Administração judicial é relacionada a suicídio e a documento falso – Claudio Tognolli

Depois que este portal revelou com exclusividade suspeitas sobre o trabalho do advogado Sérgio Mourão Corrêa como administrador judicial de empresas falidas, a filha de um empresário que se suicidou enviou à reportagem um e-mail relacionando a morte do pai aos métodos de Corrêa.

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O caso em questão foi o da falência da empresa O Clássico Jóias, uma joalheria fundada em Belo Horizonte na década de 1960 pelo empresário Joel Capium, que se suicidou em 2006 durante o curso dos procedimentos conduzidos pelo administrador judicial.

No e-mail enviado a este portal, Mara Capium, filha de Joel, relata que a joalheria tinha apenas tido o pedido de concordata aceito quando sofreu um assalto em que foram sequestrados o gerente do comércio e sua filha. Apesar de todo o estoque da loja ter sido roubado, o dono comemorou a soltura do funcionário e da menina.

A Justiça decidiu então substituir o síndico original do caso por Corrêa, que passou a acusar Joel Capium de ter armado o assalto, sem jamais ter provado essas afirmações. O resultado é que Corrêa conseguiu bloquear bens e fazer com que as possibilidades de recuperação da família diminuíssem ainda mais.

A filha do empresário morto também relata que, para ganhar a vida após o assalto que decretou o fim definitivo da Clássico Joias, Joel Capium abriu uma loja de bijuterias, material barato e muito inferior às jóias vendidas pela Clássico. Mesmo assim, Corrêa acusou o empresário de ter desviado o estoque da joalheria para a nova loja, novamente sem provar. O advogado chegou, inclusive, a fazer as acusações na imprensa.

O resultado foi que o novo negócio rapidamente não deu certo. Em profunda depressão, o empresário pulou do apartamento da filha, no quarto andar de um prédio de Belo Horizonte.

*Documento falso*
Em depoimento prestado à Justiça de Minas Gerais, ao qual este portal teve acesso, uma funcionária da Clássico Jóias relatou ao juiz Marco Aurélio Chaves de Albuquerque que Corrêa só aceitou devolver sua carteira de trabalho após ela escrever e assinar uma declaração relatando irregularidades na Clássico Jóias das quais ela não tinha conhecimento.

O mesmo procedimento foi usado, segundo a funcionária, com outras duas trabalhadoras da Clássico Jóias, que também precisavam ter de volta a carteira de trabalho. No depoimento, a funcionária ainda diz que os filhos de Joel Capium nunca trabalharam na joalheria.

*Na mira das autoridades*
Esse não é o único caso que coloca em xeque a opção da Justiça de confiar a Corrêa a responsabilidade de estar à frente de administrações judiciais.

Em janeiro deste ano, este portal publicou com exclusividade o áudio de uma conversa em que Corrêa afirma a um empresário que pode produzir provas mais ou menos favoráveis dependendo de como for a relação entre eles. A gravação foi considerada como prova válida pelo Ministério Público ao pedir a destituição de Corrêa como administrador do caso Probank, uma das falências de maior repercussão nacional dos últimos anos.

“Eu tenho que justificar com base em dados concretos, com base em provas. Por isso a gente tem que fazer… A gente tem que produzir algumas provas. Se a gente estiver de lados opostos, obviamente que a minha… O escopo da minha prova vai ser um. Se a gente estiver trabalhando em conjunto, o escopo da minha prova é outro”, afirmou no diálogo o administrador judicial.

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*Suspeitas antigas*
Depois, este portal teve acesso a novos documentos que mostraram que as suspeitas sobre a atuação de Corrêa em administrações judiciais começaram ainda na década de 1990. De acordo com declarações do juiz Fernando Humberto dos Santos, dadas em depoimento à Polícia Civil, atitudes de Corrêa levaram uma massa falida que estava em recuperação judicial ao “caos econômico e financeiro”. O juiz afirmou que o advogado adotou um “estratagema” que impediu uma empresa de se recuperar judicialmente.

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