Segundo o barômetro das violações à liberdade de imprensa estabelecido pela Repórteres sem Fronteiras (RSF), o primeiro semestre de 2018 já teve 47 mortos, entre os quais 36 jornalistas profissionais, 9 jornalistas cidadãos e 2 colaboradores de meios de comunicação. Diante desse balanço alarmante, a RSF intensifica suas missões de assistência.

Foi um início de ano sombrio para os jornalistas. Enquanto 2017 havia sido um dos anos menos mortíferos, os seis primeiros meses de 2018 foram marcados pela morte de 47 jornalistas e colaboradores de meios de comunicação. Entre os países mais mortíferos: o Afeganistão (11 jornalistas mortos), a Síria (7), o Iêmen (5) e o México (5). Diante dessa constatação dramática, a RSF confirma seu compromisso com os jornalistas ameaçados em seus países e multiplica suas ações de assistência. Cerca de 40% das bolsas oferecidas pela ONG ajudaram jornalistas em perigo a se realocar, buscando maior segurança. Apenas quatro países representam um terço do orçamento alocado pela RSF à assistência direta a jornalistas ao redor do mundo: o Afeganistão, a Síria, o Iêmen e o México.

Os jornalistas afegãos especialmente vulneráveis

Classificado em 118o de 180 no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa elaborado pela Repórteres sem Fronteiras, o Afeganistão foi palco de inúmeros atentados desde o início do ano. Onze jornalistas foram mortos desde janeiro e vários outros são permanentemente ameaçados pelos diferentes lados do conflito. Um de seus alvos preferidos são as mulheres jornalistas, especialmente vulneráveis num país onde a propaganda fundamentalista é aplicada em inúmeras regiões.

Desde março de 2017, a RSF apoia o Centro para a Proteção das Mulheres Jornalistas Afegãs (CPAWJ) do qual ela foi cofundadora. O centro tem como objetivo apoiar e proteger as mulheres jornalistas. Graças, em parte, ao apoio financeiro e moral da RSF, o CPAWJ registrou pela primeira vez todas as jornalistas e colaboradoras de meios de comunicação do país, ou seja, 1741, entre as quais, 764 jornalistas profissionais. Juntos, a RSF e o CPAWJ organizaram treinamentos de segurança física para elas e recomendaram ao governo e ao Parlamento que garantissem sua proteção, especialmente nas províncias mais distantes. Recomendaram ainda a elaboração de uma carta para a proteção das mulheres jornalistas dentro das redações.

Fugir da guerra

Síria e o Iêmen, que ocupam respectivamente a 177a e a 167a posições no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa, fazem inúmeras vítimas entre os raros jornalistas que ainda cobrem a região. Desde o início do ano, na Síria, um jornalista profissional, cinco jornalistas cidadãos e um colaborador foram mortos em bombardeios. No Iêmen, três jornalistas profissionais e dois jornalistas cidadãos foram mortos no primeiro semestre de 2018.

Nos dois países, verdadeiros buracos negros da informação, vários jornalistas não têm outra escolha, diante da ameaça, a não ser abandonar sua profissão, ou deixar o país. A esses jornalistas forçados a fugir, a RSF oferece um apoio específico, com o objetivo de permitir que estejam em segurança ou que supram suas necessidades mais urgentes quando acabam de sair. Eles representam, sozinhos, 20% dos beneficiários do apoio financeiro da RSF em 2018. Mais de três quartos das bolsas concedidas à região do Oriente Médio e da África do Norte dizem respeito a jornalistas desses dois países. No total, 15 jornalistas sírios e iemenitas receberam bolsas desde o início do ano: seis deles conseguiram estar em segurança em outro país, sete receberam apoio de primeiras necessidades para atender suas demandas mais urgentes no exílio e dois outros conseguiram garantir o pagamento de suas despesas médicas, entre os quais, Ahmed Abdelqader, diretor e fundador do jornal Aïn Ala al-Watan (“Um olho sobre a pátria”). Em 12 de junho de 2016, Ahmed Abdelqader sobreviveu a uma tentativa de assassinato, reivindicado pelo Estado Islâmico, na cidade de Urfa, no sudeste da Turquia. Atingido na mandíbula por vários tiros, o jornalista, desde então vem sofrendo de perda auditiva na orelha esquerda, recebeu um auxílio da RSF para pagar suas despesas hospitalares. Para escapar às persistentes ameaças, a RSF o ajudou a se refugiar em Istambul, enquanto era finalizado o seu procedimento de pedido de asilo. Graças ao apoio da RSF, desde outubro de 2016, ele mora na França.

Fugir da ameaça

Do outro lado do mundo, o México, 147o no Ranking da RSF, é considerado o país mais perigoso do continente americano para jornalistas. Em 2018, cinco deles já foram brutalmente assassinados. Quatorze outros foram ameaçados de morte desde o início do ano.

Alberto Escorcia é um deles. Esse jornalista recebeu várias ameaças depois do seu trabalho de investigação sobre os trolls no México, que atacam os jornalistas e ativistas. A RSF o ajudou a encontrar um local seguro fora do país. Uma ajuda direta que a RSF oferece em outros países da América Latina para auxiliar os jornalistas e, às vezes, suas famílias a fugir da ameaça. De um total de 10 bolsas dedicadas à região no primeiro semestre, a metade permitiu a relocação de dois jornalistas brasileiros, um mexicano, um hondurenho e um colombiano. Outra bolsa permitiu ajudar a família de um jornalista nicaraguense, Ángel Gahonamorto em 21 de abril com uma bala na cabeça quando transmitia uma reportagem ao vivo no Facebook Live.

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