Cardeal teria investido 100 milhões de libras em imóveis de luxo | Claudio Tognolli

ANSA

O cardeal Angelo Becciu, que renunciou na última semana às suas funções na Igreja Católica em meio a um escândalo financeiro, teria investido cerca de 100 milhões de libras esterlinas (R$ 727 milhões) em imóveis de luxo em Londres, revelou o jornal britânico “Financial Times” nesta terça-feira (29).

 

Segundo documentos obtidos pela publicação, o religioso “investiu fundos do Vaticano em um portfólio de apartamentos de altíssimo nível em Cadogan Square, Knightsbridge, um dos mais caros endereços residenciais em Londres”.

O “FT” ressalta que os imóveis foram comprados de maneira regular, “não havendo indícios de nenhum ilícito”, mas servem para “colocar ainda mais luz nas atividades da Secretaria de Estado” na capital britânica.

Becciu, que segundo fontes do Vaticano foi “forçado” a renunciar pelo papa Francisco, está no centro de um novo escândalo que abalou a Santa Sé. Investigado desde 2019, o caso analisa o uso do dinheiro do Óbolo de São Pedro, sistema de arrecadação de donativos à Igreja para ajudar os mais necessitados, na compra de imóveis e investimentos sem esse fim. O próprio Pontífice chegou a reconhecer que há suspeita de corrupção.

Desde então, cerca de 10 pessoas foram afastadas de órgãos financeiros da Santa Sé e da Secretaria de Estado do Vaticano por suspeitas de irregularidades. O principal ponto noticiado do escândalo até agora era a compra de um edifício de luxo em Londres, no valor de US$ 200 milhões, em parceria com um fundo de Luxemburgo.

Na época da compra, o cardeal Becciu era o “número 2” da Secretaria de Estado e, segundo uma apuração da revista “L’Espresso”, confiou o caixa do Vaticano ao banqueiro Enrico Crasso, que teria redirecionado o dinheiro da ajuda aos pobres para fundos especulativos em paraísos fiscais.

O religioso, que deixou sua função de prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, negou as acusações e disse que espera que “cedo ou tarde, o Santo Padre perceba que houve um grande equívoco”. (ANSA).

 

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