Aliado e colaborador de Trump pode ser preso por desacato | Claudio Tognolli

Deutsche Welle

Steve Bannon, ícone da nova direita nos EUA, se recusou testemunhar sobre a invasão do Capitólio por apoiadores de Trump e poderá ser processado criminalmente. Parlamentares o acusam de ter conhecimento prévio do ataque.

    

Bannon se recusou a cumprir intimações judiciais feitas por comitê da Câmara que investiga ataque ao CongressoBannon se recusou a cumprir intimações judiciais feitas por comitê da Câmara que investiga ataque ao Congresso

Steve Bannon, ex-estrategista-chefe de Donald Trump e ícone na nova direita nos Estados Unidos, corre o risco de ser preso por desacato criminal após se recusar a colaborar com uma investigação sobre a invasão do Capitólio – a sede do Congresso americano – no dia 6 de janeiro.

A Câmara dos Representantes, de maioria democrata, votou por 229 a 202 pela recomendação da abertura de um processo criminal. Entre os que votaram a favor da punição estavam nove parlamentares do Partido Republicano de Trump.

Caberá agora ao procurador-geral dos EUA, Merrick Garland, tomar a decisão final sobre a abertura ou não de um processo contra Bannon, que poderá ir a julgamento perante júri.

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A divisão dos parlamentares sobre recomendar ou não a abertura de um processo contra Bannon é um sinal de como as tensões envolvendo os acontecimentos de 6 de janeiro ainda dominam o ambiente político em Washington, nove meses após o ataque.

Os democratas prometeram investigar a fundo o episódio, quando centenas de apoiadores de Trump derrubaram barricadas, atacaram policias e invadiram a sede do Congresso para tentar impedir a sessão que confirmaria a eleição do democrata Joe Biden à presidência.

A invasão fez com que membros do Congresso, funcionários e jornalistas fossem retirados às pressas pela polícia, enquanto os apoiadores de Trump vandalizavam o edifício do Capitólio, quebrando janelas, invadindo escritórios e roubando computadores e outros itens.

“Inferno” em Washington

Bannon se recusou a cumprir intimações judiciais feitas por um comitê da Câmara que investiga o ataque. Os parlamentares exigiam que ele comparecesse na semana passada para prestar depoimento e entregasse documentos que poderiam jogar luz sobre o ocorrido.

Bannon justificou sua ausência mencionando uma carta de um dos advogados de Trump que pediam que ele não respondesse aos questionamentos dos senadores. Isso, segundo alegou, estaria associado ao chamado “privilégio executivo” de Trump, algo que muitos juristas contestam.

O comitê do Senado considera que, embora ele não trabalhasse na Casa Branca à época do ataque, o direitista promoveu os protestos que levaram à invasão em seu podcast e previu que haveria tumultos. Na véspera do incidente, ele disse que a situação em Washington se transformaria em um “inferno”.

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Os parlamentares ressaltaram que Bannon foi o único a não acatar a intimação, enquanto mais de uma dúzia de outras testemunhas estariam colaborando, ou ao menos, negociando com o comitê. Muitos no Congresso acreditam que as declarações de Bannon deixam claro que ele sabia e até poderia estar envolvido no planejamento das ações.

O comitê espera que a punição, que prevê até um ano de prisão e multa de 100 mil dólares, contribua para que outras 18 pessoas que foram intimadas colaborem com as investigações.

O ataque resultou na morte de quatro pessoas, além de um policial que perdeu a vida no dia seguinte, em consequência de ferimentos sofridos durante a invasão. Centenas de policias ficaram feridos e quatro deles acabaram cometendo suicídio.

Trump continua a insistir, sem apresentar provas, que sua derrota eleitoral ocorreu em razão de fraude eleitoral. Entretanto, vários tribunais, órgãos eleitorais, e até ex-membros do próprio governo republicano negaram essa hipótese.

Proximidade com o clã Bolsonaro

Bannon possui ligações com a família do presidente Jair Bolsonaro, e esteve em mais de uma ocasião com membros do alto escalão do governo brasileiro durante visitas oficiais aos Estados Unidos.

Ele manteve contatos com o blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, que é alvo de um mandado de prisão temporária emitido pelo STF, mesmo depois de ter fugido para os EUA.

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