Governo libanês teria sido alertado sobre risco de explosão | Claudio Tognolli

Deutsche Welle

Equipes de resgate nos destroços do porto de BeiruteEquipes de resgate nos destroços do porto de Beirute

De acordo com informações da agência de notícias Reuters, especialistas em segurança alertaram em julho o governo libanês sobre o risco de uma potencial explosão devastadora no porto de Beirute.

Na semana passada, 2.750 toneladas de nitrato de amônio que estavam armazenadas irregularmente há seis anos em um armazém no porto voaram pelos ares, destruindo bairros inteiros de Beirute e deixando 300 mil pessoas desabrigadas. Mais de 200 pessoas morreram e 6 mil ficaram feridas.

Segundo documentos divulgados pela agência, a explosão não deveria ter sido uma supresa. A reportagem da Reuters se baseou em uma inspeção iniciada em janeiro pela Direção Geral de Segurança do Estado, órgão responsável pela supervisão da segurança portuária. O documento da inspeção faz menção a uma carta envidada em 20 de julho para o premiê, Hassan Diab, que renunciou na segunda-feira, e o presidente Michel Aoun.

A Reuters não teve acesso à carta, mas fontes ouvidas pela reportagem apontam que ela abordava o risco representado pelos estoques de nitrato de amônio.

De acordo com um membro do departamento ouvido pela agência, o documento apontava que o produto químico deveria ser protegido imediatamente. “Havia o risco de que o material, se fosse roubado, pudesse ser usado para ataques terroristas”, disse a pessoa envolvida na redação da carta e que não quis ser identificada. “Eu avisei que, se explodisse, isso poderia destruir Beirute.”

Os gabinetes do primeiro-ministro e do chefe de Estado não responderam à carta. O Ministério Público do país também não quis comentar.

Após dias de protestos, o premiê Diab anunciou sua renúncia na segunda-feira, mas permanece no cargo por enquanto. Manifestantes em Beirute responsabilizam seu governo pelo desastre, encarando a explosão como mais um episódio que explicita a incompetência da elite libanesa, responsabilizada pela crise econômica e social que já castigava o país.

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