Em alegações finais, MPF pede condenação de Walter Faria e Vanuê Faria, então executivos do grupo Petrópolis | Claudio Tognolli

Em alegações finais, MPF pede condenação de Walter Faria e Vanuê Faria, então executivos do grupo Petrópolis

Empresários são acusados por lavagem de montante superior a US$ 3,6 milhões pagos a título de propina

Em alegações finais, o Ministério Público Federal (MPF) requereu a condenação dos empresários Walter Faria e Vanuê Faria por envolvimento em esquema de corrupção no âmbito da operação Lava Jato. Os réus são acusados por 12 crimes de lavagem de dinheiro, após recebimento, entre 2006 e 2007, de US$ 3.686.869,21 em contas secretas mantidas na Suíça.

A denúncia é um desdobramento de crimes já apurados em duas ações penais (autos 5083838-59.2014.404.7000 e 5014170-93.2017.4.04.7000) em que foram condenados ex-dirigentes e ex-funcionários da Petrobras, empresários e operadores financeiros envolvidos em esquema que fraudou a contratação da construção do navio-sonda Petrobras 10.000 pelo estaleiro coreano Samsung. O contrato firmado no valor de US$ 586 milhões gerou o pagamento de US$ 15 milhões em propina.

É no contexto desse caso que se centra a denúncia contra Walter Faria e Vanuê Faria, envolvidos na lavagem de dinheiro transnacional decorrente da corrupção nessa contratação. Documentos bancários obtidos na investigação indicam o recebimento de recursos milionários, sem causa econômica legítima, em contas no exterior controladas e movimentadas pelos acusados. Os valores remetidos por operadores financeiros já condenados na operação Lava Jato, usualmente se direcionavam a funcionários da Petrobras e a agentes responsáveis pela sustentação política nos cargos.

Nas alegações finais, o MPF aponta que os acusados praticaram o crime de lavagem de dinheiro de forma profissional e reiterada, mediante complexos expedientes, utilizando contas registradas em nome de empresas offshores mantidas no exterior. Diante da culpabilidade dos réus, das circunstâncias e das consequências verificadas, o MPF pede a fixação do regime inicial fechado para o cumprimento da pena. Requer ainda o perdimento do produto e proveito dos crimes no montante de US$ 3.686.869,21, correspondentes ao valor lavado.

Lavagem de dinheiro – Segundo a denúncia, Walter Faria e Vanuê Faria, sobrinho de Walter, ocultaram e dissimularam a natureza, origem, localização e propriedade de US$ 3.686.869,21, valor pago a título de propina para agentes políticos responsáveis pela sustentação de Nestor Cerveró no cargo de Diretor Internacional da Petrobras em troca de vantagem indevida arrecadada de contratos com a estatal.

Para realizar a lavagem dos valores, os réus realizaram operações financeiras sub-reptícias, que envolveram o recebimento do referido montante em 12 depósitos, através das contas registradas em nome das empresas offshores Headliner Limited e Gallpert Company SA, mantidas na Suíça. Os valores ilícitos movimentados em questão decorreram dos crimes de corrupção envolvendo a contratação da Samsung Heavy Industries para construir o navio-sonda Petrobras 10.000.

Íntegra das alegações finais

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