Resumo de segunda (05/04/2021) | Claudio Tognolli

Resumo de segunda(05/04/2021)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Liberação de cultos contraria prefeitos e ministros do STF

CORREIO BRAZILIENSE: Vacinação começa hoje nas forças de segurança do DF

O ESTADO DE S.PAULO: Vacinação de prioritários deve ser concluída só em setembro

O GLOBO: Com nova onda, 18 governos fecham estaduais e particulares

Valor Econômico: Grandes empresas têm fôlego para enfrentar a pandemia

Resumo de manchetes

A manchete da Folha é sobre a decisão do ministro Kassio Nunes Marques de liberar missas, cultos e atividades religiosas coletivas. Segundo o jornal, isso teria incomodado seus colegas do STF (Supremo Tribunal Federal) e contrariado os prefeitos, haja vista que o pleno da Corte havia decidido em sentido contrário a liminar concedida por Kassio. Em conversas reservadas, outros ministros avaliaram que a decisão representa um mau sinal emitido pelo Supremo à sociedade em meio ao esforço para reduzir os números recordes que a pandemia da Covid-19 tem registrado no país nas últimas semanas. Prefeitos iniciaram um movimento para pressionar o presidente da corte a reverter a decisão do colega. O presidente da Frente Nacional dos Prefeitos, Jonas Donizette, usou as redes sociais neste domingo para pedir que o STF se manifeste sobre a decisão do ministro Kassio. “No entanto, pedimos ao STF e ao presidente Luiz Fux que se manifeste urgentemente, orientando qual decisão precisa ser seguida […] A decisão do plenário, que determinou que os municípios têm prerrogativa de estabelecer critérios de abertura e fechamento das atividades em seus territórios ou essa liminar?”, disse Donizette. A manchete do Correio informa que policiais militares e civis, bombeiros, agentes penais, pessoal do Detran e DER e de outras categorias que atuam na segurança no Distrito Federal começam a ser imunizados hoje contra a covid-19. O Estadão em sua manchete revela que os grupos prioritários, que somam 77,2 milhões de pessoas, não devem estar imunizados com as duas doses contra a covid antes de setembro, quando o País começa a produzir a matéria-prima (IFA) da vacina de Oxford/AstraZeneca. A previsão foi feita por especialistas ouvidos pelo Estadão. Qualquer estimativa mais otimista, avaliam, depende que a vacinação engrene e alcance pelo menos 1 milhão de pessoas por dia, sem interrupções. Esse número foi atingido pela primeira vez na quinta-feira passada, mas no dia seguinte o ritmo voltou ao patamar de 300 mil diários. O Programa Nacional de Imunização (PNI) tem capacidade para vacinar 2 milhões por dia, mas precisa ter doses disponíveis. Como não foram garantidos pelo governo federal no ano passado, ao contrário do que fizeram os Estados Unidos, por exemplo, tanto imunizantes quanto a matéria-prima estão agora escassos e disputados em todo o mundo. Diante desse cenário, o número de doses disponíveis é constantemente revisado para baixo pelo Ministério da Saúde – neste mês, a expectativa caiu de 40 milhões para 25 milhões de doses. O Globo informa em manchete que atualmente, o país vive com menos escolas abertas desde que o retorno às aulas presenciais começou em julho passado. Em resposta à escalada do Covid, 23 redes estaduais têm apenas educação remota, e 19 estados proíbem atividades em escolas privadas. No Rio, escolas particulares e estaduais estão liberadas para funcionar a partir de hoje. A Justiça suspendeu a reabertura das municipais. O Valor mostra em manchete que as empresas com capital aberto estão mais preparadas para enfrentar os impactos da nova onda da pandemia da covid-19, pelo menos em termos financeiros. Um levantamento do Valor Data com 339 companhias mostra que elas atravessaram uma das piores crises da história com seus balanços inteiros. No conjunto das empresas, a situação em dezembro passado era melhor que no mesmo mês em 2019.

Notícia do dia: Responsável pela ação que levou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques a liberar cultos religiosos presenciais, a Associação Nacional de Juristas Evangélicos (Anajure) já teve um pedido contra medidas de restrição negado por unanimidade pelo plenário da Corte, em fevereiro, sob o argumento de que a instituição não tem legitimidade para acionar o tribunal. Na ocasião, Nunes Marques acompanhou o voto do relator, Alexandre de Moraes, pelo arquivamento do caso. A associação mirou decretos municipais de toque de recolher noturno. “A jurisprudência do STF exige, para a caracterização da legitimidade ativa das entidades de classe e confederações sindicais nas ações de controle concentrado de constitucionalidade, a representatividade de categoria empresarial ou profissional. Sob esse enfoque, a Associação Nacional de Juristas Evangélicos carece de legitimidade para a propositura da presente arguição, na medida em que congrega associados vinculados por convicções e práticas intelectuais e religiosas”, entendeu em 12 de fevereiro Moraes, que foi acompanhado pelos colegas. O ministro também citou que para ter legitimidade a associação precisaria ainda se enquadrar em outros critérios, como abrangência ampla com representação de toda uma categoria e não apenas de uma fração dela, e caráter nacional de representatividade, o que significa ter presença em pelo menos nove estados brasileiros. Outro argumento foi que arguições de descumprimento de preceito fundamental (ADPF), como propôs a associação, só é cabível depois de esgotadas todas as vias possíveis para sanar a lesão a preceitos fundamentais da Constituição.

Notícias de 1ª página

Reação a Nunes Marques – A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kássio Nunes Marques liberando cultos religiosos presenciais gerou insatisfação nos bastidores. Ministros ouvidos pelo GLOBO querem que o presidente, Luiz Fux, leve o tema ao plenário assim que possível. Há preocupação com o risco de aglomerações em igrejas no pior momento da pandemia do coronavírus. — Não temos expertise na área (de saúde) e nem somos Executivo — disse o ministro Marco Aurélio, que discorda da decisão de Nunes Marques. Para ministros da Corte ouvidos pelo GLOBO, a decisão, proibindo que estados e municípios suspendam completamente celebrações religiosas, vai contra o entendimento do plenário do STF de que os entes da federação têm autonomia para decidir sobre as restrições na pandemia. O ministro Gilmar Mendes é relator de uma ação semelhante, também pedindo a liberação de cultos, proposta pelo PSD. Uma das estratégias aventadas nos bastidores é que Gilmar dê uma decisão rejeitando o pedido, forçando que o tema seja tratado pelo plenário. A interlocutores, Luiz Fux disse que cabe ao relator, Nunes Marques, liberar a ação para ser pautada em plenário, o que só deve ocorrer após a Procuradoria-Geral da República (PGR) ser ouvida no processo. Marco Aurélio afirma que a PGR poderia ser ouvida durante a sessão e que Fux poderia avocar já o processo para o plenário, opinião partilhada também por outros ministros ouvidos pelo GLOBO em reservado. — Para o relator atuar não foi preciso. Para o colegiado maior será? Enquanto isso tem-se espaço para contágio. Aonde vamos parar? — questionou Marco Aurélio. Através de sua assessoria, o ministro Luiz Fux disse que não iria se pronunciar sobre a ação.

Governadores mantêm planos próprios contra covid – Mesmo com a criação de um comitê nacional de combate à pandemia de covid-19 – colegiado sob coordenação do presidente Jair Bolsonaro –, governadores sustentam que ainda não conseguiram abrir um canal de diálogo com o governo federal. Sem interlocução e em constante embate com o Palácio do Planalto, Estados acionaram organismos internacionais e estabeleceram estratégia própria para comprar vacinas e promover o intercâmbio de insumos. Em decisão articulada no Fórum dos Governadores e sem aval do Planalto, os consórcios de governadores do Norte e Nordeste enviaram cartas ao diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, e à diretora da Organização Pan-americana da Saúde (Opas), Carissa Etienne, pedindo a revisão dos critérios usados para distribuição de vacinas do Covax Facility. O Covax Facility é uma iniciativa da OMS, da Coalizão para Promoção de Inovações em prol da Preparação para Epidemias e da Aliança Mundial para Vacinas e Imunização, em parceira com a Unicef. O objetivo do consórcio global é acelerar o desenvolvimento e a fabricação de vacinas contra a covid-19 e garantir acesso igualitário à imunização. A entrega dos imunizantes ao Brasil ficou a cargo do Fundo Rotatório da Opas. Em outra frente, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), enviou um ofício ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Antonio Guterres, no qual afirma que o Brasil vive uma situação “dramática” em relação à pandemia e solicita a antecipação da entrega de vacinas da Covax Facility. Nenhuma das iniciativas teve participação do governo federal.

Igrejas devem R$ 1,9 bilhão em tributos – Beneficiadas com um perdão de dívidas concedido sob a bênção do presidente Jair Bolsonaro, as igrejas acumulam R$ 1,9 bilhão em débitos inscritos na Dívida Ativa da União (DAU). O Estadão/Broadcast teve acesso a uma planilha que detalha os tributos devidos pelas instituições religiosas. Algumas delas deixaram de pagar à União até mesmo a contribuição previdenciária e o Imposto de Renda já descontados do salário dos empregados. Cerca de R$ 1 bilhão dessa dívida corresponde a débitos previdenciários não especificados, isto é, podem ser tanto a parcela devida pelo empregador quanto a parte recolhida em nome do empregado. Outros R$ 208 milhões do montante são contribuições patronais inadimplentes. Os valores incluem débitos em fase de cobrança, negociados em algum tipo de parcelamento ou até mesmo suspensos por decisão judicial. Há ainda R$ 4 milhões em contribuições que as igrejas descontaram da remuneração de seus funcionários, mas não repassaram ao INSS. Deixar de repassar à Previdência a contribuição dos contribuintes configura apropriação indébita, um crime previsto no Código Penal e punido com dois a cinco anos de reclusão, além de multa. Os valores consideram apenas as cobranças sob responsabilidade da Procuradoria-geral da Fazenda Nacional (PGFN), sem incluir os débitos ainda em fase administrativa, que tramitam na Receita Federal.

Drive-thru de Páscoa – A missa de Domingo de Páscoa em Curitiba foi celebrada pelo padre Reginaldo Manzotti do lado de fora da igreja, em sistema de drive-thru. A prefeitura de Belo Horizonte e o Cidadania acionaram ontem o STF para derrubar decisão do ministro Kassio Nunes Marques que liberou cultos e missas. Entendimento do ministro provocou críticas e deve ser revisto pela Corte.

Leilão de aeroportos deve atrair ao menos sete investidores – Mesmo em meio à maior crise do setor aeroportuário no mundo, a sexta rodada de concessão de aeroportos do governo federal, que será realizada nesta quarta-feira, deverá ter disputa nos três blocos da licitação. Devem apresentar ofertas por ao menos um dos três lotes tanto grandes grupos que já administram aeroportos no Brasil — caso de Aena, Vinci, CCR, Inframérica e Socicam — quanto interessados em entrar na área, como a gestora de fundos Pátria e a operadora francesa ADP. O leilão será o maior do setor aeroportuário em número de ativos já realizado, são 22 aeroportos divididos em três blocos. Primeiro grande leilão de infraestrutura do governo federal neste ano, ele será um teste para avaliar o impacto que o agravamento da pandemia e as turbulências políticas do governo Jair Bolsonaro podem ter nas concessões previstas para 2021. Os aeroportos serão divididos em blocos Sul, Norte e Central. O Sul é formado por nove aeroportos, puxado por Curitiba. Sete compõem o bloco Norte, incluindo Manaus, Porto Velho, Boa Vista e Rio Branco. E outros seis formam o bloco Central, entre eles Goiânia, Palmas, São Luís e Teresina. Em um único dia, o governo vai repassar à iniciativa privada a mesma quantidade de aeroportos (22) que foram licitados nos últimos anos, em que pese o fato de os terminais terem portes diferentes.

Relator da Lava-Jato diz que reação dos políticos é global – Abel Gomes, relator da Lava-Jato do Rio no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), surpreendeu o Judiciário ao pedir aposentadoria na semana passada — em 62 anos, 13 antes da saída compulsória. Embora a razão alegada seja de natureza para ter tempo de se dedicar a outros projetos, o gesto veio dias após as decisões tomadas pelo STF que esvaziaram a força da Lava Jato no país, como a suspeição do ex-juiz Sergio Moro no caso do tríplex do Guarujá e a anulação das condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na Polícia Federal não vai passar boiada, diz delegado – A maior apreensão de madeira da história do Brasil virou motivo de atrito entre a Polícia Federal e Ricardo Salles (Meio Ambiente). O ministro foi na quarta-feira (31) ao Pará, onde fez uma espécie de verificação da operação. Salles aponta falhas na ação e tem dito que há elementos para achar que as empresas investigadas estão com a razão. Em entrevista à Folha, o chefe da PF do Amazonas, Alexandre Saraiva, 50, diz que é a primeira vez que vê um ministro do Meio Ambiente se manifestar de maneira contrária a uma ação que visa proteger a floresta amazônica. “É o mesmo que um ministro do Trabalho se manifestar contrariamente a uma operação contra o trabalho escravo”, afirma. A apuração do caso está sob seu comando. Saraiva declara que tudo que foi apreendido desde dezembro do ano passado, mais de 200 mil metros cúbicos de madeira, é produto de ação criminosa. Ele afirma também que as empresas até agora não apresentaram documentos requisitados pela PF. É como se um carro fosse parado na estrada, a polícia pedisse o documento, e o condutor não tivesse em mãos ou entregasse um sobre um Fusca, quando estava dirigindo um Chevette, afirma o delegado, que concluiu seu doutorado sobre o tema em fevereiro. “Se a documentação estiver dentro da lei, liberaremos a madeira na hora. A possibilidade de isso acontecer, na minha opinião, é perto de zero.” Há mais de dez anos ocupando cargos de superintendente na PF (Roraima, Maranhão e Amazonas, agora), ele diz que as investigadas na ação não podem nem ser chamadas de empresas. “Trata-se de uma organização criminosa.” “Na Polícia Federal não vai passar boiada”, diz, usando termo utilizado por Salles em reunião ministerial do ano passado.

Orçamento favorece áreas ligadas ao bolsonarismo – Apesar de não ter recursos suficientes para despesas obrigatórias e prestação de serviços públicos até o final do ano, o Orçamento de 2021, aprovado pelo Congresso, favoreceu programas ligados ao bolsonarismo, que ganharam mais verba. Áreas como segurança pública, proteção à vida e fortalecimento da família, defesa nacional e desenvolvimento regional, que cuida de obras, ampliaram o espaço no Orçamento após acordos partidários no Congresso, que também envolveram a ala política do governo. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) abraçou projetos regionais de infraestrutura numa estratégia que visa a reeleição em 2022. São obras de portes distintos, como irrigação, saneamento, casas populares. São temas que geram ganhos políticos também ao presidente. A relação dele com essa área mudou principalmente a partir do segundo ano de mandato, quando Rogério Marinho, ex-deputado e que se aproximou de Bolsonaro, foi transferido da secretaria que cuidou da reforma da Previdência no Ministério da Economia para comandar a pasta de Desenvolvimento Regional. Para 2021, o Orçamento aprovado retirou dinheiro de despesas obrigatórias, inclusive de aposentadorias e demais benefícios previdenciários, para inflar a verba para emendas parlamentares, destinadas principalmente para obras de infraestrutura. Também foram cortados os recursos para programas antagônicos ao bolsonarismo. É o caso das áreas de política externa, transparência, agricultura sustentável e ações ligadas a mudanças climáticas.

Auxílio de 2021 corresponde a 15% do pago em 2020 – Após um vácuo de três meses sem repasses, o governo federal inicia nesta semana os pagamentos da nova rodada do auxílio emergencial. Retomado na fase mais aguda da pandemia, com recordes de mortes e avanço de medidas restritivas nas cidades, o programa deste ano vai liberar o equivalente a 15% da assistência de 2020. Os depósitos aos beneficiários serão feitos a partir de terça-feira (6) para nascidos em janeiro e seguirão a ordem das datas de nascimento. Para os recebedores do Bolsa Família, será mantido o calendário original do programa social, com pagamentos a partir de 16 de abril. Uma nova rodada do auxílio em 2021 não estava no roteiro do governo. O plano inicial da equipe econômica previa uma redução gradual das parcelas, acompanhando os sinais de enfraquecimento da pandemia. O programa seria encerrado em dezembro e interligado a um Bolsa Família reformulado e mais robusto. Alvo de veto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o novo programa social acabou na gaveta e 2021 começou sem nenhum tipo de socorro emergencial aos trabalhadores informais.

Procurador-geral abre investigações que não evoluem – O procurador-geral da República, Augusto Aras, determinou a abertura de uma série de apurações preliminares para averiguar a conduta do presidente Jair Bolsonaro, de dois dos seus filhos, do ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Augusto Heleno, e do general Eduardo Pazuello, ex-titular da Saúde, além de outros nomes do alto escalão bolsonarista. Integrantes da Procuradoria-Geral da República criticam o fato de as apurações não avançarem. E afirmam que a medida se tornou uma estratégia de Aras para dar uma resposta aos erros do governo federal sem, contudo, perder o controle nem dar visibilidade aos casos. Entre os casos mais relevantes, o chefe do Executivo motivou ao menos 13 investigações dessa natureza —6 ainda estão em tramitação e 7 já foram arquivadas. No caso do seu filho 03, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), outro com número significativo de situações analisadas, são ao todo seis, mas apenas uma ainda está aberta e as demais já foram encerradas. Das apurações preliminares abertas pela PGR contra Bolsonaro e seu entorno, apenas uma delas resultou até aqui em inquérito. Em janeiro, após aumentar a pressão contra Pazuello por indícios de que sabia que estava prestes a eclodir um colapso no sistema de saúde no Amazonas, Aras instaurou uma apuração preliminar contra o então ministro da Saúde e requisitou informações sobre o ocorrido. O procurador-geral analisou o ofício de mais de 200 páginas do Ministério da Saúde sobre o caso e considerou necessária a abertura de inquérito junto ao Supremo. O ministro Ricardo Lewandowski autorizou a instauração da investigação, mas determinou seu envio à Justiça Federal em Brasília, após Pazuello deixar a Saúde e perder a prerrogativa de foro. O caso também deixa de ser atribuição da PGR.

Em UTI de Covid, cresce prática de amarrar pacientes – A superlotação de UTIs com leitos para Covid-19 intensificou a adoção de uma prática arcaica nesses ambientes hospitalares: a amarração às camas dos dois braços de pacientes intubados, como forma de evitar uma reação agressiva e danosa no momento de retomada da consciência. A prática é chamada de contenção mecânica. Embora esteja longe de ser considerada recomendável ou mesmo aceitável por especialistas em medicina intensiva, é usual há anos em UTIs, segundo três intensivistas. O método acaba sendo usado para evitar prejuízos graves à saúde dos pacientes. É um mal necessário, segundo os médicos. A pandemia, por um conjunto de fatores, tornou a contenção ainda mais usual em UTIs.

Doentes, grávidas dão à luz intubadas e sedadas – A letalidade da doença entre grávidas avançou neste ano. O número parece pequeno perto das mais de 300 mil vítimas brasileiras da pandemia, mas, proporcionalmente, chama atenção: em menos de três meses de 2021, o coronavírus já matou quase metade do total de gestantes vítimas da doença no primeiro ano da enfermidade. Entre 3 de janeiro e 20 de março deste ano, 119 grávidas morreram de Covid no país, 47% das 252 gestantes vitimadas em 2020. A soma das mortes durante toda a pandemia é de 371 vítimas, segundo dados dos boletins epidemiológicos da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde. Ao todo, são 6.371 internações por Covid nesse grupo de mulheres desde o começo da crise. O segundo ano da pane sanitária registrou 1.491 dessas hospitalizações (23,5%). Já as 119 mortes reportadas correspondem a 32% da mortandade total. Ou seja, aumentou a porcentagem de grávidas que não se recuperaram. A faixa etária que mais apresenta complicações é a de 30 a 39 anos, e as mulheres negras prevalecem entre os quadros graves. A maioria das internações acontece no trimestre final da gravidez.

Médicos pedem adesão diante de esgotamento – Médicos da linha de frente do combate à Covid-19 vivem uma segunda pandemia em paralelo, caracterizada pelo esgotamento físico, mental e emocional. “Nesse momento, não há respiro para os médicos, uma vez que a demanda é muito grande no país. Médicos e profissionais de saúde estão muito cansados porque o enfrentamento diário é cansativo e o número de mortes é impactante. Não é uma doença fácil de se lidar. Muitos médicos e profissionais de saúde estão desistindo de trabalhar com Covid-19, pedindo afastamento ou indo para outras áreas, e não querem mais trabalhar em CTI [Centro de Terapia Intensivo]”, afirma Alberto Chebabo, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia. Segundo a pesquisa nacional “Os Médicos e a Pandemia de Covid-19”, feita pela AMB (Associação Médica Brasileira) e divulgada em fevereiro deste ano, 42,5% dos médicos relataram que nas unidades em que atuam há sobrecarga de trabalho e os profissionais apresentaram mudanças bruscas de humor (25%), exaustão física ou emocional (39,5%), estresse (45,2%), dificuldade de concentração (19,8%) e ansiedade (46,6%). Metade deles, de acordo com o estudo, não vê na população a adesão às medidas de combate ao coronavírus, 45% destacam a falta de uso de máscaras, 13,3%, a falta de distanciamento físico e 10,6%, a presença em aglomerações, reuniões, festas e confraternizações em bares e restaurantes. “É preciso mostrar que nós, os profissionais, estamos cansados para servir como alerta para as pessoas. Sentimos uma dor na alma que vem para o nosso corpo. As pessoas precisam se conscientizar, ter a noção de que a doença é letal e entender a gravidade”, diz Siqueira.

Destaques

Recém-exonerado diz que não pôde aceitar imposições equivocadas – Exonerado na semana passada da presidência da Funarte, o coronel da reserva do Exército Lamartine Barbosa Holanda escreveu carta de despedida em que lista o que chama de “imposições equivocadas” da gestão de Mario Frias, secretário especial da Cultura do governo federal, as quais diz que não pôde aceitar. “Nomeação de pessoal sem correta análise do perfil profissiográfico”, descompromisso com pequenos produtores e propostas equivocadas de parcerias público-privadas de equipamentos como o Teatro Cacilda Becker (RJ) e o Teatro Brasileiro de Comédia (SP) foram alguns dos problemas listados por Holanda em seu texto. “A cultura é movida pela emoção e não podemos comparar equipamentos culturais da Funarte com um trecho de estrada a ser privatizado. A cultura tem artistas, palcos, som, iluminação e alma, muito diferente de praças de pedágio, asfalto e piche”, escreveu o coronel, o quinto presidente da Funarte no governo Bolsonaro. Holanda afirma que não aceitaria que um equipamento público fosse transferido “para as mãos de grupos especializados em reformas de patrimônios públicos para posterior exploração econômica”, o que prejudicaria os “pequenos produtores culturais em favor dos grandes grupos.” Ele disse à Folha que se colocou contra a privatização de equipamentos culturais públicos sem a participação da Funarte, pois desta forma faltariam oportunidades para os produtores culturais pequenos acessarem a máquina pública, segundo ele. Na carta, ele afirma que Frias “permaneceu de costas” para a Funarte, e que várias ações de fomento e preservação estiveram ameaçados desde setembro de 2020 (quando Barbosa assumiu a presidência) devido à falta de compreensão da importância da autarquia.

Operadores dos Bolsonaros ganham holofotes e polêmicas – Com os quatro filhos investigados, o presidente Jair Bolsonaro tem à sua disposição auxiliares que defendem a família juridicamente em crises, oficial ou extraoficialmente, além de atuar para viabilizar seus interesses. Sem remuneração ou cargos oficiais, eles ganham acesso ao governo e prestígio no mundo externo, ao ostentar a relação próxima ao presidente. Também brigam entre si na disputa para ver quem tem mais influência sobre a família. Entre os que protagonizam tal disputa estão dois integrantes da cúpula da Aliança pelo Brasil, partido que Bolsonaro quer criar: o advogado e empresário Luís Felipe Belmonte, vice-presidente, e a advogada Karina Kufa, tesoureira da legenda. Se Belmonte se aproximou de Bolsonaro por intermédio de Karina, hoje eles só falam o necessário entre si. Segundo pessoas próximas, com o partido empacado e sem as assinaturas necessárias para sair do papel, Belmonte acusa Karina de deixar a Aliança de lado e diz que ela não tem mais acesso ao governo. Karina afirma que é justamente o oposto: diz que ainda advoga em nome do presidente em 17 ações cíveis, eleitorais e criminais. Procurada pela Folha, ela não quis se manifestar. Outro personagem que andou deslocado deste cenário, mas voltou a ganhar protagonismo em Brasília é o advogado Frederick Wassef. Há cerca de oito meses, ele anunciou que deixaria a defesa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), primogênito do presidente, no caso das “rachadinhas”. Porém, reapareceu nas sessões de julgamento dos recursos de Flávio sobre a quebra de sigilo bancário e fiscal e de compartilhamento de dados do Coaf no STJ (Superior Tribunal de Justiça), em 23 de fevereiro e 16 de março. Recentemente, ele também se colocou como advogado da mais nova investigação contra a família, desta vez envolvendo Jair Renan e sua empresa Bolsonaro Jr Eventos e Mídia. A Polícia Federal abriu investigação em março, a pedido do Ministério Público Federal, para analisar se a empresa exerceu tráfico de influência junto ao governo federal. O único desse grupo com cargo no governo é Joel Novaes da Fonseca, assessor especial da Presidência e também integrante do diretório da Aliança. O funcionário, que trabalhou na Câmara dos Deputados para Jair Bolsonaro, em 2016 e 2018, e Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), em 2015 e 2017, também apareceu no recente caso envolvendo o filho 04. Ele fez o pedido e esteve na audiência de um grupo de empresários do ramo das construções que doou um carro para a empresa de Jair Renan com o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, no dia 13 de novembro do ano passado. Na ocasião, o grupo apresentou ao ministro um projeto de casas populares construídas com pedras. Joel é marido e pai das donas da Locar 1000, empresa de aluguel de carros com uma sala em Brasília. No ano passado, os deputados bolsonaristas Helio Lopes (PSL-RJ), Bia Kicis (PSL-DF) e Major Vitor Hugo (PSL-GO) repassaram, respectivamente, R$ 80 mil, R$ 62,5 mil e R$ 38 mil à empresa. Procurado pela reportagem, o assessor especial não respondeu às perguntas enviadas por e-mail funcional. Enquanto os personagens citados anteriormente passam por um ioiô entre altas e baixas com o presidente, um nome que vem ganhando protagonismo é um dos idealizadores da Aliança e que se autointitula marqueteiro do partido: o publicitário Sérgio Lima. Dono até o ano passado de uma pequena agência de comunicação, a S8 Sampa, Lima se uniu a Luís Belmonte para estruturar a Aliança, e tem se tornado figura constante no Planalto. Belmonte deu ajuda financeira à empresa do publicitário, que foi comprada pela agência Nova SB. A Nova SB tem ganhado contratos milionários com o governo. Assim como Belmonte, Lima também está na lista dos investigados no inquérito dos atos antidemocráticos, aberto no STF (Supremo Tribunal Federal) para investigar bolsonaristas responsáveis por manifestações que pediram o fechamento da corte e do Congresso.

Empresa ligada a apoiador de Trump fecha contratos com governo Bolsonaro – A chegada de Jair Bolsonaro à Presidência em 2019 marcou uma guinada nos negócios de uma empresa ligada a Daniel Beck, apoiador militante do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump que esteve em Washington durante a invasão ao Congresso americano, em janeiro passado. Registros obtidos pela Folha mostram que, em janeiro de 2019, começo do governo Bolsonaro, Daniel e familiares mudaram o objeto social de sua empresa nos EUA, de prestação de serviços de publicidade para negócios voltados à área de segurança no Brasil. Surgiu, assim, a Combat Armor Defense, que hoje atua com blindagem e venda de veículos, e já firmou alguns milhões de reais em contratos com o governo federal. Entre os clientes estão a Polícia Rodoviária Federal e o Ministério da Defesa. O dono de uma empresa brasileira conhecida do setor, que competiu com a empresa de Beck em um desses pregões, disse à Folha ter ficado surpreso com o sucesso repentino da concorrente, uma empresa tão nova e com fábrica recém-aberta.

Operador da reforma ministerial, Ramos ganha poder – As mudanças no Ministério do governo de Jair Bolsonaro trouxeram à tona a influência de um amigo do presidente desde os tempos da Escola de Cadetes do Exército. O general da reserva Luiz Eduardo Ramos operou, em parceria com o também general Walter Braga Netto, a missão dada por Bolsonaro de demitir a cúpula das Forças Armadas e consolidar a aliança com o bloco dos partidos do Centrão. Foi num encontro no último domingo de março, na casa de Braga Netto, em Brasília, que Bolsonaro decidiu substituir o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, e o comandante do Exército, Edson Pujol. Ramos, então titular da Secretaria de Governo, estava presente. A troca abalou a caserna e alterou as posições de poder no governo. Braga Netto foi nomeado para a pasta militar e Ramos herdou a cadeira do amigo na chefia da Casa Civil. Na prática, a dupla resolveu a crise no Ministério da Defesa por meio de conceitos e procedimentos militares, de Estado-Maior. Para conter o descontentamento com a saída de Azevedo e Silva, de Pujol e dos então comandantes da Marinha, Ilques Barbosa, e da Aeronáutica, Antônio Carlos Bermudez, Braga Netto e Ramos trataram de fazer uma gestão de redução de danos: montaram a sucessão em menos de 24 horas com nomes respeitados tanto pelas tropas quanto pelos Altos Comandos. Interlocutores do Palácio do Planalto observam que a dupla formada pelo bonachão Ramos e pelo reservado Braga Netto demonstrou, nos últimos meses, entrosamento nas “missões” ordenadas por Bolsonaro. Como consequência da operação discutida naquele domingo, os dois generais ficaram com ministérios estratégicos.

Morre ministro aposentado do STJ – O ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Paulo Medina, morreu em decorrência da covid-19, no último sábado, em Belo Horizonte. Ele tinha 79 anos. Em nota de pesar, o ministro Humberto Martins, presidente do STJ, lamentou a perda. “O Superior Tribunal de Justiça presta suas condolências à família do ministro Paulo Medina, que atuou no tribunal por nove anos. Que Deus, em sua infinita misericórdia, console a todos pela inestimável perda”, diz o texto.

Robôs entram em ação para ajudar o presidente – Março foi um dos meses em que a popularidade do presidente Jair Bolsonaro mais oscilou desde que ele assumiu o Palácio do Planalto, em 2019. O recrudescimento da pandemia da covid-19 no país, que tornou o último mês o mais letal da crise sanitária, com 66.573 mortes, foi um dos principais fatores para a má avaliação do chefe do Executivo. Também contribuíram para impopularidade a demora do governo em disponibilizar mais vacinas à população e algumas condicionantes políticas, como a mudança no comando do Ministério da Defesa, que desencadeou uma reformulação em todas as Forças Armadas. Mas em meio a esse cenário negativo para Bolsonaro, cresceu a quantidade de interações no Twitter de perfis considerados inautênticos em favor do presidente. Segundo levantamento feito pelo Correio com base em números da plataforma Bot Sentinel, que analisa publicações feitas na rede social por robôs, o número de postagens com hashtags de apoio a Bolsonaro deram um salto vertiginoso entre fevereiro e março. Se, há dois meses, a ferramenta mapeou pelo menos 1.392 posts produzidos por bots bolsonaristas, no mês passado foram contabilizados, no mínimo, 49.302. O crescimento foi de 3.441%. Dentre as publicações feitas pelos robôs, destacaram-se hashtags que enaltecem o trabalho desempenhado pelo mandatário. Houve, por exemplo, mais de 15,2 mil publicações com #opovoestacombolsonaro, #bolsonaroheroidobrasil, #contecomigobolsonaro, #bolsonarotemrazao e #vaipracimapresidente. Além disso, foram bastante comuns posts pedindo que Bolsonaro seja reeleito no ano que vem. Tags como #bolsonaro2022, #bolsonaroate2026, #bolsonaropresidenteate2026 e outras variantes apareceram em aproximadamente 8,1 mil postagens.

Três meses depois daquele banho de mar – Se uma imagem vale mais do que mil palavras, as fotos de Jair Bolsonaro provocando aglomerações em Praia Grande (SP) nas suas férias de R$ 2,4 milhões são a síntese da conduta do presidente na tragédia das 331 mil mortes por covid-19. “Já dava para saber que chegaríamos a este ponto. Desde janeiro a gente está avisando: o que aconteceu em Manaus acontecerá no resto do Brasil”, diz a epidemiologista Ethel Maciel. Três meses depois do mergulho, a Baixada Santista conta seus mortos, e as projeções para o abril da pandemia no País são péssimas. A ocupação de leitos de covid-19 nos municípios da Baixada Santista está em torno de 80% e, em leitos de UTI, beirando os 90%, segundo dados oficiais. Na virada do ano, enquanto a ciência pedia restrições, Bolsonaro dizia que a pandemia estava no fim. Em Praia Grande, onde Bolsonaro tomou o banho de mar, havia, até sexta-feira passada, 2, quase 12,5 mil casos confirmados de covid-19. Desde o dia 1.º de janeiro, foram ao menos 119 mortes pela covid-19 na cidade, ante 313 de todo o ano passado. O vídeo do prefeito de Mongaguá, Márcio Melo Gomes (Republicanos), chorando a morte de familiares e defendendo medidas à restrição de circulação comoveu o País. As duas cidades são vizinhas. Nas mesmas férias de R$ 2,4 milhões, segundo dados obtidos oficialmente pelo deputado Elias Vaz (PSB-GO), Jair Bolsonaro também provocou aglomerações no litoral de Santa Catarina. Sempre sem máscara, obviamente. E a Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência agora quer convencer o País de que o presidente sempre adotou atitude responsável.

error: