A pesquisa Indicadores Industriais de março evidencia que a indústria segue enfrentando dificuldades e que sua recuperação continua lenta. Março costuma ser um mês de atividade industrial mais forte, na comparação com o primeiro bimestre. Após os ajustes sazonais, contudo, parte dos indicadores que compõem a pesquisa Indicadores Industriais mostra queda na passagem de fevereiro para março. O faturamento caiu, revertendo o aumento ocorrido no bimestre; as horas trabalhadas recuaram pelo segundo mês consecutivo; e o emprego caiu após cinco meses de alta. A Utilização da Capacidade Instalada (UCI), por sua vez, cresceu e alcançou o maior percentual em quase três anos. Além disso, o rendimento médio real e a massa salarial também seguem progredindo.

 

O faturamento real da indústria recuou 2,5% em março, na comparação com o mês anterior, depois de descontados os efeitos sazonais. A queda interrompe sequência de dois crescimentos mensais consecutivos, de 0,9% cada, e marca o pior resultado mensal em cinco meses. Ainda assim, o faturamento real de março é 1,6% superior ao registrado há doze meses, enquanto o faturamento acumulado no primeiro trimestre de 2018 é 6,2% maior que o registrado no mesmo período de 2017.

O emprego industrial mostrou queda de 0,2% entre fevereiro e março de 2018, na série dessazonalizada. É a primeira queda após cinco meses, período no qual o emprego acumulou alta de 1,3%. O emprego aumentou 0,5% entre março de 2017 e o mesmo mês de 2018. Na comparação do primeiro trimestre de 2018 com o mesmo trimestre de 2017, o crescimento observado também é de 0,5%.

As horas trabalhadas na produção caíram 0,9% em março, na série livre de influências sazonais. É o segundo mês seguido de declínio das horas trabalhadas, o que não acontecia desde o bimestre julho/agosto de 2016. As horas trabalhadas na produção voltaram a mostrar queda na comparação anual: 0,7% entre março de 2018 e 2017. No acumulado no trimestre, contudo, a comparação ainda é positiva: aumento de 0,5% frente ao primeiro trimestre de 2017.

A massa salarial subiu 0,8% em março, na comparação com o mês anterior, descontados os efeitos sazonais. É o terceiro aumento consecutivo do índice, período no qual a massa salarial aumentou 2,5%. A massa salarial paga em março de 2018 é 2,7% maior que a paga em março de 2017. Considerando o acumulado no primeiro trimestre deste ano frente ao primeiro trimestre do ano passado, o crescimento se reduz para 1,5%.

O rendimento médio real dos trabalhadores da indústria aumentou 2% em março de 2018, na série dessazonalizada. O índice também mostra crescimento pelo terceiro mês consecutivo. Na comparação com março de 2017, o rendimento médio real aumenta 2,2%. Na comparação do primeiro trimestre de 2018 com o de 2017, o acréscimo é de 1,0%.

A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) aumentou 0,2 ponto percentual entre fevereiro e março de 2018 e alcançou 78,2%, na série livre de efeitos sazonais. O percentual de utilização da capacidade é o maior desde julho de 2015, quando a UCI ficou em 78,5%. O resultado é 1,2 p.p. acima do registrado em março de 2017 e a UCI média do primeiro trimestre de 2018 é 1,1 p.p. superior ao registrado no primeiro trimestre de 2017.

error:
0