Funeral de George Floyd reúne centenas em Minnesota | Claudio Tognolli

Deutsche Welle

Reverendo Al Sharpton“O que aconteceu com Floyd acontece todos os dias neste país”, disse o reverendo Al Sharpton durante cerimônia

Centenas de pessoas participaram de um cerimônia fúnebre em Minneapolis, no estado americano de Minnesota, nesta quinta-feira (04/06) em homenagem a George Floyd, homem negro que foi morto quanto estava sob custódia policial. Elas ficaram em silêncio por 8 minutos e 46 segundos, o tempo em que Floyd ficou deitado no chão, tendo o pescoço prensado pelo joelho de um policial branco. Floyd morreu pouco depois, quando era levado para um hospital.

“O que aconteceu com Floyd acontece todos os dias neste país, na educação, no serviço de saúde e em qualquer área da vida nos Estados Unidos. É hora de nos levantarmos em nome de Floyd e dizer: tirem o seu joelho dos nossos pescoços”, afirmou o reverendo e ativista pelos direitos civis Al Sharpton durante o funeral.

Na mesma cerimônia, o advogado da família de Floyd, Ben Crump, disse que Floyd foi morto pela “pandemia do racismo e da discriminação”. “Não foi a pandemia do novo coronavírus que matou George Floyd, foi a pandemia, muito familiar nos Estados Unidos, do racismo e da discriminação que matou George Floyd”, afirmou Crump.

Também no estado de Minnesota, um juiz do tribunal do condado de Hennepin determinou nesta quinta-feira uma fiança de 750 mil dólares aos três policiais que observaram Floyd ser sufocado pelo quarto policial, Derek Chauvin, durante quase nove minutos.

Os policiais Tou Thao, J. Alexander Kueng e Thomas Lane também foram presos e acusados de colaboração em assassinato em segundo grau, crime do qual Chauvin é acusado depois de ter a acusação endurecida.

Na noite desta quinta, os protestos pela morte de Floyd nos Estados Unidos foram predominantemente pacíficos, depois de vários dias seguidos de violência e confrontos entre manifestantes e forças de segurança. A mudança reflete a determinação expressada por muitos manifestantes de transformar os protestos num novo movimento em defesa dos direitos dos negros americanos.

Pelo décimo dia, manifestações foram realizadas em dezenas de cidades, incluindo Atlanta, Washington, Denver, Detroit e Los Angeles. Com o fim da violência, várias cidades cancelaram os toques de recolher noturnos.

Amigo afirma que Floyd não resistiu à prisão

Maurice Lester Hall, um amigo de Floyd que estava com ele no carro no momento da detenção, declarou nesta quinta-feira que a vítima não resistiu à prisão efetuada pela polícia de Minneapolis.

“Ele estava tentando desde o início, por humildade, mostrar que não estava resistindo de forma alguma”, disse o homem de 42 anos, em uma entrevista ao jornal The New York Times.

Hall, que tem três mandados judiciais por porte de armas de fogo, roubo e porte de drogas, deixou Minneapolis com destino a Houston (Texas), sem prestar depoimento na polícia dois dias após a morte do amigo porque, segundo o jornal, ele teria dado aos agentes um nome falso no dia do incidente.

Ele foi preso na última segunda-feira por agentes do Texas e libertado algumas horas depois, depois de ser interrogado por um policial de Minneapolis que tinha ido ao Texas com o objetivo de falar com ele.

O depoimento do homem poderia servir para identificar outras duas testemunhas importantes, um homem e uma mulher que também estavam no veículo durante a prisão de Floyd, embora Hall diga desconhecer o nome da mulher, segundo o NYT.

George Floyd, um afro-americano de 46 anos, morreu, em 25 de maio, depois de Chauvin ter lhe pressionado o pescoço com o joelho durante mais de 8 minutos numa operação de detenção, apesar de a vítima dizer que não conseguia respirar.

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