Ensaio: O novo bonapartismo brasileiro – Claudio Tognolli

Duas classes médias querem o PT fora: a antiga e a nova. A última, porque teve seu acesso ao consumo (com o clímax sob Lula) destruído sob Dilma.

Sobre a nova classe média brasileira, ex-aliada ao PT (antes de a conta de luz subir) Karl Marx teria muito a falar.

O retrato fiel da nova classe média brasileira sempre foi definido como bonapartismo.

O termo “bonapartismo” é classicamente empregado na obra O 18 de Brumário de Luís Bonaparte,  escrito entre dezembro de 1851 e março de 1852 , e publicado originalmente por Karl Marx na revista  Die Revolution.
Marx, chamado derrisoriamente pela sua mulher, Jenny, de The Old Nick ( o velho satanás) escreveu:

“A tradição de todas as gerações mortas pesa sobre o cérebro dos vivos como um pesadelo. E mesmo quando estes parecem ocupados a revolucionar-se, a si e às coisas, mesmo a criar algo de ainda não existente, é precisamente nestas épocas de crise revolucionária que esconjuram temerosamente em seu auxílio os espíritos do passado, tomam emprestados os seus nomes, as suas palavras de ordem de combate, a sua roupagem, para, com este disfarce de velhice venerável e esta linguagem emprestada, representar a nova cena da história universal”

Nosso espírito do passado é o bonapartismo brazuca.

Usado por FHC e Maria Victoria Benevides para definir Jânio Quadros, o termo “bonapartista” é uma referência a dois golpes de Estado: o de Napoleão Bonaparte em 1799, que descartou as conquistas republicanas da Revolução Francesa e instaurou um governo ditatorial, e o de seu sobrinho Luís Napoleão em 1851, quando era presidente da República proclamada em 1848.
O bonapartismo ocorre quando a autoridade do líder se articula a um partido de massas que intervém em todas as esferas da sociedade civil: sindicatos, associações patronais, grupos de jovens e de mulheres.
É o mundo sobre o qual o PT entesourou apoio.

A velha classe média

Vejamos Golbery do Couto e Silva, o bruxo da abertura política, com o seu “paper” intitulado “Sístoles e Diástoles da Política Brasileira”. Ele ressalta o papel da classe média brazuca como chave das mudanças políticas.
Para Golbery, o Brasil tem um condão único: quando o poder fica mais conservador que o povo, este opta por aberturas. Quando o  poder abre demais à esquerda, é fechado por golpes paterocinados pela sociedade civil mas não tão civilizada:  o tenentismo de Vargas era uma abertura face à política consaervadora do café com leite, retirada à forceps; Getúlio, por sua vez,  encastelou demais e teve de meter um balaço;  Jango abriu demais, foi fechado pelo Movimento de 1964; e este, por sua vez, fechou demais e teve de instalar a abertura lenta e gradual. Derrubaram Collor.
É essa velha classe média que vem comandando o inconformismo nas ruas.

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