Imprensa europeia destaca extremismo e golpismo em atos bolsonaristas | Claudio Tognolli

Deutsche Welle

 

Apoiadores de Jair Bolsonaro em cima de um veículo militar em ato de Sete de Setembro em Brasília“Todos aqui estão convencidos de que a elite brasileira se uniu num complô contra Bolsonaro e ‘o povo'”, diz site alemão

As manifestações do Sete de Setembro e os discursos do presidente Jair Bolsonaro perante apoiadores, nesta terça-feira (07/09), repercutiram também na Europa.

Na Alemanha, o site de notícias Tagesschau observou que os manifestantes acreditam em teorias da conspiração. Apoiadores de Bolsonaro declararam aos jornalistas alemães que existe uma ameaça comunista global, que o ex-presidente americano Donald Trump teve a eleição roubada e que a esquerda brasileira cooptou a chanceler federal alemã, Angela Merkel.

“Quem fala com Ayrton de Souza é forçosamente lançado num outro mundo”, inicia a reportagem do Tagesschau, mencionando um apoiador de Bolsonaro que “estava sentado numa cadeira dobrável de cor laranja no gramado seco diante do Congresso Federal”, em Brasília.

“Trump teve a eleição roubada. Agora eles tentam fazer o mesmo com Bolsonaro”, declara o entrevistado aos jornalistas alemães, que observam que ele não sabe dizer quem seriam “eles”.

“Todos aqui estão convencidos de que a elite brasileira se uniu num complô contra Bolsonaro e ‘o povo'”, afirma a reportagem, para mais adiante citar o mesmo Ayrton de Souza, desta vez afirmando que a esquerda brasileira cooptou Angela Merkel. “A chefe de governo alemã estaria unida a forças comunistas”, diz a reportagem.

“Fuzilados num paredão”

Na Inglaterra, o jornal The Guardian destacou as visões extremistas dos apoiadores de Bolsonaro. O correspondente do diário britânico ouviu de manifestantes que quem se opõe ao projeto de Bolsonaro para o Brasil deveria ser fuzilado num paredão.

“André Meneses faz o sinal de uma arma com as mãos para expressar o que ele acha que deveria acontecer àqueles que se opõem ao projeto de Jair Bolsonaro para o Brasil”, escreve o jornal britânico, mencionando um apoiador do presidente em Brasília.

“Eles são traidores, traidores do Brasil”, diz o bolsonarista, segundo o jornal. “Se eu fosse o presidente faria isso. E dormiria muito bem depois, entendeu? Espero que você coloque isso no seu jornal.”

“Encurralado, à beira do abismo”

Na França, o jornal Le Monde destacou os pedidos de golpe de Estado pelos manifestantes e escreveu que Bolsonaro conseguiu uma ampla mobilização e elevou um pouco mais as ameaças à democracia brasileira.

“Em meio a ameaças de golpe, dezenas de milhares de manifestantes marcharam em defesa do presidente brasileiro”, diz o jornal parisiense.

O correspondente lembra que Bolsonaro está enfraquecido por “uma impopularidade recorde, vários inquéritos judiciais e crises repetidas”.

“Dizem que ele está encurralado, cambaleando. À beira do abismo, enfraquecido por uma impopularidade recorde, vários inquéritos judiciais e crises repetidas. Mas talvez o tenham enterrado um pouco cedo demais. Apesar de todas as dificuldades, Jair Bolsonaro conseguiu mobilizar em massa seus apoiadores nas ruas do Brasil por ocasião do dia da independência”, escreve o jornal.

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