JBS (JBSS3) é acionada na Justiça por ex-donos do Mataboi, diz jornal | Claudio Tognolli
JBS (JBSS3) foi acionada na Justiça pelos ex-controladores do Mataboi, que podem cobrar mais de R$ 1 bilhão no processo. O motivo? A empresa valia muito mais do que o pago quando vendida à gigante do segmento de carnes. As informações são da coluna “Broadcast” do jornal O Estado de S.Paulo, publicadas neste domingo (8).

 

 

 

A alegação dos ex-donos do Mataboi diz que a JBS teria conseguido vencer a concorrência no processo de compra em função dos benefícios obtidos junto ao governo, em detrimento de frigoríficos menores.

família Dorazio, antiga controladora do Mataboi, se baseia nas declarações feitas por Wesley e Joesley Batista, em delação premiada que se tornou pública em 2017. Segundo a família, em razão das “vantagens” da JBS, não só o Mataboi, mas outros frigoríficos foram levados a uma situação de quase falência.

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Após isso, as companhias lideradas pelos irmaõs Batista e a JBS conseguiram comprá-las por valores supostamente abaixo do considerado justo.

R$ 1 bilhão: diferença entre o valor do Mataboi e o preço pago pela JBS

Segundo o “Broadcast”, a família Dorazio pede na Justiça a diferença entre o valor que o Mataboi valeria se a JBS não tivesse “interferido ilegalmente no mercado”, e o efetivamente pago pela companhia. O valor não consta no documento entregue na Justiça, porém, players do mercado de carnes calculam que o número ultrapassaria a marca de R$ 1 bilhão.

 

 

O processo aberto pelos ex-donos do Mataboi não contesta a venda em si, fechada em 2014 para a JBJ, de José Batista Júnior, o mais velho dos irmãos Batista e também conhecido como Júnior Friboi. A multinacional diz que Júnior Friboi não tem qualquer relação com a empresa desde 2013.

No entanto, no documento entregue à Justiça, os representantes da família Dorazio rejeitam a ideia de que a JBJ e a JBS são empresas distintas. Esse é o argumento que a companhia de Júnior Friboi tem utilizado em discussões com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que reprovou a aquisição em 2017.

 

 

A autarquia afirmou que a JBS não poderia adquirir novos frigoríficos em mercados nos quais controla entre 30% e 50% e exigiu que o negócio fosse desfeito. Por enquanto, todavia, o Mataboi segue nas mãos da JBJ.

No processo em posse da Justiça, os advogados do Mataboi disseram que “as práticas ilegais que permitiram à JBS aniquilar os concorrentes, foram várias e ferozes”. Ele menciona, por exemplo, “o acesso a financiamentos e a capitalizações de bancos e fundos de pensão estatais em condições e volumes que não se ofereciam aos demais agentes do mercado”.

 

 

 

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