Isolado, Guedes reclama, mas diz que segue no governo

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Apesar de isolado, Guedes ainda quer seguir no governo e lutar por pauta liberal (Crédito: Marcos Corrêa/PR)

Descontente com os rumos que a economia ganhou no governo Bolsonaro, cada vez mais afastada da agenda liberal prometida na campanha, o ministro da Economia, Paulo Guedes, não poupou críticas aos aliados governistas que não apoiam as reformas.

Em entrevista ao Estadão, o ministro comentou que sempre houve fogo amigo no Plantão e que essas pessoas não se empenham em desarmar o que ele considera como narrativas destrutivas.

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“Eu cometi um erro. Sabem qual foi? Dividi com vocês essas metas todas que eu tinha e a oposição a essas mudanças importantes, dentro e fora do governo, rapidamente descredenciava os projetos mais ambiciosos. Os oposicionistas, que sempre foram contra as reformas, ganhavam uma força adicional de gente de dentro. Sempre houve fogo amigo, sempre há e sempre haverá”, disse o ministro.

Ele apontou, inclusive, que a “engrenagem” armada nas eleições, entre liberais e conservadores, “não girou”, e que o governo sequer conseguiu avançar com as reformas consideradas necessárias. “Essa aliança não conseguiu nem implementar as propostas dos conservadores, porque os liberais têm valores um pouco diferentes, nem as reformas liberais, porque às vezes têm fogo amigo dos conservadores”, indicou Guedes.

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PEC Kamikaze
Nesta segunda-feira (7), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu a inclusão de sua assinatura entre os parlamentares que apoiam a PEC dos Combustíveis, tida como mais um rojão orçamentário pela equipe de Guedes. Proposta por Carlos Fávaro (PSD-MT), o texto quer a redução de tributos sobre os preços do diesel, biodiesel, gás e energia elétrica entre 2022 e 2023. Além disso, a proposta pede um auxílio-diesel de até R$ 1,2 mil por mês aos caminhoneiros autônomos.

A conta em isenções ficais (e por isso o temor da equipe de Guedes) pode chegar a mais de R$ 100 bilhões e já é apelidada de PEC Kamikaze ou PEC da Irresponsabilidade Fiscal.

Dentro do governo e na ala do fogo amigo de Guedes, se discute a possibilidade de ampliar o auxílio-gás, subsídio pago a 5,5 milhões de famílias com 50% do valor do botijão, para 100% do valor. A benfeitoria ainda pode incluir todas as famílias do Auxilio Brasil, agora em cerca de 17,5 milhões de famílias.

Tudo isso custeado pelo Estado brasileiro fora do Teto de Gastos.

Uma PEC semelhante circula na Câmara, proposta por Cristiano Áureo (PP-RJ), aliado de primeira hora do ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira – crítico ao trabalho de Guedes no governo. Apesar de mais simples, o texto pode gerar um impacto entre R$ 54 bilhões e R$ 75 bilhões com as desonerações de tributos sobre combustíveis.

De acordo com a Folha de São Paulo, o texto foi redigido a muitas mãos na Casa Civil e desagradou Paulo Guedes.

Ministro diz que segue no governo
Nesta semana Guedes teria dito a interlocutores que segue no governo enquanto o PT for uma força viável contra o bolsonarismo. Além disso, ele acredita que precisa de mais um mandato para consolidar a agenda econômica.

Segundo o jornal O Globo, Guedes manifestou esse desejo, mas tudo depende da costura política que vai apoiar Bolsonaro em sua reeleição. O centrão e ala política do governo, por outro lado, já não contam com o ministro em um eventual novo mandato.

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