Dívida pública cresce pelo sexto mês seguido e atinge patamar recorde: 85,5% do PIB | Claudio Tognolli

O Globo

BRASÍLIA — Após seis meses seguidos de crescimento, a dívida pública atingiu o patamar de 85,5% do PIB em junho, ficando em R$ 6,15 trilhões, o maior da série histórica do Banco Central (BC), iniciada em dezembro de 2006. Os números foram divulgados nesta sexta-feira pelo BC.

A estatística considera a dívida pública bruta, que compreende o governo federal, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e os governos estaduais e municipais. O dado é acompanhado de perto pelo mercado financeiro para medir a capacidade do país de pagar suas dívidas, o nível de solvência.

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O crescimento da dívida em junho foi de 3,6 pontos percentuais, o maior aumento entre um mês e outro da série histórica. Por exemplo, em maio, o crescimento da dívida tinha sido de R$ 111 bilhões. Em junho, esse aumento mais do que dobrou, atingindo R$ 224 bilhões. O crescimento equivale ao aumento da dívida que ocorreu em todo o primeiro semestre de 2019.

O endividamento do país vem acelerando desde o início da pandemia por conta da necessidade de aumento de gastos para o enfrentamento da Covid-19. Em março, a dívida cresceu 1,7 ponto percentual, seguida de um novo crescimento em abril de 1,3 ponto percentual. Em maio, a taxa de crescimento foi de 2,1 pontos percentuais.

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De dezembro até junho, a relação entre dívida e PIB subiu 9,7 pontos percentuais. Isso significou um aumento de R$ 650 bilhões bilhões em apenas seis meses. Para efeitos de comparação, no mesmo período do ano passado, o crescimento foi de cerca de R$ 227 bilhões.

Maior déficit da série histórica

Seguindo a tendência da dívida, as contas públicas brasileiras fecharam o semestre com déficit de R$ 402,7 bilhões, o maior para período desde o início da série histórica em 2002.

O número, que exclui os gastos com juros da dívida, é referente ao chamado setor público consolidado, que engloba União, estados, municípios e empresas estatais.

A queda na arrecadação, com a desaceleração da economia, e o aumento de gastos para medidas de enfrentamento ao Covid-19, contribuíram para o déficit recorde do período.

Apenas o mês de junho registrou um déficit de R$ 188,7 bilhões, também o maior da série histórica. O resultado superou maio como maior déficit, que por sua vez, tinha superado abril.

O resultado decorre do déficit de R$ 195,2 bilhões do governo central, que foi aliviado por superávits nos governos regionais, de R$ 5,8 bilhões e das empresas estatais, de R$ 719 milhões

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