Ataque deixa mais de 100 mortos na Nigéria | Claudio Tognolli

Deutsche Welle

Symbolbild Nigeria Boko HaramCaçadores em preparo para ataque ao Boko Haram: há mais de 10 anos extremistas promovem violência no norte da Nigéria

Pelo menos 110 pessoas morreram durante um ataque a uma aldeia no nordeste da Nigéria atribuído ao grupo jihadista Boko Haram, afirmou o coordenador humanitário da ONU no país neste domingo (29/11).

“Pelo menos 110 civis foram mortos brutalmente e muitos outros ficaram feridos neste ataque”, disse Edward Kallon, em comunicado. O massacre ocorreu no sábado. “Este é o ataque direto mais brutal contra civis inocentes neste ano”, disse Kallon, acrescentando: “Peço que os perpetradores deste ato hediondo e sem sentido sejam levados à Justiça”.

O derramamento de sangue ocorreu no vilarejo de Koshobe, perto de Maiduguri, capital do estado de Borno. Os agressores alvejaram pessoas que trabalhavam em campos de arroz.

O governador de Borno, Babaganan Umara Zulum, compareceu ao enterro de 43 corpos resgatados no sábado, no vilarejo próximo de Zabarmari. Ele disse que o número de mortos pode aumentar depois que as operações de busca forem retomadas.

“Mortes sem sentido”

Os assaltantes, que chegaram armados em motocicletas, amarraram os camponeses e cortaram suas gargantas, segundo uma milícia antijihadista pró-governo. Moradores locais afirmaram à agência de notícias DPA que alguns dos mortos apresentam ferimentos à bala, outros tiveram a garganta cortada.

As vítimas eram trabalhadores do estado de Sokoto, no noroeste da Nigéria, localizado a cerca de mil quilômetros de distância, que foram ao nordeste do país em busca de trabalho.

Citando “relatos de que várias mulheres podem ter sido sequestradas”, Kallon pediu a libertação imediata delas e seu retorno à segurança.

O presidente nigeriano, Muhammadu Buhari, condenou o ataque, dizendo: “O país inteiro foi ferido por essas mortes sem sentido.”

O ataque ocorreu em meio a eleições locais realizadas com atraso no estado de Borno. As votações foram repetidamente adiadas por causa de um aumento nos ataques do Boko Haram e de uma facção dissidente rival, a milícia “Estado Islâmico Província África Ocidental”. Os dois grupos foram acusados ​​de aumentar os ataques a agricultores, pescadores e suas famílias, a quem acusam de espionar para o Exército e para as milícias pró-governo.

O grupo terrorista Boko Haram vem aterrorizando a população local do estado de Borno há mais de dez anos Borno, bem como regiões vizinhas. Pelo menos 2,4 milhões de pessoas estão refugiadas por causa da violência de grupos armados no nordeste da Nigéria e em países adjacentes, de acordo com a Agência de Refugiados da ONU.

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