Ensaio: Mitos e Narrativas Clínicas, por Dora Tognolli – Claudio Tognolli

Mitos e Narrativas Clínicas, Por Dora Tognolli

Tudo começa com uma história
Era uma vez um homem estrangeiro, foragido de um país distante e de regime muito fechado, que numa viagem ao Brasil encantou-se com o clima local e para cá fugiu. No novo país, adquiriu uma identidade, trabalho, amigos e saiu em busca de uma mulher com quem pudesse construir uma família. Depois de três tentativas – duas com mulheres de sua nação original, casou-se com uma moça local. Bem mais jovem, alegre, habitante de uma república de estudantes, mas sem profissão e sem dinheiro. Nosso personagem se encantou: ele, com estudos avançados, doutorado, uma empresa próspera, só precisava de uma mulher; ela, jovem, saudável, bonita, fértil, arrumava suas camisas por cor, tamanho, tempo de vida. Tiveram um varão. O nascimento do menino, tão esperado por ele, já um pouco idoso, foi uma catástrofe: pai e mãe começaram a se degladiar, enquanto o bebê chorava sem parar, diante de tantas brigas. A vida em família virou um inferno, mas nosso personagem a tudo suportava, em nome de manter a unidade familiar e não se separar do filho, sua maior conquista e único herdeiro da família no país estranho. Alertado por vizinhos, nosso personagem começa a suspeitar de um lado muito violento da mãe de seu filho: ela negava comida a ele, reservando apenas para si as guloseimas da casa; não respeitava seus horários de sono; e recusava-se a propiciar ao menino atividades grupais, mantendo-o em casa, só incentivando a ida à escola formal. O filho vai crescendo nesse ambiente, e quando completa 6 anos, o pai resolve se incumbir mais dele. Reduz sua jornada de trabalho fora de casa, para acompanhar o garoto: nos estudos, nas refeições, nas brincadeiras, na hora de dormir. A guerra entre os adultos da casa se intensifica: onde um está,o outro não está; os cômodos passam a ser trancados e o menino ou fica com o pai, ou com a mãe. Pai e filho adoecem: o menino, de anemia e doenças de baixa imunidade; o pai, com alergias e intoxicações constantes, a ponto de suspeitar que pode ser envenenado e morto pela mulher. Até que se lembra que sua mãe morreu muito cedo: quando ele tinha 6 anos, como seu rebento, mas que nunca foi descuidado nem maltratado. Criado por irmãs mais velhas, acabou cedo percebendo que estava sozinho no mundo, e de novo isso parecia estar se repetindo…”

Era uma vez uma menina muito triste, feia e tímida, que passou sua infância isolada, sem amigas, só fazendo deveres e respeitando ordens da família: boazinha e tristonha, mas com uma enorme capacidade de observação e crítica. Não brincava: só olhava as colegas brincarem; não brigava com seus irmãos: apenas dividiam a mesma casa; não era amada pelos pais: apenas cuidada. Na escola, as boas notas indicavam que seu destino seria estudar e muito. De família com poucas posses, estudou em universidade pública e lá galgou todos os degraus; só não virou professora, porque preferia a pesquisa nos laboratórios ao contato cansativo com outros humanos. Conheceu um homem parecido com ela: esforçado, honesto, disposto a casar e construir um lar, mas de poucas palavras, um tanto sisudo e não tão estudioso e inteligente. Firmaram um compromisso de casamento e tiveram filhos – só depois que nossa personagem retornou de uma viagem, sozinha, para aperfeiçoar seus estudos. Tudo ia bem, até que ela funda uma empresa com um grupo de colegas e começa a ter problemas de relacionamento: aponta todos os erros, controla tudo, e apesar de sua eficiência e produtividade, a empresa começa a rejeitá-la. Ela fica triste, desmotivada e quer saber o que se passa. Em suas noites, dorme enrolada em lençóis, como num casulo, e não deixa um espaço sequer livre. O que teme? O que pode atacá-la? Vem de dentro ou de fora? Do que se protege? Arredia, não gosta de falar de coisas muito emocionais: para quê? Afinal, somos o que somos, e o que importa é nosso bom caráter e honestidade…

M21 BORORO: ORIGEM DOS PORCOS DO MATO
“Todos os dias, os homens iam pescar e voltavam de mãos vazias. Chegavam à aldeia tristes, não só porque voltavam sem peixes, mas porque as mulheres faziam cara feia e os recebiam de modo grosseiro. Chegaram mesmo a desafiar os maridos. As mulheres anunciaram que iriam elas mesmas pescar. Mas, na verdade, elas apenas chamavam as ariranhas, que mergulhavam e pescavam para elas. As mulheres voltavam carregadas de peixes, e sempre que os homens tentavam uma desforra, não conseguiam nada.
Passado um certo tempo, os homens começaram a desconfiar. Mandaram um pássaro espionar as mulheres, e ele lhes contou tudo. No dia seguinte, os homens foram ao rio, chamaram as ariranhas e as estrangularam todas. Apenas uma escapou. Agora eram os homens que brigavam com as mulheres, que não pegavam mais nada. Por isso, elas resolveram se vingar. Ofereceram aos homens uma bebida feita de pequi, mas não haviam retirado os espinhos que envolvem o caroço. Os homens ficaram sufocados com os espinhos, que ficaram atravessados na garganta, e grunhiam ‘u,u,u,u’, e se transformaram em porcos-do-mato, que grunhem desse modo.”(1)

QUEM CONTA UM CONTO, AUMENTA UM PONTO

Estamos aqui diante de três narrativas: as duas primeiras correspondem a relatos de pacientes fictícios ou reais, não importa, e a terceira, a um mito Bororo, eleito por Lévi-Strauss, e como o autor, quando recolhe alguns mitos de referência para com eles estabelecer pontes com outros mitos, concordamos com a idéia de que todo mito é por natureza uma tradução, já que exige o transporte de sentidos entre culturas e sujeitos da narração. Será que é possível configurar um texto de outra forma, sem alterar sua mensagem?
As falas que acontecem no território de uma análise são de difícil reprodução e causam estranhamento. É praticamente impossível relatar uma sessão de análise, se o vértice adotado for da fidedignidade e da cientificidade. O analista, por mais que se esforce, efetua uma transcrição ou uma tradução das falas escutadas. E paradoxalmente precisa falar ou escrever, muito provavelmente para sustentar os conteúdos dos quais se torna porta-voz.
O paciente também estranha o que fala, em especial o que fala de seus primórdios, como se desconhecesse a linguagem que sustenta essa fala. Num processo psicanalítico, ocorre uma investigação até certo ponto ficcional, sobre o período difuso que é nossa infância, na qual nos reconhecemos. Muitos personagens (pai, mãe, irmãos, avós, vizinhos, tios) e lugares (escola vizinhança, escola, casas, cidades) nos soam agressivos e certas vezes perturbadores, retornando em vários momentos, e dessas recordações podemos emergir como sujeitos, num tempo e espaço presentes.
As três narrativas que abrem o texto são provenientes de sujeitos (clínica) ou grupos (relatos antropológicos). A maior diferença entre os dois tipos de produção, é que no caso do mito relatado pela Antropologia, existe um ponto final, um desfecho; e no caso das narrativas clínicas algum interrogante entra na narrativa, alterando em parte sua estrutura e melodia. No primeiro relato, identificado com a clave de Sol, a última frase, que aponta para um sujeito só no mundo, herói de uma história que se encontra em processo de construção, mostra uma abertura: ela é fruto de muitas sessões, embates e reflexões, e pode projetar, numa direção retroativa (do atual para o passado), uma outra compreensão sobre a história passada. No segundo relato, aqui identificado pela clave de Fá, a frase final encerra algumas questões: por que sou assim? Afinal, só honestidade e bom caráter dão conta da vida? E o afeto, onde se encontra? O que me toca?
Em relação à terceira narrativa, identificada pela clave de Dó, um dos mitos transcritos por Lévi-Strauss, estamos diante de uma verdade: como surgiram os porcos- do- mato e sua relação com os humanos. Um mito não se justifica, não se explica, mas se aceita: ou o indivíduo é parte da cultura onde o mito existe e o aceita, ou não é. No livro de Mircea Eliade (2), o mito é definido como uma história sagrada, que relata um acontecimento ocorrido num tempo primordial – o tempo do ‘princípio’. Consiste sempre na narrativa de uma criação: algo que foi produzido e começou a ser. Os mitos tratam de mudanças, de transformações, que tocam em perdas, que incluem o perder-se a si mesmo. Uma peculiaridade: os mitos não têm um autor; são transmitidos oralmente e nessa transmissão, acontecem transformações. O uso do pensamento mítico exige que suas propriedades se mantenham ocultas, e se alguém se arrisca a desmontar um mito, acaba por destruí-lo, até porque não acredita nele.
Analogamente, podemos afirmar que o sujeito da fala, bem como o sujeito do mito, não se dá conta da estrutura que nele opera: ele é falado pela fala. Nós, homens modernos somos tomados pela linguagem, assim como os homens primitivos são tomados pelos mitos(3).
Nos consultórios, comemoramos quando surge um mito: é um terreno narrativo, possível de ser trabalhado, se os dois sujeitos envolvidos, paciente e analista, assim pensarem. Sem histórias – ficcionais, exageradas, mentirosas, sombrias, o trabalho da Psicanálise torna-se árduo. Mesmo porque as histórias colocam em pauta uma outra cena, tema muito caro a Freud, no seu trabalho A Interpretação dos Sonhos (4). Cabe uma consideração: para os antropólogos, os mitos permitem o acesso ao sistema simbólico de outros povos, a eles estranhos, que, com sua criação, colocam ordem onde vigora o caos; tocam em temas complexos, como morte, sexualidade (diferença de gêneros, maturação biológica), diferenças entre os reinos humano e animal, separações – curiosamente, temas também que nos ocupam desde a infância. Nós, psicanalistas, pelo contrário, nutrimos, sim expectativas de mudanças, mas que nunca tornarão familiar e resolvido o estranhamento que a vida propõe o tempo todo (5).
Nos grupos estudados pelos antropólogos, ganha espaço o ritual: não basta conhecer um mito; é preciso recitá-lo e ritualizá-lo. Ao “viver” os mitos, assiste-se a uma saída do tempo profano, cronológico, e acontece o ingresso num tempo qualitativamente diferente, “sagrado”. Nossa sociedade guarda alguns rituais de iniciação ou de celebração de ocasiões marcantes, que têm um sentido simbólico fundamental, para os grupos e para seus integrantes.
Assim como nós, homens modernos, que atribuímos grande importância à História, o homem das sociedades arcaicas se percebe como resultado de diversos eventos míticos. A história narrada pelo mito constitui um conhecimento, em geral acompanhada de um poder mágico-religioso: conhecer a origem de um animal ou planta, equivale a adquirir um poder mágico sobre esses objetos, ou seja, dominá-los. No estudo de diversas tribos, fica claro que apenas o que é historicizado passa a fazer parte do universo das relações daquele grupo. Uma planta medicinal, um objeto cultural, um adereço, sempre carrega atrás de si uma história. Podemos aqui falar da necessidade de conhecer, entender, que os homens têm dentro de si, como algo fundador das culturas e dos grupos.

O TERRENO DO ESTRANGEIRO

Certa vez, conversando com uma antropóloga paulistana, que havia se instalado em Belém do Pará, em função de estudos no Museu Goeldi, tive oportunidade de ouvir uma narrativa curiosa, que aqui relato: ela conta que logo que chegou ao Estado, ficou um tempo em cidades distantes, bastante precárias. Foi acometida de dores de cabeça, que usualmente trataria com analgésicos, mas que não revertiam. Um colega seu recomenda que ela faça uso da sabedoria local. Ela resiste, mas como a dor de cabeça não cede, dirige-se a uma feiticeira famosa na região, para fazer uma consulta. Ouve dela que a sua dor de cabeça era fruto de uma rota equivocada, que incluía uma cacimba ou olho-d´água, fenômeno freqüente na localidade (as cacimbas são fontes de água, sagradas, e algumas são formadas pro água salobra). Ela deveria refazer o percurso por uma cacimba da forma indicada pela feiticeira, e depois sentar-se na casa onde estava alojada com a cadeira voltada para a porta, durante três dias. A antropóloga seguiu as prescrições, e independentemente de sua eficácia, se deu conta de que era essa a regra local. Muito mistério, pouco espaço para divagações científicas: estamos no território sagrado do mito e de seus ritos.
Diante desse exemplo, reproduzo um trecho de Ítalo Calvino (7), que pode ser de grande valia, na Antropologia e na Psicanálise:
“Não devemos ser apressados com os mitos; é melhor deixar que eles se depositem na memória, examinar pacientemente cada detalhe, meditar sobre seu significado sem nunca sair de sua linguagem imagística.”

LEMBRANÇAS, MEMÓRIAS, HISTÓRIAS, MITOS

No texto “Lembranças Encobridoras” (em inglês, ‘Screen memories’) de 1899 (7), que muitos autores consideram uma das primeiras produções psicanalíticas (em oposição aos escritos pré-psicanalíticos, que datam desse mesmo período), Freud traz à tona a idéia de que determinadas lembranças, recolhidas de um tempo da memória – produto mais subjetivo que cronológico, independentemente de seu conteúdo, têm como papel central introduzir outra cena, na narrativa. Mais do que lembranças de algo vivido de fato no passado, veiculam uma fantasia infantil – e é exatamente esse infantil que pode iluminar o atual, o presente.
Esse texto, anterior a 1900, coloca questões paradoxais: seria uma lembrança da infância usada como uma tela para encobrir um acontecimento presente? Ou um acontecimento anterior seria encoberto por uma lembrança mais atual? Essas questões trazem muitos problemas, inclusive o conceito de verdade, em contraposição ao conceito de realidade, e realidade psíquica. Mas deixam uma mensagem que até hoje se sustenta: que a matéria-prima da infância pode ser reutilizada, acionada pela situação atual e estabelecer pontes. As pontes de ligação – uma espécie de deslizar para as cenas infantis (ou se preferirmos, de transferir) seriam movimentadas pelo dispositivo da transferência. Segundo Freud, os traços mnêmicos oferecem-se à fantasia, como sua expressão. Neste ponto, quase que nos autorizamos a entender lembranças encobridoras como fantasias inconscientes, conceito seminal para os psicanalistas, que diz respeito a um elemento constitutivo do mundo interno: quase que uma forma. Citamos um trecho de Freud, extraído dessa obra:
“Ninguém contesta o fato de que as experiências dos primeiros anos de nossa infância deixam traços inerradicáveis nas profundezas de nossas mentes.”
A partir do trabalho mencionado, somos levados a concluir que a forma original é desconhecida e inacessível, e, segundo as palavras de Freud, “a matéria-prima dos traços mnêmicos de que a lembrança foi forjada permanece desconhecida para nós em sua forma original”.
Como os povos estudados por Lévi- Strauss e outros antropólogos, as narrativas recolhidas nas salas de análise trazem temas recorrentes- destaque especial para a morte e a sexualidade, temas esses sujeitos a recalque, que levam a esquecimentos, que por sua vez aparecem deslocados e transformados em narrativas aparentemente pouco relevantes. Na primeira narrativa, da clave de Sol, o tema da morte da mãe (perda precoce de um ente querido), que se desenrola para a perda do país, da identidade, e da eminente perda do filho, pauta o relato do nosso sujeito. Na segunda narrativa, da clave de Fá, talvez nos encontremos um pouco aquém: o sujeito da narrativa ainda não pode se apropriar de sua história, na medida em que não pode constituir um mundo interno. Talvez o caos pulsional, a instabilidade dos afetos tenha assustado precocemente a menina triste e frágil, que optou pelo mundo da ciência e da pro atividade corporativa.
Num dos últimos textos escritos por Freud, de 1937, intitulado Construções em Análise (8), o autor compara o trabalho analítico ao trabalho de um arqueólogo, que escava um terreno e nele encontra indícios, restos, que podem ser trazidos á tona, se houver espaço ( o que depende da dupla envolvida nessa pesquisa história, o que envolve igualmente analista e paciente) e objetos a serem resgatados. Num primeiro momento, o psicanalista vai em busca desses restos, acreditando em sua existência.
Num certo momento, Freud passou a considerar que se esses restos não existirem ou forem muito precários, serão então construídos, e o paciente, a partir das tentativas de construção que o analista forjar, reagirá – ou seja, não será meramente passivo. E reagirá com novas recordações, novos restos, num movimento sem fim. Em outras palavras, será ‘tocado’ por um novo discurso.
Diferentemente do relato mítico, que tende a uma certa repetição, a fala analítica tende a aberturas, que evocam memórias, que em última instância conduziriam ao desejo inconsciente. A abertura da fala à memória tem um efeito perturbador, na medida em que altera a estrutura do discurso por exemplo, do Eu nasci assim(!), para Seria eu mesmo assim(?). É no confronto com o estranho (não familiar) que o analista introduz, que esses interrogantes ganham lugar.
Se o desejo é convocado na fala analítica, ele ganha nova responsabilidade, e o “Era uma vez”, que marca o início de toso relato mítico ou lenda, já não mais se sustenta – frase sem sujeito, sem tempo, sem espaço: tempo mítico.
Se, por outro lado, o analista passa por cima da linguagem do paciente ou não se implica nela, ela tende a virar linguagem de repetição. Em outras palavras, o mal-estar diante da linguagem cristalizada e alienada do sujeito tem que ganhar lugar na análise.
Talvez por isso o analista precisa escrever seus casos, transcrevê-los, até para distorce-los, transformá-los, e mais do que descrever seis pacientes, sustenta-los.
Radicalizando, a narrativa analítica, mas do que o conteúdo, deveria incorporar o movimento, ou a música da fala: qual é o tom? Quais as vozes? E as dissonâncias? E a polifonia?
Assim como estranhamos o movimento sonhar-despertar, que nos desloca abruptamente de uma cena a outra, quando passamos das imagens à palavra, a fala analítica deve favorecer o dispositivo que descola o sujeito do registro passivo para o ativo. Mesmo assim, sabemos que sempre escapa algo ao relato, que quando é apresentado novamente, não é mais o mesmo: está em movimento, em construção.
È bastante compreensível quando nossas crianças, ou o infantil que habita em nós, deseja veementemente que a história se repita e seja contada sempre igual – um desejo impossível de paralisar a vida, já que ela é que nos assusta e perturba.

NOTAS E REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

(1). Lévi–Strauss. O Cru e o Cozido (Mitológicas I).São Paulo: Cosac & Naify, 2004.
(2). Eliade, Mircea. Mito e Realidade. São Paulo: Editora Perspectiva, 2002.
(3) Lacan, J. Escritos. São Paulo: Editora perspectiva, 1996. Destacamos aqui o capítulo 6, A Instância da Letra no Inconsciente ou a Razão desde Freud. A leitura desse texto permite pensar que há uma forma (a instância da linguagem, e também a instância do inconsciente) que agencia nosso comportamento, inclusive lingüístico, que não decorre meramente do consciente. A partir de Lacan, é possível uma leitura dos trabalhos de Freud sobre sonhos e chistes, onde a figurabilidade (imagem) e as palavras atropelam o plano consciente e visível das ações humanas.
(4) Freud, S. Interpretação dos sonhos (1900- 1901). Obras Completas de Sigmund Freud, vol.IV e V. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1990.
(5) Freud, S. O Estranho. (1919). Obra citada. vol. XVII.
(6) Calvino, I. Seis propostas para o próximo milênio. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
(7) Freud, S. Lembranças Encobridoras (1899). Obra citada. vol. III.
(8) Freud, S. Construções em Análise (1937). Obra citada, vol. XXIII

Dora Tognolli é psicanalista, membro associado da Sociedade brasileira de Psicanálise de São Paulo.

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