Greve na Argentina pode deixar moinhos brasileiros sem trigo para produzir farinha | Claudio Tognolli

Reuters

As importações de trigo pelo Brasil estão em queda em dezembro por efeito da greve de trabalhadores dos portos na Argentina, principal fornecedor do cereal ao país.

Já há preocupação relacionada à oferta para alguns moinhos, que podem ficar sem a matéria-prima da farinha, informou o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Rubens Barbosa.

Segundo ele, a entidade estima que existem cerca de dez navios aguardando o fim da greve na Argentina para carregar trigo comprado pelo Brasil. Depois de carregado, um navio que parte da Argentina leva quatro dias para chegar em solo brasileiro.

As atividades portuárias e de processamento de grãos da Argentina vêm sendo afetadas desde 9 de dezembro, quando dois sindicatos de trabalhadores e um de técnicos portuários iniciaram uma greve simultânea por reivindicações salariais.

“Com a greve, é claro que não está havendo embarque de trigo argentino para o Brasil. Os desembarques se reduziram. Se a greve não terminar a curto prazo alguns moinhos no sul e centro-sul vão ter dificuldade para produção de farinha”

Rubens Barbosa, presidente da Abitrigo

A importação de trigo pelo Brasil deverá cair mais de 50% em dezembro ante o volume adquirido no mesmo mês de 2019. Até a quarta semana deste mês, as compras de trigo e centeio pelo Brasil haviam atingido cerca de 237 mil toneladas, ante 650 mil toneladas em dezembro completo de 2019, conforme o Ministério da Economia.

Dos dois produtos, quase a totalidade geralmente se refere a trigo. Caso a média de desembarques se mantenha em 13,16 mil toneladas ao dia, o Brasil não chegará a 300 mil toneladas adquiridas no acumulado do mês, considerando que há somente mais quatro dias úteis para entradas da commodity.

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