O populismo sempre flertou com o bonapartismo.

O termo “bonapartismo” é classicamente empregado na obra O 18 de Brumário de Luís Bonaparte,  escrito entre dezembro de 1851 e março de 1852 , e publicado originalmente por Karl Marx na revista  Die Revolution.

Marx, chamado derrisoriamente pela sua mulher, Jenny, de The Old Nick ( o velho satanás) escreveu:

“A tradição de todas as gerações mortas pesa sobre o cérebro dos vivos como um pesadelo. E mesmo quando estes parecem ocupados a revolucionar-se, a si e às coisas, mesmo a criar algo de ainda não existente, é precisamente nestas épocas de crise revolucionária que esconjuram temerosamente em seu auxílio os espíritos do passado, tomam emprestados os seus nomes, as suas palavras de ordem de combate, a sua roupagem, para, com este disfarce de velhice venerável e esta linguagem emprestada, representar a nova cena da história universal”.

Usado por FHC e Maria Victoria Benevides para definir Jânio Quadros, o termo “bonapartista” é uma referência a dois golpes de Estado: o de Napoleão Bonaparte em 1799, que descartou as conquistas republicanas da Revolução Francesa e instaurou um governo ditatorial, e o de seu sobrinho Luís Napoleão em 1851, quando era presidente da República proclamada em 1848.

O bonapartismo ocorre quando a autoridade do líder se articula a um partido de massas que intervém em todas as esferas da sociedade civil: sindicatos, associações patronais, grupos de jovens e de mulheres.

É o mundo sobre o qual o PT tenta agora entesourar apoio.

Lideranças petistas agem em consonância com o discurso bonapartista.

Vejamos Dilma.

Nesta terça-feira (17),  falando a estudantes na Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, a ex-presidenta Dilma Rousseff reiterou que o ex-presidente Lula é o candidato do PT à presidência da República, mesmo estando preso há dez dias. Ela repetiu as palavras ditas por ele antes de se apresentar à Polícia Federal, num discurso no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

“Ele estará nessa eleição – preso ou solto, morto ou vivo. Isso não é uma bazófia. É a expressão política de que eu não represento uma pessoa, eu represento uma ideia”, declarou, na noite desta segunda, no evento “Desafios para a democracia no Brasil”, promovido pelo Centro para Estudos Latino-americanos da Universidade de Berkeley, na Califórnia. A viagem faz parte de um tour pela Europa e pelos EUA em que Dilma denuncia “o golpe e a prisão ilegal de Lula”.

Dilma criticou também decisões recentes da Justiça do Paraná que proibiram visitas ao ex-presidente, como a de nove governadores que foram a Curitiba. “O Lula está preso numa solitária. Não bastaram prender o Lula. Também não querem deixar ele falar. O próprio juiz responsável pelo caso não quer que ele fale. O Lula não pode falar porque ele muda a opinião das pessoas”, afirmou.

Um dia antes de completar um ano da votação na Câmara dos Deputados que aprovou a admissibilidade do processo de impeachment, Dilma declarou sobre o “golpe”. Segundo ela, tratou-se de um “golpe parlamentar, midiático, com apoio do judiciário e de parte do sistema financeiro”. “Na ditadura militar, a democracia é cortada com um machado. Neste golpe de 2016, a democracia foi tomada por fungos e parasitas que a corroem por dentro”, comparou.

Já  o ex-ministro José Dirceu, que aguarda em liberdade o julgamento do último recurso pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), marcado para quinta-feira, 19, afirmou que Sérgio Moro é um “cisco” e atua como um “instrumento” para fazer perseguição política ao PT. Dirceu, que foi condenado a 30,9 anos de reclusão, pediu que os membros e a militância do partido não se preocupassem com ele, mas com a liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Meus companheiros de cela muitas vezes, pela inocência, se desesperaram, e eu falei: ‘Está vendo esse cisco?’ É o Moro’. Ele não é nada, é um instrumento. O aparato policial judicial é um aparato de perseguição política. Não é só de criminalizar o PT, há setores que estão percebendo isso”, disse Dirceu.

“Todo lugar é uma trincheira. Onde eu estiver, vou estar numa trincheira, mas sou como um de vocês: eu estou preocupado com Lula, não comigo. Vocês podem ver que eu me cuidei. Eu sou um soldado, temos que libertar o Lula. Temos que enfrentá-los e não baixar a cabeça. Eles têm que ter certeza de que vamos ressurgir das cinzas. Temos que ser implacáveis com eles. Eles não deixaram a gente governar, por que vamos deixar eles governar?”, completou.

“Nosso principal inimigo é o sistema financeiro bancário, o rentismo e a Rede Globo. Vocês sabem que eu gosto de uma aliança, mas vamos precisar rever a forma petista de governar. A questão é como governar sem aderir à receita neoliberal. Os desafios são muitos, mas eu sou otimista. Nós precisamos tirar lições do que aconteceu no País”, destacou.

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