Contas públicas têm déficit de R$ 25,1 bilhões, o pior resultado para março em 17 anos – Claudio Tognolli
(Foto: Bruno Domingos/Reuters)

As contas públicas encerraram março com um resultado negativo de R$ 25,1 bilhões, o pior desempenho para o mês em 17 anos. Os dados, divulgados nesta segunda-feira pelo Banco Central, incluem as contas do governo, das estatais, dos estados e dos municípios. No primeiro trimestre, o número ainda é positivo, um superávit de R$ 4,4 bilhões.

 

O déficit para o mês era esperado. Isso porque o governo central (formado por Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social), que é a maior fatia do resultado, apresentou um déficit histórico, de R$ 25,5 bilhões. Foi o pior desempenho para meses de março em 22 anos, influenciado pela decisão do governo de antecipar o pagamento dos precatórios (pago quando a União perde em causas judiciais) para março e abril. Em 2017, esses valores foram pagos em maio e junho. No ano, o governo central tem um déficit de R$ 8 bilhões.

No mês, os governos regionais tiveram um desempenho positivo de R$ 552 milhões. Tanto estados quanto municípios tiveram resultados positivos. No ano, o superávit é de R$ 13,1 bilhões. Já as estatais registraram um déficit de R$ 156 milhões em março e de R$ 721 milhões no trimestre.

O governo espera que as contas públicas encerrem o ano com um déficit de R$ 161,3 bilhões. No acumulado em 12 meses até março, o rombo chega a R$ 108,4 bilhões ou 1,64% do Produto Interno Bruto (PIB). Com os gastos com Previdência avançando sobre o Orçamento, o governo tem dificuldades de equilibrar receitas e despesas. Boa parte dos gastos que existem hoje são obrigatórios, como aposentadorias e a folha de pagamento dos servidores. Assim, sobre pouco para ser cortado e o ajuste das contas acaba avançando sobre os investimentos.

A expectativa é de que as contas públicas só voltem a ficar no azul em 2022. Isso, no entanto, considerando que o governo conseguirá aprovar uma reforma da Previdência. Hoje, existe um texto no Congresso Nacional, mas não é possível caminhar com a votação porque a legislação brasileira impede que qualquer mudança na Constituição seja feita enquanto vigorar uma intervenção federal, como a que ocorre no Rio de Janeiro.

Informações da Época

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