“Mas ele não sabe que o Ciro não passa no PT nem com reza brava?”. Foi assim que a reagiu a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), ao saber da hipótese sugerida pelo ex-governador Jaques Wagner sobre um eventual apoio ao candidato Ciro Gomes, do PDT.

Fernando Haddad peitou Gleisi. E defendeu diálogo com Ciro Gomes

Leia o depoimento na íntegra, extraído do Nocaute

Eu queria falar hoje com vocês um assunto que circulou pela grande imprensa e sempre causa um alvoroço.

Essa história de eu ser um integrante da comissão organizadora do programa de governo do Presidente Lula e as conversas que mantemos com outros partidos que têm candidatos à Presidência e muitas pessoas me perguntam como isso funciona. Como eu posso estar fazendo parte do programa de governo do Lula e fazer encontros com a Manuela, com o Boulos, com o Ciro.

O que eu queria dizer é que: funciona exatamente assim porque o Brasil não se esgota na eleição; primeiro que a eleição é realizada em dois turnos, então precisamos construir um programa com as bases programáticas comuns mais coincidentes possível, ou seja, se nós tivermos diretrizes estabelecidas desde já sobre como tirar o país da crise é um tanto melhor.

Pode ser que dê jogo no primeiro turno. O Flávio Dino do PCdoB falou que se o Lula for candidato vamos marchar todos com ele. Se o campo progressista estiver no segundo turno, certamente estaremos juntos, seja o Lula ou seja qualquer outro. E certamente teremos de estar juntos no terceiro turno que é o Governo.

Se nós ganharmos a eleição, teremos um trabalho enorme pela frente de corrigir uma quantidade de erros que foram cometidos ao longo desses últimos anos que tiraram o povo trabalhador, a mulher, o negro do centro do debate e fazê-los voltar pro centro do debate para que a gente tenha um país mais justo, mais fraterno, com desenvolvimento inclusivo, com a perspectiva de inserir o país no concerto das nações uma vez que ele foi alijado de qualquer processo tanto na América do sul, quanto na América latina, mas no mundo em geral o Brasil está totalmente alijado das negociações bilaterais e multilaterais que estão acontecendo.

Então nós precisamos pensar grande, e pensar grande é pensar o Governo. Pensar o nosso Governo que vai pôr as coisas no seu devido eixo. E essa construção tem que ser desde já. Nós temos um primeiro turno, um segundo turno e um Governo pela frente.

Eu estou bastante otimista de que nós possamos construir uma plataforma comum. Não será idêntica, porque não é possível justificar duas ou mais candidaturas com propostas idênticas, elas precisam se diferenciar. Mas tanto quanto possível nós temos que ir construindo esse solo comum.

Portanto o papel de um integrante dessa comissão do plano de governo é: há um só tempo construir um plano de governo que tenha a cara do Lula, e nós conversamos longamente, desde a minha indicação em janeiro até as vésperas de sua prisão, sobre as diretrizes, sobre as molduras deste plano, e estou levando à frente debates internos com especialistas sempre pensando nas diretrizes que ele estabeleceu, do que seria seu terceiro mandato. E ele quer fazer um terceiro mandato mais ousado, mais arrojado do que os dois primeiro. Mas também por indicação do próprio Lula eu tenho que conversar com as demais forças políticas do nosso campo.

Nós temos a retomada do desenvolvimento que terá de ser levada com muita energia. Nós temos problemas sociais graves, não é só geração de emprego, são problemas no sentido de direitos sociais, direito à segurança, à educação, à saúde. Há o drama metropolitano que está acontecendo em São Paulo, acontecendo no Rio de Janeiro relativo à moradia, ao transporte público.

Não é um trabalho qualquer, não dá pra sair de um grupo de iluminados o plano de governo, ele tem que sair da base, mas também já pensando na interação com as forças políticas que têm pontos de vistas coincidentes. Não podemos exigir uma coincidência plena neste momento, mas precisamos ir construindo isso.

 

Então a conversa vai se manter por orientação do presidente. Há um cordão de solidariedade em torno do Lula muito grande, um respeito muito grande, que não é só nacional. Temos vistos centrais sindicais do mundo inteiro se solidarizando com o Lula, intelectuais em ação global. Tudo isso está acontecendo e paralelamente a isso nós precisamos trabalhar no plano de governo, não podemos nos descuidar dessa tarefa.

Lula livre sim, Lula candidato sim, Lula presidente sim, mas Lula com um Governo à altura do desafio que está colocado.

A interlocução tem de ser mantida, é uma orientação da nossa presidenta Gleisi, é orientação do Lula para que os canais de comunicação estejam desobstruídos. Há muita coincidência de visão de mundo que nós temos, é preciso aproveitar que o diagnóstico é muito parecido e usar a criatividade.

Em maio ou Junho eu vou começar a circular pelo país em busca de programas estaduais exitosos que possam ser nacionalizados com apoio federal e saber o que de bom aconteceu na Bahia com o Rui, o que de bom aconteceu no Maranhão com o Flávio Dino, com o Camilo no Ceará , com o Wellington em Piauí. Nós temos vários governadores que têm programas exitosos em seus estados. Por que não aproveitar isso pro plano de governo, inclusive para compatibilizar o plano federal com os planos estaduais progressistas? Não seria legal o Flávio Dino defendendo uma plataforma no Maranhão mesmo ele tendo uma candidata à presidente em sintonia com o nosso plano federal, ele no plano estadual, nós no plano federal?

Essa busca de sintonia hoje é um dever do campo progressista, então podemos confundir a manutenção do diálogo que tem que existir, sobretudo entre nós que pensamos um Brasil grande, generoso, fraterno.

Chapa, nome, quem será encabeçado não está em discussão, nós não temos nem mandato para isso. Enquanto estivermos fazendo o plano de governo é o plano de governo, estamos dialogando nessa direção, é pra isso que tem a direção partidária, tem o próprio Lula que agora consegue conversar com a Gleisi, conversar com o Jaques, estabelecendo os canais de comunicação na esfera da política no estrito senso, mas eles estão incubidos dessa tarefa. Enquanto que a nossa tarefa como coordenadores de uma ampla escuta social para formatar o plano de governo é de outra natureza, e aí o diálogo tem que ser o mais franco possível para que possamos construir as bases de um projeto sólido.

Vamos ter a compreensão dessas filigranas para que possamos compreender os processos que estamos envolvidos, e vamos respeitar, tem partido de centro-esquerda que vai querer ter candidato próprio, precisamos respeitar isso. Como o próprio Lula deixou claro no sindicato dos metalúrgicos que ele respeita os partidos que o apoiaram desde sempre e agora queiram seguir um caminho próprio.

Isso é normal da democracia. Os dois turnos são importantes por causa disso, mas se nós conseguirmos construir um campo comum, o Brasil vai ganhar e o Brasil precisa ganhar esse jogo porque tem muita coisa em risco em 2018.
É uma encruzilhada e precisamos dar a volta por cima.

Gostaria de deixar um convite para participar do plano de governo, mande pro Instituto Lula no Ipiranga suas sugestões, tem uma plataforma virtual que serve pra receber propostas. Vou me colocar à disposição e manter o diálogo com as demais forças progressistas. Vamos trabalhar e vamos vencer.

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