Críticas a comentário de Weintraub vão da Embaixada de Israel à principal associação judaica dos EUA | Claudio Tognolli

O Globo

RIO — Uma série de críticas de órgãos e indivíduos ligados ao governo de Israel e de entidades judaicas foram dirigidas à comparação feita na quarta-feira pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, entre a operação de busca e apreensão feita pela Polícia Federal, no inquérito sobre as redes de ameaças e fake news, e a Noite dos Cristais, que marcou o início da perseguição sistemática dos nazistas aos judeus na Alemanha.

A Embaixada de Israel, em Brasília, postou no Twitter que “houve um aumento da frequência de uso do Holocausto no discurso público, que de forma não intencional banaliza sua memória e a tragédia do povo judeu. Pela amizade forte de 72 anos entre nossos países, pedimos que a questão do Holocausto fique à margem da política e ideologias”.

Pouco antes,  o cônsul-geral de Israel em São Paulo, Alon Lavi, escreveu que “o Holocausto, a maior tragédia da história moderna, onde 6 milhões de judeus, homens, mulheres, idosos e crianças foram sistematicamente assassinados pela barbárie nazista, é sem precedentes. Esse episódio jamais poderá ser comparado com qualquer realidade política no mundo”.

Lavi também republicou mensagens do Comitê Judaico Americano, que é a principal entidade judaica dos EUA, da Confederação Israelita do Brasil (CONIB) e do Museu do Holocausto de Curitiba.

O Comitê Judaico Americano repudiou a postagem feita por Weintraub, a classificando como  “profundamente ofensiva aos judeus do mundo” e  “um insulto às vítimas e sobreviventes do terror nazista”. No Twitter, a organização ainda criticou a “repetida politização da linguagem do Holocausto por funcionários do governo brasileiro”.

Fundado em 1906, o Comitê Judaico Americano é uma das organizações mais antigas e influentes em defesa dos direitos civis de judeus e parte importante do lobby pró-Israel nos EUA. No mês passado, a associação já havia exigido um pedido de desculpas do chanceler Ernesto Araújo, que comparou o isolamento social para conter a Covid-19 a campos de concentração nazistas.

Weintraub, que é judeu, usou suas redes sociais para comparar a ação da Polícia Federal de quarta-feira à ação da polícia política nazista na Alemanha de Adolph Hitler. No Twitter, afirmou que a operação será lembrada como a Noite dos Cristais brasileira — um dos primeiros atos violentos cometidos por forças paramilitares nazistas contra judeus entre os dias 9 e 10 de novembro de 1938.

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