Conflito armado se acirra na fronteira Armênia-Azerbaijão | Claudio Tognolli

Deutsche Welle

Imagem disponibilizada por Ministério da Defesa armênio mostra destruição de tanque azerbaijanoImagem disponibilizada por Ministério da Defesa armênio mostra destruição de tanque azerbaijano

55068872O Azerbaijão condenou “veementemente” neste domingo (27/09) a investida militar da Armênia na região separatista de Nagorno-Karabakh, na fronteira entre os dois países, que teria resultado em mortes na véspera. Por sua vez, o governo armênio convocou à “mobilização geral”.

Em declaração divulgada no Twitter, o conselheiro do presidente do Azerbaijão, Hikmet Hajiyev, sublinhou que o país “condena veementemente o novo ato de agressão da Armênia”. Acusando as Forças Armadas do país vizinho de terem violado o cessar-fogo bilateral, ele mencionou um “bombardeio que afetou áreas densamente povoadas por civis”.

“Há relatos de mortos e feridos entre civis e miliares”, acrescentou Hajiyev, atribuindo a responsabilidade das ofensivas ao bloco armênio, por ter “deliberadamente atacado áreas residenciais”.

Já o primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinian, fez um apelo à “mobilização militar geral” através do Facebook, exortando o pessoal ligado às Forças Armadas a se apresentar em suas comissões militares territoriais. Segundo o correspondente da DW em Ierevan, numerosos cidadãos se reuniram no centro da capital armênia, dispostos a partir para o front.

Horas antes, o premiê denunciara em tuíte uma ofensiva do Azerbaijão “com ataques aéreos e de mísseis”, anunciando o abate de dois helicópteros e três drones azéris, assim como a destruição de três tanques.

Homens reunidos em rua de Ierevan, ArmêniaCidadãos armênios se dispõem a partir para a luta

Não há dados seguros sobre se os disparos partiram das forças governamentais armênias ou de rebeldes de Nagorno-Karabakh. Pashinian assegurou, ainda, que o Exército armênio tudo fará para “proteger a pátria da invasão”.

Araik Harutyunyan, presidente da autoproclamada República de Nagorno-Karabakh também declarou “lei marcial e mobilização militar” numa sessão parlamentar de emergência. O território é um enclave de etnia armênia no Azerbaijão, fora do domínio azéri desde 1994. Ambos os lados mantêm forte presença militar ao longo de uma zona desmilitarizada que separa a região do resto do Azerbaijão.

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, classificou como “altamente preocupante” o retorno da violência na região, afirmando no Twitter que “a volta imediata às negociações, sem pré-condições, é o único modo de seguir adiante”.

Azerbaijão e forças rebeldes chegam a acordo de cessar-fogo

O conflito armênio-azerbaijano data dos tempos soviéticos: em fins dos anos 80 a população majoritariamente armênia de Nagorno-Karabakh pediu para o território ser incorporado à vizinha Armênia. A subsequente guerra durou seis anos, causando cerca de 25 mil mortes. No fim, as forças armênias assumiram o controle de Karabakh.

Apesar de o conflito entre os dois países ter se concluído oficialmente em 1994, as tensões e confrontos na região separatista se mantiveram, mesmo com a assinatura de um cessar-fogo em 2016. Os atuais choques armados são os mais pesados desde então.

O Azerbaijão defende que a solução do conflito com a Armênia envolve necessariamente a libertação dos territórios ocupados, exigência que tem sido apoiada por várias resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

A Armênia, por seu lado, apoia o direito à autodeterminação de Nagorno-Karabakh, defendendo a participação dos representantes do território separatista nas negociações para a resolução do conflito.

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