Em Recife, ministro Sergio Moro defende forças-tarefas e uso de métodos modernos de investigação no combate à corrupção | Claudio Tognolli

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, ministrou palestra-aula nesta quinta-feira (23), na capital pernambucana, para os 32 delegados e investigadores que participam do Programa de Fortalecimento das Polícias Judiciárias (PFPJ), iniciativa da Diretoria de Ensino e Estatística (DEE), da Senasp/MJSP. O diálogo foi pautado no tema: “Combate ao Crime Organizado e Corrupção Sistêmica”.

Dividindo sua experiência como juiz em investigações nos diversos casos de corrupção, principalmente na operação “Lava Jato”, o ministro indicou alguns pontos que podem contribuir para o  trabalho das polícias judiciárias, como: métodos modernos de investigação, um bom trabalho de inteligência e a implantação de forças-tarefas quando necessário, além da integração e a importância de se buscar combater todos os tipos de crimes.

“Sei que aqui o foco é mais a questão da corrupção. Mas, dentro do Ministério, nós temos o foco em corrupção, crime organizado e criminalidade violenta. Acho que os três problemas estão relacionados, caminham juntos, e nós temos que enfrentá-los “, defendeu Moro.

Ao descrever e comentar mais profundamente sobre a sua atuação na operação “Lava Jato”, o ministro atribuiu os bons resultados alcançados ao trabalho de integração. “Foi um trabalho que envolveu diversos atores e personagens, como polícias e órgãos, culminando na descoberta de um grande sistema de corrupção que se espalhou em outras estatais e administrações públicas, o que é um ilustrativo dessa naturalização da prática da corrupção. E, depois da Operação Lava Jato, na minha avaliação, é que houve uma certa mudança, em relação ao passado, da impunidade da grande corrupção. A regra era que quem praticava esse tipo se crime no Brasil ficava impune”, explicou.

Para driblar a escassez de recursos na área da segurança pública, Moro defendeu a aplicação das forças-tarefas. “Se os recursos são esgotados, a estratégia de criar uma Força-Tarefa (FT), em todos os âmbitos que podem ajudar na investigação, é essencial nesses grandes casos, trabalhando também em investigações com métodos inteligentes”.

O ministro destacou ainda aos delegados e investigadores que, na condução dos trabalhos, é preciso ter persistência, boa percepção, além de disposição, postura de liderança e espírito de cooperação diante dos casos mais difíceis.

Agenda em Pernambuco 

Acompanhado do Secretário Nacional de Segurança Pública, Guilherme Theophilo, o ministro se reuniu pela manhã, no Palácio do Campo das Princesas, o governador do Estado, Paulo Câmara e equipe.

Na oportunidade, discutiram sobre as políticas e projetos que estão sendo implementados no Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Entre eles, o Programa Nacional de Enfrentamento à Criminalidade que terá Paulista (PE) como um dos cinco municípios integrantes.

Em seguida, o ministro assistiu a uma breve apresentação do projeto “Pacto Pela Vida”, na sala de monitoramento da Secretaria de Planejamento e Gestão de Pernambuco (Seplag). O momento foi conduzido pelo secretário da pasta, Alexandre Rebêlo e o governador Paulo Câmara.

Moro parabenizou o governo estadual pela iniciativa e acrescentou que é preciso trabalhar com inteligência, dados e integração no sentido diminuir os índices de criminalidade e que o governo Federal quer ser parceiro em tais ações. “Queremos aprofundar nossa relação para que possamos buscar indicadores criminais melhores para o país inteiro, inclusive, para Pernambuco”, comentou.

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