Japão identifica nova variante do coronavírus em viajantes do Brasil | Claudio Tognolli

Deutsche Welle

Pessoas de máscaras no aeroporto internacional de Tóquio, no JapãoOs quatro passageiros infectados com a nova cepa chegaram ao aeroporto de Tóquio em 2 de janeiro

O governo do Japão anunciou neste domingo (10/01) que detectou em seu território uma nova variante do coronavírus, em quatro viajantes que vieram do Brasil.

Os quatro passageiros estavam no Amazonas e desembarcaram no aeroporto internacional de Tóquio em 2 de janeiro. Segundo informou o Ministério da Saúde japonês, eles testaram positivo para o vírus após passar um tempo em quarentena no aeroporto.

Citado pela agência de notícias Kyodo News, o chefe do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas do Japão, Takaji Wakita, disse que a variante é diferente das que foram identificadas no Reino Unido e na África do Sul, que já estão se espalhando por outros países.

O instituto japonês afirmou que, por enquanto, ainda não há evidências de que a nova cepa detectada nos viajantes do Brasil seja mais infecciosa, como se observou nas variantes britânica e sul-africana.

Entre os quatro passageiros, um homem na faixa de 40 anos foi hospitalizado com dificuldade para respirar. Uma mulher em torno dos 30 anos teve dores de cabeça e garganta, enquanto um adolescente desenvolveu febre. A quarta passageira, uma adolescente, não apresentou sintomas, disse o ministério japonês.

O portal G1 informou que procurou o Ministério da Saúde brasileiro, e que este respondeu, por meio de sua assessoria de imprensa, que ainda está verificando as infecções registradas no Japão.

Também segundo o G1, até este domingo o Amazonas não havia casos confirmados das novas variantes. O estado enfrenta atualmente uma onda gravíssima de infecções, com a capital, Manaus, vivendo um novo colapso em seu sistema de saúde.

Ao todo, o Amazonas soma quase 213 mil casos de covid-19 e mais de 5.600 mortes ligadas à doença. A taxa de mortalidade por grupo de 100 mil habitantes no estado é atualmente de 136,8 – a terceira mais alta do país, ficando atrás somente do Rio de Janeiro e do Distrito Federal.

Variante britânica no Japão

O Ministério da Saúde japonês também informou neste domingo que detectou mais três casos de infecção pela variante do Reino Unido em seu território.

No final de dezembro, o Japão suspendeu temporariamente a entrada de cidadãos estrangeiros até o fim de janeiro, após registrar casos de infectados com as novas cepas britânica e sul-africana.

Nesta semana, em meio ao agravamento da epidemia em algumas regiões do país, o primeiro-ministro Yoshihide Suga declarou estado de emergência de um mês de duração em Tóquio e nos municípios vizinhos de Chiba, Kanagawa e Saitama.

No mesmo dia em que o estado de emergência entrou em vigor, na sexta-feira, o Japão registrou um recorde de casos diários de covid-19, com 7.711 novas infecções detectadas em 24 horas, sendo 2.392 somente em Tóquio.

Vacina eficaz contra mutações?

Segundo o governo japonês, estudos serão realizados para confirmar se as vacinas já desenvolvidas contra a covid-19 são eficazes também contra a nova variante que infectou os viajantes do Brasil.

Um estudo preliminar divulgado nesta semana sugeriu que a vacina da Pfizer-Biontech pode proteger contra a mutação encontrada nas duas variantes altamente contagiosas surgidas no Reino Unido e na África do Sul.

O estudo foi realizado por pesquisadores da farmacêutica americana Pfizer em parceria com a Universidade do Texas. Entretanto, ainda não foi revisto por especialistas, uma etapa fundamental do processo científico.

A pesquisa também indicou que a vacina funciona contra outras 15 possíveis mutações do vírus, mas a E484K, também presente na cepa descoberta na África do Sul, não foi testada ainda.

Primeira a ser autorizada para uso na União Europeia, a vacina da Pfizer-Biontech já foi também aprovada nos Estados Unidos, Reino Unido, Arábia Saudita e ao menos 19 outros países.

A vacina da farmacêutica americana Moderna, que já foi aprovada para uso nos EUA, na União Europeia e no Reino Unido, também está sendo submetida a testes semelhantes contra mutações, assim como as de outros laboratórios.

Os vírus passam por pequenas transformações enquanto se espalham de pessoa para pessoa. Os cientistas utilizam essas modificações para rastrear a forma como o coronavírus se espalhou pelo mundo, desde a sua descoberta na China, há cerca de um ano.

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