Economist já prevê o fim do bolsonarismo | Claudio Tognolli

Uma das mais influentes publicações do Reino Unido, a revista The Economist destaca que os fracos resultados dos candidatos apoiados por Jair Bolsonaro nas eleições municipais deste ano no Brasil, além da não reeleição de seu principal aliado internacional, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estão levando muitos analistas políticos a escrevem o “obituário político” do ex-capitão. Apesar de considerar que a chegada de Bolsonaro ao poder “foi, de certa forma, uma aberração”, a revista britânica  ressalta que “mesmo assim, seria um erro descartar suas chances de um segundo mandato”.

No texto, a revista britânica diz que “Bolsonaro despreza a democracia e seus controles e equilíbrios, encheu seu governo de militares, diz coisas ofensivas sobre gays, feministas e negros brasileiros, favorece a posse de armas e menospreza tanto o Covid-19 quanto a mudança climática”. “Como presidente, Bolsonaro fortaleceu ideólogos de extrema direita, perseguiu a polarização e quase se autodestruiu. Seis meses atrás, em meio ao aumento da tensão causada pela pandemia, acusações de corrupção contra um de seus filhos e ameaças de impeachment, ele quase ordenou às Forças Armadas o fechamento do Supremo Tribunal Federal”, destaca a reportagem.

A avaliação é que o “caminho mais provável para um segundo mandato passa por cimentar sua aliança com o Centrão, que se saiu bem nas eleições municipais. Suas tentativas de criar seu próprio partido político, anunciadas há um ano, ainda não deram frutos. Uma aliança com o Centrão o tornaria um militante muito menos confiável contra a corrupção e a classe política. Mas ofereceria o tipo de máquina política que historicamente ajudou a ganhar as eleições brasileiras – útil, já que as mídias sociais sozinhas provavelmente não lhe darão essa vantagem competitiva duas vezes”.

Para a revista, “o grande problema para Bolsonaro é a economia. O auxílio emergencial ajudou o país a evitar uma recessão mais profunda. Mas por quanto tempo o governo pode sustentá-lo? A dívida pública ruma para 100% do PIB. Mesmo com as taxas de juros baixas, esse é um número grande para um país com histórico de inadimplência e inflação. A recuperação econômica pode ser lenta e a austeridade parece inevitável no próximo ano. A renda per capita já caiu abaixo do nível de 2010. Muitos brasileiros estão sofrendo. O som e a fúria nacionalistas não pagam as contas. Bolsonaro permanece hoje um candidato competitivo. Mas em 2022 os brasileiros podem ser menos receptivos a ele do que eram em 2018”.

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