Elio Gaspari pede a renúncia de Moro | Claudio Tognolli

O jornalista Elio Gaspari, um dos mais influentes do país, passou a defender a renúncia do ministro Sergio Moro, em artigo publicado nesta quarta-feira. “As conversas impróprias de Sergio Moro com o procurador Deltan Dallagnol enodoaram a Lava Jato e fragilizaram a condenação imposta a Lula pelo tríplex de Guarujá (SP). Se isso fosse pouco, a postura arrogante do ministro da Justiça nas horas seguintes às revelações do site The Intercept Brasil, obriga muitos daqueles que gostariam de defendê-lo a ficar no papel de bobos”, diz ele. “O fato grave é ver um juiz, numa rede de papos, cobrando do Ministério Público a realização de ‘operações’, oferecendo uma testemunha a um procurador, propondo e consultando-o a respeito de estratégias”, afirma o jornalista, que também condena o vazamento do grampo ilegal com a ex-presidente Dilma Rousseff, do qual Moro se vangloriou.

Gaspari diz ainda que ‘as mensagens de Moro e de Deltan deram um tom bananeiro à credibilidade da Operação Lava Jato e mudaram o eixo do debate nacional em torno de seus propósitos”. Gaspari avalia ainda que “a presença dos dois nos seus cargos ofende a moral e o bom senso.”

Em outro ponto, o jornalista critica abusos cometidos ao longo do caminho. “Em nome de um objetivo maior, a Lava Jato e Moro cometeram inúmeros pecados factuais e algumas exorbitâncias, tais como o uso das prisões preventivas como forma de pressão para levar os acusados às delações premiadas. Como não houve réu-delator que fosse inocente, o exorbitante tornou-se conveniente. Ao longo dos anos, Moro e os procuradores cultivaram e, em alguns casos, manipularam a opinião pública. Agora precisam respeitá-la”, pontua o colunista, que também condena o vazamento do grampo ilegal da ex-presidente Dilma Rousseff, do qual Moro se vangloriou.

“O viés militante de Moro e Deltan na Lava Jato afasta-os do devido processo legal, aproximando-os da República do Galeão, instalada em 1954 em cima de um inquérito policial militar que desaguou no suicídio de Getúlio Vargas”, conclui Gaspari.

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