente democrático, e é preciso ter respeito.”

As informações são de reportagem de Felipe Frazão no Estado de S.Paulo.

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