Como uma empresa da JBS cresce na Moody's com o dinheiro alheio | Claudio Tognolli

A J&F Investimentos, holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista e envolvida em escândalos de corrupção, concordou em vender a Eldorado para a holandesa Paper Excellence em setembro do ano passado por 15 bilhões de reais, com cerca de metade do pagamento feito imediatamente e a segunda metade um ano depois.

Naquele momento, os irmãos Batista, maiores acionistas na empresa de alimentos JBS, estavam sob pressão para vender ativos após o envolvimento no escândalo de corrupção e de subsequentes acusações de insider trading.

No entanto, os preços da celulose subiram 41,5 por cento em moeda local desde o acordo inicial de venda da Eldorado e os Batistas também deixaram a prisão.

A Paper Excellence alegou que a alta dos preços da celulose desempenhou grande papel na decisão da J&F de cancelar o acordo porque queriam um preço maior.

Em 26 de agosto, representantes da J&F exigiram um pagamento adicional de 6 bilhões de reais pela Eldorado em uma reunião em Los Angeles, segundo fontes próximas à Paper Excellence, potencialmente elevando o valor total do negócio para 21 bilhões de reais.

Ou seja: a máfia JBS, que comprou todo o BNDES, não honrou a venda que fez e, aos 46 minutos do segundo tempo, passou a exigir mais bilhões  e bilhões. Típico dos Batista.

Vejamos o extrato do Valor Econômico de hoje:

Ao assumir o cargo de presidente da Eldorado Celulose, no início de dezembro de 2017, Aguinaldo Gomes Ramos Filho tinha a missão de completar um processo de transição que naquele momento prometia ter data definida. O ex-presidente da companhia José Carlos Grubisich tinha pedido demissão em 29 de setembro, dias após a venda da fabricante de celulose do grupo J&F para a Paper Excellence (PE) por R$ 15 bilhões. Com cerca de dez anos ocupando diversos cargos no frigorífico JBS, Ramos Filho trocaria carne por celulose por cerca de 60 dias. O prazo foi então estendido para 90 dias. Sexta-feira, após quase 400 dias no cargo, talvez tenha sido o melhor deles para o jovem executivo de 28 anos. A agência de classificação de risco Moody’s divulgou pela primeira vez uma nota para a empresa: Ba3, com perspectiva estável.

“É a melhor nota de classificação de risco em toda a história da Eldorado. Fomos avaliados em vários fatores e mostramos consistência em todos”, afirmou Ramos Filho ao Valor, em sua primeira entrevista desde que assumiu o cargo. A empresa também é classificada pela Fitch, com a nota BB-
Nos dois casos, a companhia entra no grupo especulativo. “Estamos falando de uma empresa que foi montada do zero com sete anos de existência. Que saiu de uma alavancagem de 14 vezes para menos de duas vezes [em setembro de 2018].”

Sabe o que significa  Jovem presidente da Eldorado comemorar nota da Moody’s? É uma vitória de Pirro: conquistada com dinheiro alheio –aliás, como a JBS fez com o BNDES. O caso, a bufunfa tungada foi da Paper Excellence.

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