HOMICÍDIOS BESTIAIS COMO O DO CARREFOUR TÊM DE DESPERTAR NOSSO MAIS VEEMENTE REPÚDIO, QUALQUER QUE SEJA O PERFIL DA VÍTIMA: Por Celso Lungaretti | Claudio Tognolli
Como revolucionário que sou desde os 17 anos e como jornalista desde os 22, sempre detestei o maniqueísmo e as versões panfletárias dos acontecimentos, provenham de que lado provierem, o deles ou o nosso
Por quê? Simples. Porque revolucionários existem para despertar a consciência dos explorados e oprimidos, não para manipulá-los de maneira diferente da manipulação que sofrem da classe dominante, ou seja, fazendo quase a mesma coisa com os sinais trocados. 
 
Se os explicarmos da maneira correta, na grande maioria desses acontecimentos as mazelas da exploração do homem pelo homem são o motivo último. 
 
Então, para que exagerá-los, analisando-os de forma tendenciosa e estereotipada? É uma distorção desnecessária e que, ademais, nos sujeita ao risco de sermos desmentidos e perdermos nossa credibilidade.  
 
Vide o chocante assassinato de João Alberto Silveira Freitas pelos capangas do Carrefour. Elio Gaspari acertou em cheio na sua coluna dominical:

Desigualdade não explica esse tipo de assassinato. Eles são produto da demofobia, onde o racismo tem um papel funcional, pois a cor identifica as pessoas sem direitos.

Percebe-se claramente que as bestas-feras foram tomadas de fúria desmedida por ele ter reagido com um mísero soco, como quem atinge um gigante com uma pedrada de estilingue e recebe de volta uma rajada de metralhadora.
 
Então, por ele ser negro, ou pobre, ou ambosaqueles ferrabrases sentiram-se à vontade para descarregarem no Beto todas as suas frustrações de indivíduos medíocres e perdedores das batalhas da vida, relegados a uma função que muitos cidadãos teriam vergonha de desempenhar. 
 
Agora, ficaremos nessa guerrilha virtual de interpretações polarizadas e mutuamente excludentes, uns vendo racismo demais no episódio e outros fingindo que não houve racismo nenhum.
 
E o principal acaba sendo escamoteado, embora devêssemos, pelo menos nós da esquerda, proclamá-lo em alto e bom som, ao invés de priorizarmos a capitalização de efemérides:


Nenhum ser humano, seja negro ou branco, homem ou mulher, gay ou hetero, rico ou pobre, esquerdista ou direitista, compatriota ou estrangeiro, merece ser massacrado e exterminado como aquelas imagens dantescas nos mostraram. 

 
Se perdermos isto de vista, nos igualaremos àqueles que tanto desprezamos. Temos a obrigação de ser melhores do que eles! (por Celso Lungaretti)
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