Impávido, o general Hamilton Mourão, candidato a vice na chapa de Bolsonaro, ameaçou o país com um golpe militar se Lula for candidato. A afirmação foi feita em entrevista ao jornal Valor Econômico. Ele afirmou que o país quase teve um golpe militar  durante a greve dos caminhoneiros: “A manifestações dos caminhoneiros chegou quase no limite”. O general passou à reserva em março, dois meses antes da greve. Ele voltou a elogiar o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra que comandou o principal centro de torturas no regime militar, o DOI-CODI de São Paulo.

Valor: A greve dos caminhoneiros justificaria a intervenção?

Mourão: A manifestações dos caminhoneiros chegou quase no limite. As Forças Armadas tiveram que ser empregadas para desobstruir as rodovias e foi um trabalho feito de forma contencioso. Não tivemos quase nenhum incidente [O caminhoneiro José Batistela morreu durante a greve, depois de levar uma pedrada]. O governo demorou a reconhecer o problema.

Valor: Em que caso justificaria?

 Mourão: Os casos mais prementes são de leis, da Ficha Limpa, o PT tentando impor de todas as formas a candidatura [de Lula] que pode ensejar em razão das leis existentes… Se por acaso uma coisa dessas levar a uma revolta popular, é necessário que haja controle disso aí, senão vamos para a barbárie.

Valor: O senhor está dizendo que se a candidatura Lula vingar vai levar o país a uma situação de caos?

Mourão: Nem raciocino com a candidatura Lula. Essa é uma questão interna do PT. Lula candidato é uma coisa que está correndo nas redes sociais. Se Lula pode ser candidato, então Fernandinho Beira-Mar pode, Marcola pode… Ressalvadas as devidas diferenças.

Valor: O senhor diz que é contra tortura, mas elogia Brilhante Ustra (1932-2015), reconhecido pela Justiça como torturador

Mourão: Quem acusou Ustra como torturador não apresentou nenhuma prova. Ele comandou o DOI de São Paulo, principal elemento do desbaratamento das organizações subversivas. Ustra foi meu comandante quando eu era tenente, por dois anos. Me ensinou muito no começo da minha vida militar. É um homem justo, um líder, estava presente em todas as atividades no nosso quartel. É um dos homens que tenho como exemplo para a vida. Ele passou quase 30 anos sendo atacado. Costumo dizer que Ustra é a “Geni”. Quando está tudo calmo aí, arruma alguma coisa do Ustra e ataca pedra nele.

Leia a entrevista aqui.

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