Contra o cartel: greve dos caminhoneiros entre no segundo dia e atinge 17 estados – Claudio Tognolli

Pelo segundo dia consecutivo, caminhoneiros protestam, nesta terça-feira (22/5), nas  principais estradas dos país contra os aumentos sucessivos nos preços do combustível.

O que os caminhoneiros querem é que o governo promova alguma mudança que faça cair os preços do combustível – o pedido é que sejam reduzidos impostos. “Se o nosso transporte é essencial, queremos um preço diferenciado para o diesel no setor de cargas”, disse Diumar Bueno, presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (não ligados a transportadoras).
Os caminhoneiros reivindicam preço diferenciado para o transporte de cargas e o fim da cobrança de pedágio para o eixo suspenso, além de melhoria no valor do frete.
Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes, os reajustes constantes do diesel nas refinarias e dos impostos que recaem sobre o combustível tornaram a situação insustentável. “Mesmo com a mobilização marcada, o governo anunciou outro aumento. Há correção quase diária, que dificulta a previsão de custos por parte do transportador.” Segundo ele, os protestos estão sendo pacíficos. “Não apoiamos barricadas, nem depredação de patrimônio público”, afirmou.
Nessa segunda-feira (21/5), foram registrados atos em ao menos 20 estados e no DF –  Amapá, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins.
Na manhã desta terça-feira, já foram registrados atos em pelo menos 17 estados: Bahia, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, e Tocantins.

Em São Paulo há lentidão na via Dutra, próximo a Jacareí. Segundo a CCR NovaDutra, concessionária que administra a rodovia, os manifestantes ocupam um posto de serviço a faixa da direita e o acostamento. A faixa da esquerda está liberada somente para veículos de passeio e ônibus.

A concessionária informa que conseguiu uma liminar para impedir interdições nos 402 quilômetros da rodovia, nos trechos do Rio de Janeiro e de São Paulo. A decisão impõe multa de 300 mil reais em caso de descumprimento.

Em Minas Gerais, há interdição em ao menos 19 municípios, informou a Polícia Rodoviária Federal (PRF) do Estado. Na BR-101, no km 282, em Santa Catarina, os caminhões já interromperam o tráfego e PRF está mobilizada no local. Na Bahia, uma manifestação na BA-535 (Via Parafuso), na altura do km 10, bloqueia os dois sentidos da rodovia, segundo informações da Concessionária Bahia Norte.

No Rio de Janeiro, há manifestações em 12 pontos de rodovias federais que cortam o estado. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, os manifestantes ocupam apenas os acostamentos dessas estradas e não estão interrompendo o fluxo de veículos.

A BR-393 concentra o maior número de pontos de protesto. São quatro manifestações nos quilômetros (km) 247 e 255 (em Barra do Piraí), 281 (em Volta Redonda) e 295 (em Barra Mansa). Na Rodovia Presidente Dutra (BR-116), são três pontos: um em Seropédica (km 204) e dois em Barra Mansa (kms 274 e 268).

Na BR-101, também são três pontos: um no trecho norte (em Campos, no km 75), outro na Niterói-Manilha (em Itaboraí, no km 294) e outro na Rio-Santos (em Itaguaí, no km 392). Outras rodovias com manifestações são a BR-493 (no km 0, em Itaboraí) e a BR-465 (km 17, em Nova Iguaçu). Os caminhoneiros protestam desde a noite de domingo (20), contra o alto custo do combustível, em vários pontos do país.

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