Drauzio Varella: discurso de ódio teve como consequência o populismo de direita | Claudio Tognolli

 O médico Drauzio Varella afirmou, através de sua coluna no jornal Folha de S. Paulo, que “talvez a consequência mais nefasta” da polarização “seja o aparecimento do político populista”, cujo “seu talento maior está em identificar numa população as mágoas e as frustrações individuais para transformá-las em ódio, catalisador essencial para unir o povo contra os que serão apontados como responsáveis ‘por tudo o que está aí’”.

 

Drauzio também afirmou que o ódio é uma emoção duplamente negativa, que faz mal contra quem se dirige enquanto envenena quem o sente, se comportando como uma doença contagiosa

“A depender das condições, o ódio adquire características de epidemia que se dissemina pela vizinhança, pela cidade, por um país e até por um concerto de nações. Pode ser dirigido contra uma única pessoa, contra um grupo, raça, etnia, habitantes de um país inteiro ou de uma região do planeta”, escreve Drauzio Varella. “Assim, os nazistas convenceram os alemães a aceitar como inevitável o extermínio de judeus, ciganos, crianças nascidas com malformações e os que manifestavam desacordo com as políticas oficiais”, acrescenta.

Drauzio ainda comenta sobre o cenário político atual do Brasil, no governo Jair Bolsonaro, dizendo que “o presidente atual soube entender a insatisfação popular e desenterrou o cadáver do comunismo para interpretar o papel de inimigo do povo. À menor crítica, o cidadão é tachado de comunista e execrado nas redes sociais”. “A chegada da epidemia pôs mais lenha nessa fogueira, já que ofereceu a oportunidade de criar outro inimigo: a ciência. Distanciamento social, máscaras, testagem em massa, tudo tem sido contestado com afronta pelo próprio presidente e seus seguidores incondicionais. Medidas de saúde pública adotadas no mundo inteiro passaram a ser consideradas ações propostas por adversários empenhados em destruir a economia, subverter a ordem e matar os brasileiros de fome”, conclui.

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