Historiador, professor da Universidade de Stanford e escritor Niall Ferguson afirma que os EUA estão à beira de uma nova guerra fria com a China – Claudio Tognolli

O historiador, professor da Universidade de Stanford e escritor Niall Ferguson afirma que os EUA estão à beira de uma nova guerra fria com a China. Segundo Niall, Inteligência artificial e computação quântica serão as novas “armas nucleares” de uma possível guerra fria que começa a se desenhar no horizonte. Ele diz: “o embate nem mesmo foi iniciado pelo presidente [dos EUA] Donald Trump”.

Em entrevista ao jornal Valor, Niall Ferguson fala sobre como se desenha esse novo formato de guerra fria, em que redes sociais e plataformas digitais ditam as regras. 

Sobre a tensão entre os países, ele diz: “tenho usado a palavra guerra, mas acho, na verdade, que é um termo errado. De qualquer maneira, é o termo do momento. As guerras comercial, cambial e de informações são sintomas de um conflito mais amplo entre os Estados Unidos e a China, com participação da Rússia. Isso é um novo desenvolvimento. Porque realmente desde que Henry Kissinger foi a Pequim em 1971 a relação entre os EUA e a China passou a ir em uma direção de cooperação e coevolução ao ponto de dez anos atrás eu ter falado sobre a “Chimérica”, um tipo de fusão entre China e América, o que no campo econômico ainda acontece. Mas agora estamos entrando em um novo período em que a relação EUA e China está se deteriorando. E isso não é apenas por causa da eleição de Trump. É também porque as políticas chinesas têm alienado virtudes americanas e aspectos de liderança internacional.”

Niall entende que a iminência de uma guerra fria é total, dados os fatos concretos que vão se acumulando no horizonte geopolítico, desde hostilidades veladas, até retaliações explícitas: “seria muito difícil de replicar a guerra fria original porque China e EUA são muito interligados, enquanto que a União Soviética era completamente separada. China e os EUA estão conectados, nas universidades americanas há estudantes chineses, investidores chineses estão fortemente presentes na economia americana, chineses são proprietários de imóveis em Nova York, é difícil ter uma guerra fria quando as pessoas estão tão interconectadas. Então acho que qualquer escalada do conflito além da guerra comercial e da guerra de informação será diferente da guerra fria original. No momento estamos no campo da guerra comercial e da guerra cibernética. E é bem possível que a luta por hegemonia vá ser decidida sem uma guerra de verdade. Os EUA e a União Soviética nunca foram à guerra diretamente. E no fim a União Soviética colapsou sob pressões econômicas e por causa de fraquezas internas.”

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