Em meio à prisão de ex-secretário, estado do Rio tenta reaver dinheiro pago por equipamentos nunca entregues | Claudio Tognolli

O Globo

RIO — Em meio à crise na Saúde e escândalo de fraudes milionárias , que resultou nesta sexta-feira na prisão do ex-secretário Edmar Santos, o governo do estado tenta, no momento, reaver, seja na esfera judicial ou administrativa, o que pagou adiantado por equipamentos e insumos dentro desses contratos emergenciais firmados com as empresas MHS Produtos e Serviços, A2A e Arc Fontoura.

Como os respiradores nunca foram entregues, o estado recebeu 550 equipamentos do governo federal, parte deles para prefeituras do interior. Nos hospitais de campanha do Maracanã e de São Gonçalo, foram instalados 96 aparelhos.

Nos endereços de Edmar:MP apreende mais de R$ 6 milhões em dinheiro

Em outra frente, o contrato para a construção dos hospitais de campanha, no valor de R$ 700 milhões, foi rompido. Mas o Iabas, que ficaria responsável pelas obras, já tinha recebido R$ 256 milhões do estado. O contrato está sob intervenção da Fundação Estadual de Saúde.

o ex-secretário estadual de Saúde e médico anestesista Edmar Santos esteve à frente das compras emergenciais desde o início da pandemia do novo coronavírus, que estão em meio a uma investigação de desvio de dinheiro público, no total de R$ 36,9 milhões, envolvendo três contratos para aquisição de respiradores. Nesta sexta, pela manhã, o ex-secretário foi detido em sua casa, em Botafogo, e chegou à Cidade da Polícia, no Jacarezinho, às 11h15, escondendo o rosto e se recusando a responder perguntas. Em endereços de Edmar, o Ministério Público estadual, que o descreve no inquérito como líder do grupo criminoso, foram encontrados cerca de R$ 6 milhões.

Dinheiro foi encontrado em malas dentro do carro do ex-secretário de Saúde, Edmar Santos Foto: Divulgação
Dinheiro foi encontrado em malas dentro do carro do ex-secretário de Saúde, Edmar Santos Foto: Divulgação

 

O mandado de prisão foi cumprido por agentes do Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (Gaecc) do MP, com o apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ) e da Delegacia Fazendária (Delfaz). A operação foi um desdobramento da Operação Mercadores do Caos, que já prendeu outras cinco pessoas. A Justiça determinou arresto de bens e valores do ex-secretário até o total do desvio constatado nos cofres públicos.

 

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